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Um em cada quatro alunos da rede municipal de educação infantil de São Paulo estuda a mais de 1,5 km de casa, de acordo com a nova edição do Mapa da Desigualdade, divulgada nesta quinta-feira (19). O levantamento traz, pela primeira vez, o indicador Compatibilidade Bairro-Escola, que mede o percentual de crianças matriculadas em creches e pré-escolas próximas da residência, em todos os 96 distritos da capital.
Na média da cidade, o índice de crianças que estudam até 1,5 km de casa é de 76%. Ou seja, cerca de uma em cada quatro crianças precisa se deslocar por mais de 1,5 km para ter acesso à educação infantil. A distância maior pode dificultar o acesso à escola, especialmente para famílias de baixa renda, além de aumentar o tempo de deslocamento diário das crianças.
Alunos de escola municipal de SP
Foto: Divulgação/Prefeitura de SP
O indicador Compatibilidade Bairro-Escola considera alunos da rede municipal direta e conveniada de educação infantil. Ele foi calculado com base em dados do ObservaSampa, plataforma de indicadores da Prefeitura de São Paulo, e mostra, por distrito, a proporção de crianças que conseguem vaga em creches e pré-escolas a até 1,5 km de casa.
Entre os distritos com maior proximidade entre casa e escola estão Sé (94%), Vila Matilde (90%), Barra Funda (89%), Cambuci (89%) e Brás (88%). Já os piores índices foram registrados em Marsilac (24,5%), Butantã (47,9%), Alto de Pinheiros (48%), Saúde (50%) e Vila Leopoldina (51%).
Na prática, em regiões como Marsilac, menos de um terço das crianças consegue vaga perto de casa, o que aprofunda desigualdades de acesso e impacta diretamente a rotina das famílias.
Produzido há mais de uma década, o Mapa da Desigualdade analisa a oferta de serviços públicos e a qualidade de vida nos distritos da capital paulista, com o objetivo de evidenciar diferenças entre regiões e orientar políticas públicas. Nesta edição, os dados de educação aparecem em uma nova etapa da divulgação, que também inclui indicadores de segurança, esportes e infraestrutura digital.
A compatibilidade entre bairro e escola na educação infantil é um dos recortes que mostram como a localização das unidades influencia o acesso. Quando a vaga não está disponível no entorno imediato, famílias de menor renda são as mais afetadas, por dependerem mais de transporte público e terem menos flexibilidade na rotina de trabalho.
Além da distância entre casa e escola, o levantamento traz um ranking geral da educação nos distritos, construído a partir de sete indicadores que medem diferentes dimensões do ensino público: matrícula na rede pública, distorção idade-série, abandono escolar, desempenho no Ideb (anos iniciais e finais), adequação da formação docente e esforço dos professores.
Para chegar à classificação final, cada distrito recebe uma pontuação em cada indicador, conforme sua posição em relação aos demais. As notas são somadas e divididas, gerando um índice geral de desempenho educacional por território.
No topo do ranking aparecem distritos da Zona Leste, como Carrão, Vila Matilde e Vila Jacuí, seguidos por Jardim Helena e Artur Alvim. Nas últimas posições estão bairros de regiões mais centrais e da Zona Oeste, como Morumbi, Vila Leopoldina e Santana, além de Rio Pequeno e Vila Andrade.
Os dados detalhados mostram que as desigualdades não se restringem à localização das escolas e se repetem em diferentes aspectos do sistema educacional.
No acesso à creche, o Mapa aponta diferenças relevantes entre distritos. Há regiões em que a vaga é obtida em apenas um dia, como Cidade Tiradentes, Guaianases e São Mateus. Em Marsilac, por outro lado, a espera chega a 21 dias.
Essas variações reforçam que a compatibilidade bairro-escola também depende da capacidade instalada e do planejamento de vagas em cada território, somando-se ao desafio da distância média percorrida pelas crianças.
No ensino fundamental, a taxa de abandono escolar vai de 0% em bairros como Moema e Vila Mariana até 1,58% em Santana. Já a distorção idade-série — quando o aluno está acima da idade recomendada para a série — varia de 2,23 no Carrão a 13,04 na Sé.
O desempenho acadêmico também apresenta forte disparidade. No Ideb dos anos iniciais, a nota média vai de 7,3 na Vila Mariana a 4,8 no Pari. Nos anos finais, oscila entre 5,8 em Pinheiros e 4 no Ipiranga.
Esses indicadores reforçam que, além de garantir a vaga perto de casa, é preciso olhar para a qualidade do ensino, a permanência na escola e o fluxo escolar adequado, sob risco de reproduzir desigualdades ao longo de toda a trajetória educacional.
Entre os professores, o levantamento registra diferenças tanto na formação quanto na carga de trabalho. A proporção de docentes com formação inadequada chega a 39,1% na Sé, enquanto no Bom Retiro o índice é de 2,4%.
O chamado “esforço docente” — que leva em conta número de alunos, carga horária e atuação em mais de uma escola — atinge até 29,55% em Santo Amaro, mas é zerado em distritos como Jardim Paulista e Consolação.
Ao reunir esses dados, o Mapa da Desigualdade evidencia que a distância entre casa e escola na educação infantil é apenas uma das faces de um quadro mais amplo de desigualdades educacionais na cidade de São Paulo, que envolve oferta territorial de vagas, condições de trabalho docente e resultados de aprendizagem.