Thuram critica postura de Mourinho após denúncia de racismo de Vini Jr.: “sentimento de superioridade”
Ex-jogador questiona o fato de a acusação ainda ser tratada como “dúvida” mesmo após relatos de Vinícius Júnior e Mbappé; caso em Benfica x Real Madrid é investigado pela UEFA
19/02/2026 às 12:29por Redação Plox
19/02/2026 às 12:29
— por Redação Plox
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Lilian Thuram, ex-zagueiro da seleção francesa e referência na luta contra o racismo no futebol, criticou publicamente a postura de José Mourinho após a denúncia de injúria racial feita por Vinícius Júnior em Benfica x Real Madrid, pela Champions League. A manifestação ocorre enquanto UEFA e autoridades portuguesas apuram o caso, que levou à paralisação da partida e repercutiu internacionalmente.
Denúncia de Vini Jr. e reação de Mourinho
O episódio aconteceu no jogo entre Benfica e Real Madrid, em Lisboa, em 17 de fevereiro, quando Vinícius Júnior relatou ao árbitro ter sido alvo de ofensa racial por parte de Gianluca Prestianni, jogador do Benfica. Seguindo o protocolo antirracismo, a partida foi interrompida por cerca de 10 minutos.
Após o confronto, José Mourinho, técnico do Benfica, comentou o caso sem endossar a denúncia e criticou a comemoração de Vinícius diante da torcida, sugerindo que “sempre acontece algo” em estádios onde o brasileiro atua. A postura foi vista por entidades e analistas como uma tentativa de deslocar o foco da acusação de racismo.
Nesta quinta-feira (19), Thuram reagiu às declarações e destacou que, mesmo com o relato de Vinícius e de Kylian Mbappé, ainda há quem trate a situação como “dúvida”, questionando por que a palavra de jogadores negros é colocada sob suspeita. Ele associou a fala de Mourinho a um “sentimento de superioridade” que impediria parte das pessoas de se colocar no lugar da vítima, recolocando o debate sobre responsabilidade de treinadores e dirigentes em episódios de racismo.
Lilian Thuram, ex-zagueiro da seleção francesa é uma voz ativa contra o racismo no futebol.
Foto: Reprodução / Redes sociais.
Atuação de UEFA, Real Madrid e autoridades portuguesas
A UEFA informou ter nomeado um inspetor de Ética e Disciplina para investigar alegações de comportamento discriminatório na partida de 17/02/2026, indicando que novos detalhes serão divulgados “em devido tempo”.
O Real Madrid afirmou ter entregue à entidade europeia “todas as evidências disponíveis” sobre os incidentes e reiterou que continuará cooperando para combater racismo, violência e discursos de ódio no esporte.
Em Portugal, a APCVD (Autoridade para a Prevenção e o Combate à Violência no Desporto) abriu um processo de contraordenação para apurar os fatos relacionados ao caso, após as informações virem a público pela imprensa.
Repercussão para Vini Jr., competições e público brasileiro
Para Vinícius Júnior e o Real Madrid, o episódio aumenta a pressão por punições esportivas e por medidas mais efetivas de proteção a atletas, além de reforçar o debate sobre a forma como denúncias de racismo são tratadas dentro de campo e no pós-jogo.
No plano das competições europeias, a investigação da UEFA pode resultar em sanções disciplinares, dependendo do que for comprovado. O caso volta a expor a recorrência de relatos de racismo em jogos de alto nível e reabre discussões sobre protocolos, responsabilização e postura de treinadores — em especial após a crítica de Thuram ao posicionamento de Mourinho.
Entre o público brasileiro, o tema tende a ganhar ainda mais força por envolver um dos principais jogadores da seleção. A situação alimenta debates sobre racismo, acolhimento às vítimas e a necessidade de respostas rápidas e firmes de clubes, federações e autoridades esportivas.
Investigações em andamento e pressão por respostas
A apuração segue com UEFA e autoridades portuguesas reunindo imagens, depoimentos e demais elementos considerados relevantes. Até o momento, trata-se de uma investigação em curso, sem conclusão tornada pública.
O Real Madrid afirma que seguirá colaborando com o processo e cobrando medidas contra episódios de racismo. Paralelamente, a repercussão deve continuar fora de campo, com pressão de entidades antidiscriminação e de figuras do futebol — como Thuram — por posicionamentos mais firmes de dirigentes e treinadores em situações semelhantes.