Estudo prioriza vacina contra herpes-zóster e outros remédios já aprovados para investigar efeito no Alzheimer

Pesquisa liderada pela Universidade de Exeter avaliou 80 medicamentos e destacou Zostavax, sildenafil e riluzole como candidatos para novos estudos, mas reforça que ainda não há prova de prevenção da doença.

19/02/2026 às 13:40 por Redação Plox

Uma vacina usada há anos para prevenir a herpes-zóster pode ganhar um novo papel no futuro: ajudar na prevenção do Alzheimer. A hipótese foi levantada em um estudo liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, publicado em novembro de 2025 na revista científica Alzheimer’s Research & Therapy.

Os pesquisadores analisaram 80 medicamentos já aprovados para outras doenças, em busca de opções que pudessem ser reaproveitadas no tratamento ou na prevenção do Alzheimer. A estratégia, conhecida como reposicionamento de fármacos, busca encurtar o caminho entre a pesquisa e a aplicação na prática clínica.


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Foto: Freepik

Como foi feita a seleção dos medicamentos

Ao todo, 21 especialistas internacionais em demência participaram da avaliação. Eles utilizaram o método de consenso Delphi, em que pesquisadores discutem as evidências científicas disponíveis até chegar a uma decisão conjunta sobre quais caminhos seguir.

Depois das rodadas de análise, três medicamentos foram destacados como prioritários para novos estudos:

  • Vacina contra herpes-zóster (Zostavax)
  • Sildenafil (conhecido como Viagra)
  • Riluzole, usado na doença do neurônio motor

Entre essas opções, a vacina contra herpes-zóster apareceu como uma das apostas mais promissoras para futuros testes clínicos. Atualmente, o imunizante é aplicado principalmente em adultos mais velhos para evitar a reativação do vírus da catapora, responsável por lesões dolorosas na pele.

O que é a doença de Alzheimer

O Alzheimer é uma doença que compromete, de forma progressiva, o funcionamento do cérebro, afetando a memória e outras funções cognitivas. Ainda não se sabe exatamente o que causa o problema, mas há indícios de participação de fatores genéticos.

É o tipo mais comum de demência em pessoas idosas e, segundo o Ministério da Saúde, responde por mais da metade dos casos registrados no Brasil. O sintoma inicial mais frequente é a perda de memória recente.

Com o avanço da doença, passam a surgir manifestações mais intensas, como dificuldade para lembrar fatos antigos, confusão em relação a horários e lugares, irritabilidade, mudanças na fala e na forma de se comunicar.

Por que a vacina contra herpes-zóster se destacou

De acordo com os pesquisadores, a vacina ganhou evidência na análise por três razões principais. A primeira é que se trata de um medicamento com perfil de segurança já conhecido, por estar em uso há anos na prática clínica.

A segunda é a possibilidade de a vacina influenciar o sistema imunológico, que tem papel importante nos processos de inflamação no cérebro, envolvidos no desenvolvimento de demências.

Por fim, há uma base científica prévia: estudos observacionais sugeriram que pessoas vacinadas contra a herpes-zóster podem ter menor risco de desenvolver demência ao longo do tempo.

Próximos passos da pesquisa

Os autores do estudo ressaltam que os resultados não significam que a vacina já possa ser considerada uma forma de prevenir o Alzheimer. O trabalho teve como objetivo estabelecer prioridades e indicar quais medicamentos devem ser testados primeiro em ensaios clínicos rigorosos.

A etapa seguinte é realizar pesquisas controladas com pacientes, para verificar se o efeito protetor realmente existe e entender melhor qual seria o mecanismo envolvido.

A doença de Alzheimer afeta milhões de pessoas no mundo e ainda não tem cura. Desenvolver um novo medicamento do zero pode levar mais de dez anos. Nesse cenário, reaproveitar remédios já existentes surge como uma estratégia para acelerar o acesso a possíveis tratamentos.

Se estudos futuros confirmarem o potencial da vacina contra herpes-zóster, ela poderá representar uma alternativa mais rápida e acessível para enfrentar a doença. Por enquanto, porém, o imunizante segue indicado apenas para a prevenção da herpes-zóster, e não como tratamento ou prevenção direta do Alzheimer.

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