Anvisa apreende produtos médicos, cosméticos e alimentos irregulares em centro de distribuição do Mercado Livre

Fiscalização mirou itens de “entrega full” e encontrou dispositivos médicos, cosméticos e alimentos com suspeitas de falta de registro, rotulagem inadequada e alegações de saúde não aprovadas; números ainda estão em apuração

19/03/2026 às 08:05 por Redação Plox

Uma fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) realizada em 18 de março de 2026, em um centro logístico do Mercado Livre em Cajamar, na Grande São Paulo, resultou na apreensão de produtos considerados irregulares e na retirada de anúncios da plataforma. A ação mirou itens com pronta entrega, no modelo de “entrega full”, em que os produtos já ficam armazenados no estoque do marketplace.


Produtos irregulares apreendidos pela Anvisa

Produtos irregulares apreendidos pela Anvisa

Foto: Reprodução/Anvisa


Anvisa mira produtos de pronta entrega no e-commerce

Segundo as informações encaminhadas à reportagem, a Anvisa encontrou dispositivos médicos, cosméticos e alimentos sendo oferecidos sem registro, sem autorização ou em desacordo com regras sanitárias. Também foram identificados problemas de rotulagem e anúncios com alegações de saúde não permitidas.

Entre as irregularidades relatadas estão a venda de produtos sem registro ou autorização sanitária, rótulos em idioma estrangeiro em itens de saúde, ausência de certificação do Inmetro quando exigida, composição irregular, alegações terapêuticas e de saúde sem aprovação e uso de nomes comerciais que sugerem efeitos medicinais sem comprovação.

De acordo com o relato, a lista de itens citados como apreendidos inclui 1.677 medidores de pressão, 511 lubrificantes íntimos, 270 produtos entre probióticos e enzimas digestivas, 19 suplementos alimentares, 17 termômetros, 14 pomadas modeladoras, 6 tintas de tatuagem e 3 oxímetros.

Essas informações ainda estão em apuração: até a conclusão da checagem, não foi localizado em fontes oficiais abertas, como o site da Anvisa ou o Diário Oficial da União, um comunicado específico detalhando a operação em Cajamar na data mencionada. Por isso, os números e a lista de produtos permanecem como dados sob verificação.

Fiscalização em marketplaces ganha relevância

A Anvisa vem reforçando em comunicados recentes que produtos sujeitos à vigilância sanitária precisam cumprir exigências específicas antes de serem comercializados, incluindo registro, autorização ou notificação, conforme a categoria. O ambiente digital, com marketplaces e redes sociais, passou a ser alvo direto dessa atuação.

Em janeiro de 2026, a agência divulgou nota sobre suspensão e recolhimento de itens alimentícios irregulares anunciados em plataformas online, citando o comércio eletrônico como canal relevante de oferta. Já em 2025, a Senacon notificou plataformas para revisar anúncios de suplementos após apurações sobre irregularidades, sinalizando maior pressão regulatória sobre o e-commerce quando há risco ao consumidor.

A atuação em centros logísticos e em modelos de “entrega full” se insere nesse contexto, em que o estoque do marketplace se torna parte central da estratégia de fiscalização sanitária.

Riscos ao consumidor e cuidados na compra online

Para consumidores, o caso reforça alertas em três frentes principais. A primeira é o risco à saúde: dispositivos como medidores de pressão, termômetros e oxímetros, quando irregulares, podem fornecer leituras incorretas e levar a decisões equivocadas sobre cuidados médicos.

A segunda envolve a atenção a promessas exageradas: alegações terapêuticas não aprovadas e nomes que sugerem efeitos medicinais são sinais de alerta, sobretudo em suplementos, probióticos e produtos “digestivos”.

O terceiro ponto é que a compra em marketplace, ainda que com entrega rápida ou estoque próprio, não dispensa checagem básica por parte do consumidor. É recomendável verificar rotulagem em português, identificação de fabricante ou importador e, quando aplicável, a regularização sanitária do item.

Apuração em andamento e orientação ao leitor

A apuração jornalística segue em busca de registro oficial que detalhe quantidades, categorias de produtos e medidas administrativas eventualmente adotadas na operação de 18 de março de 2026 em Cajamar, como nota da Anvisa, publicação no Diário Oficial da União ou relatório público.

Também segue em verificação se houve posicionamento do Mercado Livre sobre o caso, incluindo eventuais esclarecimentos sobre filtros adotados para itens de saúde e alimentos no modelo de “entrega full” e possíveis reforços nos controles.

Enquanto isso, a orientação ao leitor é que, em caso de suspeita de irregularidade em produtos de saúde, alimentos ou cosméticos adquiridos em plataformas digitais, o uso seja interrompido diante de qualquer risco percebido. O consumidor pode acionar os canais de atendimento da plataforma e, se necessário, buscar a vigilância sanitária local para orientações adicionais.

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