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Em sessão virtual iniciada em 13/03/2026, colegiado avalia se referenda ou revisa decisão individual do ministro André Mendonça no caso ligado ao Banco Master
Em meio à disparada do petróleo provocada pela guerra no Oriente Médio, o governo se movimenta para evitar um novo choque de inflação em ano eleitoral. A equipe do presidente Lula tenta segurar o preço do diesel, que teve alta acelerada nos postos e acendeu o alerta no Planalto.
Lula e seus ministros se articulam para evitar um repique de inflação às vésperas da eleição presidencial.
Foto: Reprodução / Agência Brasil.
De acordo com a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço médio do litro do diesel subiu mais de 11% em apenas uma semana, passando de R$ 6,08 para R$ 6,80. A escalada ocorre em um momento de forte instabilidade no mercado internacional de energia.
Em poucas semanas, os ataques de EUA e Israel ao Irã deflagraram um intenso conflito por toda a região. Um dos principais trunfos iranianos é o controle do Estreito de Ormuz, por onde circula cerca de 20% de todo o petróleo mundial.
Os iranianos afirmam que, em razão dos ataques, o estreito foi fechado. Com o fluxo de comércio na área reduzido a menos da metade do normal, o barril de petróleo saltou de aproximadamente US$ 60 no início do ano para US$ 110. A disparada da cotação internacional rapidamente se converteu em pressão sobre combustíveis no Brasil.
A alta da matéria-prima atinge diretamente a Petrobras, responsável por cerca de 45% do preço final do diesel no país. Com o petróleo mais caro, a estatal precisa escolher entre repassar o aumento — elevando o valor nas bombas — ou segurar os preços e aceitar margens menores de lucro.
Esse cenário evidencia como a política de preços da empresa tem sido usada também como instrumento de controle da inflação. Para evitar um repasse integral da alta do petróleo, o governo federal lançou um pacote para segurar o preço dos combustíveis e tentar conter os efeitos no custo de vida.
O primeiro movimento foi a isenção de impostos federais e a criação de uma “ajuda de custo” — a chamada subvenção — a produtores e importadores de diesel. A estimativa é gastar R$ 30 bilhões para reduzir em R$ 0,64 por litro o valor na bomba. Em contrapartida, o governo decidiu instituir um imposto sobre a exportação de petróleo.
Com esse “desconto” bancado pelo Tesouro, a Petrobras ganhou espaço para elevar o preço do diesel nas refinarias, acompanhando o encarecimento do petróleo, sem que todo o impacto chegasse imediatamente ao consumidor. Assim, a estatal tenta evitar prejuízos com a matéria-prima mais cara, enquanto o governo compartilha o efeito do aumento na ponta.
Até o momento, porém, as medidas ainda não produziram o resultado esperado. A isenção de PIS/Cofins representa apenas cerca de 5% do preço final do diesel. Por isso foi adicionada a subvenção, justamente para dobrar o alívio oferecido ao consumidor.
Diante da persistência da alta, o governo passou a pressionar os estados para reduzirem os tributos regionais sobre combustíveis. No caso do diesel, o ICMS responde por quase 20% do preço final, o que poderia resultar em um desconto adicional em torno de R$ 1,20 por litro.
Os governadores, no entanto, rejeitaram a proposta. O Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal (Comsefaz) alegou que isentar o ICMS comprometeria o financiamento de políticas públicas e que cortes nesse imposto não costumam ser plenamente repassados ao consumidor.
Diante da negativa, o governo apresentou uma alternativa: os estados zerariam o ICMS sobre a importação de diesel até o fim de maio, e a União reembolsaria metade da receita perdida. Pelos cálculos do Ministério da Fazenda, a desoneração custaria R$ 3 bilhões por mês, com devolução de R$ 1,5 bilhão por parte do governo federal. A definição sobre a proposta deve sair até 28 de março.
A preocupação do governo tem relação direta com o papel do diesel na economia brasileira. O combustível é essencial para o transporte de cargas e passageiros. Quando o preço sobe, o efeito se espalha dos caminhoneiros ao valor dos alimentos, de produtos industriais e de serviços em geral.
Para atenuar esse impacto e tentar evitar uma nova paralisação de transportadores, o governo reforçou a fiscalização da tabela do frete no país. O objetivo é garantir que os caminhoneiros não rodem “no prejuízo” e impedir uma eventual repetição de movimentos que possam agravar ainda mais o quadro.
Os reflexos do encarecimento do diesel sobre a inflação já começam a ser mensurados. O economista Fábio Romão, sócio da Logos Economia, avalia que os aumentos indiretos decorrentes da alta do combustível podem elevar o índice de preços em 0,11 ponto percentual em 2026.
O primeiro impacto, mais imediato, será o aumento do próprio diesel, já neste mês. Entre os efeitos indiretos, o aumento será espraiado ao longo dos próximos seis meses
Fábio Romão