Master e JBS repassaram R$ 18 milhões a consultoria que pagou filho de Nunes Marques, do STF, diz Coaf

Relatório citado em reportagem aponta transferências de agosto de 2024 a julho de 2025 para a Consult Inteligência Tributária; empresa teria feito 11 pagamentos ao advogado Kevin de Carvalho Marques, totalizando R$ 281,6 mil

19/03/2026 às 10:04 por Redação Plox

Pagamentos atribuídos ao Banco Master e à JBS somaram R$ 18 milhões a uma consultoria tributária entre 2024 e 2025, segundo reportagem baseada em informações do Coaf. O mesmo material relata que a consultoria fez repasses ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro Kassio Nunes Marques, do Supremo Tribunal Federal (STF). O caso ocorre em meio a uma sequência de investigações e apurações públicas envolvendo o Banco Master, já citado em CPIs e operações policiais.

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil


Pagamentos de Master e JBS à consultoria tributária

De acordo com a reportagem, Banco Master e JBS transferiram, juntos, R$ 18 milhões para a empresa Consult Inteligência Tributária entre agosto de 2024 e julho de 2025. A divisão informada é de R$ 6,6 milhões atribuídos ao banco e R$ 11,3 milhões atribuídos à JBS.

O texto aponta que a Consult Inteligência Tributária teria realizado 11 pagamentos ao advogado Kevin de Carvalho Marques, de 25 anos, descrito como filho do ministro Kassio Nunes Marques, do STF. A soma desses repasses seria de R$ 281,6 mil, feitos “por meio do escritório” do advogado, conforme a mesma publicação.

A reportagem também afirma que o Coaf teria identificado movimentação considerada incompatível com o faturamento da consultoria. Esse tipo de apontamento, por envolver relatório de inteligência financeira, costuma ser tratado como indício para aprofundar apurações, e não como prova conclusiva de irregularidade.

Dados oficiais e limites de acesso ao relatório do Coaf

Até a última verificação desta apuração, não havia, nas fontes oficiais consultadas, detalhamento público do suposto Relatório de Inteligência Financeira (RIF) do Coaf citado na reportagem. Documentos do órgão, em regra, não são divulgados integralmente ao público, o que faz com que a informação sobre o conteúdo do RIF permaneça ainda em apuração do ponto de vista documental.

Como contexto institucional sobre o Banco Master, o Senado registrou que a CPMI do INSS convocou o banqueiro Daniel Vorcaro, citado como investigado em inquérito da Polícia Federal relacionado a fraude financeira envolvendo a instituição.

Na mesma linha, o portal Poder360 noticiou operação da Polícia Federal que prendeu Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e mencionou movimentações processuais e desdobramentos no Supremo Tribunal Federal em torno do caso.

Efeitos de reputação, governança e transparência

O episódio reforça o risco reputacional e de governança para os envolvidos. A associação entre pagamentos corporativos de alto valor, uma consultoria tributária e repasses a parente de ministro do STF tende a intensificar o escrutínio de compliance, mesmo na ausência de prova pública de ilegalidade.

Ao mesmo tempo, cresce a pressão por transparência. Empresas e instituições financeiras podem ser cobradas a explicar critérios de contratação, serviços efetivamente entregues e justificativas econômicas para contratos desse porte, sobretudo quando há menção a alertas do Coaf.

No noticiário econômico, o tema se soma ao ambiente de apurações que já cercam o Banco Master — de CPIs a investigações da Polícia Federal —, com potencial de afetar a percepção de risco e de confiança em relações comerciais e institucionais ligadas ao caso.

Próximas verificações e desdobramentos possíveis

Um dos pontos centrais para o avanço da apuração é a checagem documental. Será necessário confirmar, por meio de fontes com acesso aos autos, se o RIF do Coaf citado existe nos termos descritos pela reportagem e se há investigação formal conectando os pagamentos feitos por Banco Master e JBS à consultoria Consult Inteligência Tributária e, desta, ao advogado Kevin de Carvalho Marques.

Também são esperados posicionamentos do Banco Master, da JBS, da Consult Inteligência Tributária e do advogado mencionado, além de eventuais manifestações institucionais vinculadas ao ministro do STF, quando couber. Entre os pontos sensíveis estão o objeto dos contratos, os serviços prestados, os critérios de contratação e a natureza dos repasses.

Do ponto de vista institucional, o acompanhamento da CPMI do INSS e de eventuais novas fases de apurações envolvendo o Banco Master pode trazer documentos, depoimentos e dados verificáveis que ajudem a esclarecer o alcance e as circunstâncias dos pagamentos de R$ 18 milhões à consultoria que repassou valores ao filho do ministro.

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