Com Bolsonaro na UTI, deputados do PL vão ao STF e pedem domiciliar para ex-presidente

Requerimento aprovado na Comissão de Segurança Pública da Câmara solicita a transferência imediata por razões médicas e humanitárias, mas não obriga o Supremo, que já negou novo pedido por unanimidade

19/03/2026 às 14:04 por Redação Plox

Com Jair Bolsonaro internado em uma unidade de terapia intensiva (UTI) em Brasília, deputados do PL partiram para uma ofensiva institucional no Supremo Tribunal Federal (STF) em defesa da prisão domiciliar para o ex-presidente. O movimento ocorre enquanto o próprio STF mantém a decisão de mantê-lo preso e em meio a boletins médicos que apontam quadro de pneumonia e necessidade de cuidados hospitalares contínuos.

Gustavo Gayer recebe cumprimentos do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante

Gustavo Gayer recebe cumprimentos do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante

Foto: Lula Marques/Agência Brasi


Pressão da Câmara pela domiciliar

A Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado da Câmara aprovou um requerimento pedindo que o STF avalie a situação de saúde de Jair Bolsonaro e considere a “transferência imediata para prisão domiciliar”. A iniciativa foi apresentada pelo deputado Osmar Terra (PL-RS) e, com a aprovação, o documento será encaminhado ao Supremo.

O envio do requerimento, porém, não obriga a Corte a adotar a recomendação dos parlamentares. O ato tem caráter político e não substitui pedidos formais apresentados pela defesa no âmbito da execução penal.

O pano de fundo é a internação de Bolsonaro no hospital DF Star, em Brasília, após agravamento do quadro de saúde, com registro de pneumonia e permanência em UTI, conforme informações divulgadas pelo hospital e repercutidas pela imprensa internacional.

Decisão do STF e argumentos em jogo

Enquanto aliados intensificam a pressão política, o Judiciário mantém a linha adotada até aqui. Segundo informou a Agência Brasil, a Primeira Turma do STF decidiu por unanimidade negar um novo pedido de prisão domiciliar apresentado pela defesa de Bolsonaro, confirmando decisão individual do ministro Alexandre de Moraes.

No Congresso, o requerimento aprovado na Comissão de Segurança Pública sustenta que o atual quadro clínico do ex-presidente exigiria acompanhamento mais adequado fora do sistema prisional, argumento usado para defender o regime domiciliar em nome de razões médicas.

Alcance político e institucional do movimento

Para o STF, o documento aprovado por deputados do PL tem peso sobretudo simbólico e político. Ele não altera decisões judiciais em vigor nem se sobrepõe às petições formais apresentadas pela defesa nos autos do processo.

Já no âmbito do Congresso e do próprio PL, a investida reforça uma estratégia de mobilização institucional em torno de “razões humanitárias” para tentar mudar o regime de cumprimento da pena de Bolsonaro, agora agravada pelo fato de o ex-presidente estar na UTI.

Na esfera pública, a combinação entre a internação hospitalar de Bolsonaro e a negativa do STF à domiciliar tende a alimentar a tensão entre a oposição bolsonarista e a Corte. O caso coloca em evidência o debate sobre os limites de atuação dos Poderes e sobre os critérios adotados para a gestão de presos que enfrentam problemas de saúde.

Próximos passos no STF e na área médica

Com a aprovação na comissão da Câmara, o requerimento seguirá para envio formal ao STF, que poderá apenas tomar ciência do teor do documento ou anexá-lo a manifestações já existentes no processo. A decisão sobre o regime de cumprimento de pena continua condicionada às iniciativas da defesa e à análise do relator e do colegiado.

Ao mesmo tempo, a evolução do quadro clínico de Bolsonaro — envolvendo UTI, pneumonia e resposta ao tratamento — deve seguir influenciando a apresentação de novos pedidos pela defesa e a avaliação do tribunal.

Mesmo após a negativa recente relatada pela Agência Brasil, a defesa pode insistir em novos requerimentos de prisão domiciliar, desde que sustente a existência de fatos novos ou apresente laudos médicos atualizados, ponto que costuma ser central na análise do STF em casos dessa natureza.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a