Greve na Fhemig já adia mais de 30 cirurgias e suspende procedimentos eletivos em Belo Horizonte

Paralisação começou nesta semana e mantém apenas escala mínima para urgência e emergência; trabalhadores cobram reajuste, melhores condições e pagamento integral do piso da enfermagem, enquanto fundação diz monitorar impactos e dialogar

19/03/2026 às 08:39 por Redação Plox

A greve de trabalhadores da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig) já provoca impactos no atendimento em Belo Horizonte, com suspensão de procedimentos eletivos e adiamento de cirurgias previamente agendadas, segundo representantes da categoria. A paralisação, iniciada nesta semana, mantém a escala mínima para casos de urgência e emergência, mas altera a rotina de cirurgias não urgentes e amplia a incerteza para pacientes que aguardam remarcação.


Os trabalhadores reivindicam melhorias salariais e nas condições de trabalho; até o momento, não há previsão para o fim da greve

Os trabalhadores reivindicam melhorias salariais e nas condições de trabalho; até o momento, não há previsão para o fim da greve

Foto: Freepik


Mais de 30 cirurgias teriam sido adiadas

De acordo com balanço inicial informado por representantes dos grevistas, mais de 30 cirurgias foram adiadas em unidades da rede em Belo Horizonte, sem nova data definida para realização. Esse número, porém, ainda depende de confirmação por documento ou nota oficial, já que não foi localizado, até o momento, um boletim público da Fhemig com o consolidado de procedimentos afetados.

A paralisação acontece em um cenário de pressão sobre a capacidade cirúrgica da rede estadual. Nos últimos meses, a fila de cirurgias e a reorganização de salas cirúrgicas vêm sendo temas constantes na agenda do governo e de órgãos de controle, com ações anunciadas para ampliar a oferta de procedimentos e compensar interrupções em unidades específicas.

Programas para ampliar cirurgias em meio à paralisação

Nas últimas semanas, a Fhemig tem divulgado iniciativas voltadas à ampliação das cirurgias eletivas, como o programa “Opera Mais Fhemig”, que prevê mutirões e aumento do número de procedimentos ao longo do ano. Essas medidas buscam reduzir a demanda represada, mas a greve tende a pressionar novamente a programação cirúrgica.

Também há decisões e determinações do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) que cobram maior capacidade cirúrgica da rede, inclusive com a abertura de salas para compensar interrupções em serviços ortopédicos do Hospital Maria Amélia Lins (HMAL), o que afeta diretamente o fluxo de pacientes na capital.

Até a conclusão desta apuração, não foi encontrado no site institucional da Fhemig um comunicado específico sobre a greve com números consolidados de cirurgias adiadas. Por isso, o dado de “mais de 30 cirurgias” segue como informação apresentada por representantes dos trabalhadores, ainda à espera de confirmação oficial.

Como a greve afeta os pacientes

Para quem tinha cirurgia eletiva marcada, a tendência é de cancelamento ou adiamento, com remarcação sem prazo definido, a depender da especialidade e da unidade. Isso inclui procedimentos que, em alguns casos, já vinham sendo remarcados anteriormente, o que aumenta a apreensão de pacientes e familiares.

Os atendimentos de urgência e emergência devem continuar em funcionamento com a escala mínima exigida por lei. Ainda assim, há risco de efeitos indiretos, como maior tempo de espera e sobrecarga das equipes, sobretudo se a greve se prolongar.

A suspensão de eletivas também pode colidir com os esforços recentes de mutirões criados para reduzir a fila represada, abrindo espaço para um “efeito sanfona”: o sistema avança na realização de cirurgias em determinados períodos, mas recua quando há paralisações ou restrições na capacidade de atendimento.

Reivindicações e próximos desdobramentos

Os trabalhadores reivindicam melhorias salariais e nas condições de trabalho. Entre as queixas estão a sobrecarga das equipes, problemas estruturais nas unidades e o não pagamento integral do piso da enfermagem. A Fhemig afirma que acompanha os efeitos da paralisação e que adota medidas para minimizar os prejuízos à população, reforçando que os serviços essenciais seguem em funcionamento e que há diálogo com representantes da categoria.

Os próximos passos incluem a busca por confirmação oficial dos números de cirurgias adiadas, a identificação das unidades e especialidades mais afetadas e a definição de um plano de remarcação. Também é esperado detalhamento da pauta sindical e das unidades que aderiram ao movimento, além da orientação ao público sobre canais de atendimento para confirmação de agendamentos em cada hospital da rede.



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