Enel São Paulo vai à Justiça para tentar suspender processo de caducidade na Aneel

Concessionária pede que agência não delibere em 24 de março e quer anular voto do diretor-geral Sandoval Feitosa, alegando cerceamento de defesa

19/03/2026 às 12:49 por Redação Plox

A Enel São Paulo recorreu à Justiça para tentar suspender o processo administrativo de caducidade da concessão movido pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que pode resultar no fim do contrato da distribuidora de energia no estado.


O processo judicial foi protocolado na última terça-feira (17/3). A empresa pede que a diretoria da Aneel seja impedida de deliberar sobre o caso em reunião marcada para o dia 24 deste mês e que o voto do diretor-geral, Sandoval Feitosa, seja considerado nulo.

Distribuidora de energia elétrica tenta suspender processo movido pela Aneel que pode levar ao fim da concessão em SP.

Distribuidora de energia elétrica tenta suspender processo movido pela Aneel que pode levar ao fim da concessão em SP.

Foto: Reprodução / Agência Brasil.


Enel alega cerceamento de defesa

No pedido à Justiça, a Enel sustenta que teve o direito de defesa cerceado no processo de possível caducidade. A distribuidora argumenta que o voto de Feitosa pela aplicação da sanção máxima foi apresentado dois dias antes do fim do prazo para a manifestação da empresa.


A companhia também afirma estar sendo responsabilizada por fatos recentes, como o apagão de dezembro de 2025, dentro de um processo que foi aberto pela Aneel antes desse episódio.


O diretor-geral da Aneel afirmou que vai recorrer da decisão judicial e disse ter sido surpreendido pela conduta da empresa.

Em nota, a Enel declarou reafirmar sua confiança nos fundamentos legais de sua defesa e cobrou que qualquer deliberação seja tomada de forma isenta e técnica, com base na legalidade e em fatos comprovados no processo.

Processo de caducidade na Aneel

O processo na Aneel que pede a caducidade do contrato de concessão da Enel foi aberto em 2024, motivado por falhas na distribuição de energia na Região Metropolitana de São Paulo. O mérito é analisado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira.


Para o diretor-geral da Aneel, a concessionária perdeu a legitimidade social para continuar fornecendo energia em São Paulo, após sucessivos problemas no serviço. Desde 2019, foram estabelecidos 11 planos para melhoria, dos quais sete acabaram reprovados até agora.


A concessão da Enel começou em 2018. Até 2023, a empresa acumulou mais de R$ 320 milhões em multas e outros R$ 80 milhões em penalidades aplicadas pelo Procon desde 2019.


Além das sanções, três dos maiores e mais recentes apagões em São Paulo ocorreram sob o atual contrato: em outubro de 2024, novembro de 2024 e dezembro de 2025. O último deles deixou quase 5 milhões de clientes sem energia por vários dias.

Preocupação com empregos e continuidade do serviço

Em 12 de março, o Sindicato dos Eletricitários de São Paulo realizou um protesto em frente à Prefeitura da capital contra o risco de caducidade do contrato da Enel.

De acordo com os trabalhadores, o fim da concessão pode provocar demissões em massa e comprometer a continuidade e a estabilidade de um serviço considerado essencial, como o fornecimento de energia elétrica.

Decisão na Aneel está marcada

No dia 24 de março, a Aneel, por meio de seus cinco diretores, deverá decidir se arquiva o processo de caducidade da concessão da Enel ou se o encaminha ao Ministério de Minas e Energia, que terá a decisão final sobre o futuro do contrato em São Paulo.

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