Petróleo dispara e Brent volta a superar US$ 115 após ataques a instalações de energia no Oriente Médio

Nova onda de ataques envolvendo Arábia Saudita, Catar, Kuwait e estruturas no Irã eleva temor de interrupções na oferta; no Brasil, alta do Brent pressiona custo de gasolina e diesel e pode chegar às bombas

19/03/2026 às 08:14 por Redação Plox

Os preços do petróleo dispararam nesta quinta-feira (19), reacendendo o alerta global sobre a oferta de energia após uma nova onda de ataques a instalações no Oriente Médio. O Brent, referência internacional, voltou a operar acima de US$ 115 por barril, no maior patamar em mais de uma semana, impulsionado pela escalada do conflito entre Irã e Israel e por relatos de danos em pontos estratégicos de gás e refino na região.

Ataques miram infraestrutura energética no Golfo

Relatos reunidos pela Associated Press indicam que o Irã intensificou ofensivas contra instalações energéticas em países do Golfo. Um ataque por drone atingiu a refinaria SAMREF, no porto de Yanbu, na Arábia Saudita, às margens do Mar Vermelho.

Também segundo a AP, houve incidentes na área de Ras Laffan, no Catar, um dos maiores polos de gás natural liquefeito (GNL) do mundo, além de ataques a refinarias no Kuwait, com registro de incêndio em Mina al-Ahmadi.

O pano de fundo da tensão é o ataque ao campo de gás de South Pars, no Irã, que elevou a percepção de risco de interrupções prolongadas na oferta e no transporte de energia em uma das regiões mais sensíveis para o mercado global de petróleo e gás.

Como o choque no Brent chega à gasolina e ao diesel no Brasil

A disparada do Brent mexe diretamente com a conta de combustíveis no Brasil. Quando a cotação internacional sobe forte, o custo de reposição de gasolina e diesel tende a aumentar para distribuidoras e importadores.

Mesmo que o repasse não seja imediato nas bombas, a pressão se acumula ao longo da cadeia e pode acelerar reajustes nas semanas seguintes, a depender da política de preços adotada pelas refinarias e do comportamento do câmbio.

No caso do diesel, a alta costuma ter efeito em cascata sobre o frete rodoviário, encarecendo o transporte de hortifrutis, proteínas e produtos industriais. Esse movimento pode se traduzir em inflação de curto prazo, especialmente em itens mais sensíveis ao custo logístico.

O que acompanhar nos próximos dias

Para entender como o novo choque do petróleo pode bater no bolso, o consumidor pode acompanhar alguns indicadores-chave:

  • a cotação diária do Brent e do WTI, que baliza o preço internacional do barril;
  • o dólar, que influencia a paridade de importação dos combustíveis;
  • anúncios de reajustes de refinarias e repasses de preços por distribuidoras e postos;
  • eventuais medidas de governo, como uso de estoques, mudanças em tributos ou ajustes em regras de mistura de biocombustíveis.

Tensões geopolíticas mantêm mercado em alerta

A escalada no Oriente Médio reforça a percepção de risco de oferta para o Brent, justamente o tipo de petróleo mais exposto às rotas marítimas da região. Ao mesmo tempo, o WTI, referência dos Estados Unidos, tem sido negociado com desconto maior em relação ao Brent, em meio à liberação de reservas estratégicas pelos EUA e a custos elevados de transporte.

Analistas de mercado seguem monitorando possíveis novas ofensivas contra refinarias, terminais e rotas de exportação, bem como reações diplomáticas e militares que possam agravar ou aliviar a pressão sobre os preços.

Próximos passos da cobertura

Acompanhando a evolução do cenário, a apuração tende a se concentrar em três frentes principais:

  • rastrear novos incidentes em infraestrutura de petróleo e gás no Golfo e eventuais interrupções efetivas de produção ou embarques;
  • avaliar, no Brasil, se postos em capitais e cidades-polo começam a registrar repasses mais fortes para gasolina e diesel;
  • ouvir economistas e especialistas em energia para estimar, com base em dados de mercado, quanto do choque do Brent pode virar aumento nas bombas e em que prazo.

Simulações de impacto — como o efeito de um aumento de US$ 10 no barril sobre o custo do diesel e da gasolina — dependem de premissas claras sobre câmbio, frete, impostos e política de preços, e serão atualizadas conforme as cotações forem se consolidando.

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