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    Ele faz 80 anos; saiba por que Roberto Carlos é um rei

    Aos que em vão dirão “mas ele não é rei”, basta lembrar: quem tem um reinado é rei. E Roberto reina absoluto na música brasileira

    Por Plox

    19/04/2021 02h46 - Atualizado há 5 meses

    Hoje, segunda-feira, 19 de abril de 2021, o rei completa 80 anos. Roberto Carlos chega a esta idade com sua marca maior, a voz, ainda límpida, cristalina e afinada.

    Aos que em vão dirão “mas ele não é rei”, basta lembrar: quem tem um reinado é rei. E Roberto reina absoluto na música brasileira. Ele embalou vidas inteiras. Pessoas que tiveram sua infância marcada por uma de suas músicas, que deram o primeiro beijo ao som de outra canção deste mago das “Emoções”.  Viveram “Detalhes” de um “Amor Perfeito”. Viveram desilusões, sonhos feitos e refeitos sob a trilha sonora cantada pela voz cortante de Roberto Carlos.
     

    Carreira

    Foi no Espírito Santo, na cidade de Cachoeiro do Itapemirim, em 19 de abril de 1941, que Roberto Carlos Braga nasceu. Seu pai Robertino Braga era relojoeiro e sua mãe, Laura Moreira Braga, eternizada como “Lady Laura”, era costureira. 
    Em sua terra, aos 9 anos, já cantava na Rádio Cachoeiro, imitando o cantor Bob Nelson. Mas foi quando se mudou para o Rio de Janeiro que se encontrou frente à oportunidade de se tornar o maior astro do Brasil. 

     


    O ínicio passou longe de ser um conto de fadas. Ele chegou a receber conselhos de um “especialista” para desistir da música e tentar outra profissão.
    Em 1957, morava perto de Tim Maia. "The Sputniks" foi a banda em que esses adolescentes se enveredaram para viverem os sucessos de músicas americanas. Aos 18 anos, em 1959, a primeira gravação, um compacto com duas músicas, que não fez sucesso. Em 1961, o primeiro LP, outro fracasso de vendas. Mas Roberto começou a projetar a sua marca. Hoje esse disco (vinil) chega a ser vendido por 7 mil reais.

    Em 1963,  “Parei na Contramão”, "O Calhambeque" e "É Proibido Fumar", chegaram para ficar.  Roberto não parou na contramão, foi além. Ele mudou o sentido da música no Brasil. Deixou de ser cantor e virou estilo, simplesmente inimitável.

     

    Foto: reprodução site Robertocarlos.com


    Roberto Carlos hega a essa etapa da vida com a sobriedade de quem não precisa se impor. Sua vasta obra em vários países já o posiciona. Vê-lo contemporizando com alguns “cantores e cantoras” de grunhidos, com arranjos repetidos tanto no início como no fim, dá pena. “A Distância” é muito grande. Pior que os "tiguirin-guirin” das guitarras e sanfoninhas dessas duplinhas é essa temática enfadonha de apologia à cerveja, como se fosse um elixir mágico para “beber até cair”. E caíram mesmo.  E os fabricantes entram com patrocínios. Afinal, é preciso manter o círculo vicioso e viciante. 
    Com “músicas” que banalizam relacionamentos inteiros, esses, e essas, “de hoje” bem que poderiam aprender com quem sabe eternizar “Os Botões da Blusa”, “O Café da Manhã” e a “Rotina”.  Afinal, "É preciso saber Viver” e enxergar “Além do Horizonte” e, às vezes, ser um “Amante à Moda Antiga” e demonstrar que está “Falando Sério”.  
    É preciso observar os “Detalhes”, olhar nos olhos e perguntar “Como Vai Você?”.  É nobre valorizar o “Amigo”, viver um “Amor Sem Limites”. Que mal há em pegar nas mãos e falar “Como é Grande o Meu Amor Por Você”?. E assim, “De Coração Pra Coração”, fazer um “Desabafo” e mostrar todas as “Emoções”.  É bom ter humildade para dizer “Eu Preciso de Você" e ter a firmeza para falar sem medo: “Esse Cara Sou Eu”. 
    É bonito valorizar a mãe, seja ela Lady Laura, Vicentina, ou Madalena e agradecer ao pai, “Meu Querido, Meu Velho, Meu Amigo”.  Feliz quem pode viver as belezas e agruras da vida e dizer alto “Aleluia” e, assim, ganhar forças para seguir “Outra Vez”.

    Em setembro de 1965, explode a “Jovem Guarda”. A princípio, era para ser um programa da TV, ainda em preto e branco. Mas aqueles jovens que se reuniam nas tardes de domingo nem tinham ideia que estavam criando um estilo, um movimento a ser lembrado e relembrado por décadas e que, até hoje, influencia os artistas que ingressam na arte da música.
    Com os amigos Wanderléa e Erasmo Carlos, Roberto alça voo e encontra seu lugar em alguma galáxia. Quase 60 anos depois, estamos nós aqui, lhe assegurando ainda o emblema de maior artista do Brasil. 
    Em 1968, Roberto Carlos volta da Itália como vencedor do Festival de San Remo, “Canzone per te”, de Sérgio Endrigo, vira um hino ao romantismo no Brasil.

     

    Esse vídeo é raro. Mostra um programa com participação especial de Roberto Carlos na TV Italiana em 1970


    A carreira do astro seguiu em frente. As festas de fim de ano passaram a ter um novo elemento, o especial de TV onde Roberto Carlos recebe alguns cantores, inclusive iniciantes de carreira, para dividirem o palco com ele. Todos narram este momento como a realização de um sonho. E ano após ano, Roberto crava na parede da música brasileira mais um álbum de canções, já previamente qualificadas de sucesso. E o são.


    Parcerias
    Até a estrela mundial Jennifer Lopez se rendeu ao reinado do nosso brasileiro. No final do ano de 2016, uma parceria entre os dois levou uma canção composta por Kany Garcia a entrar para a lista dos “clássicos“. A música “Chegaste” foi adaptada para o português, inclusive cantada nessa língua por Jennifer Lopes.


    Uma versão em espanhol foi gravada pela dupla. Jennifer Lopez também declarou ser “um sonho que se tornou realidade”.

    Tim Maia é um dos primeiros “parceiros” de Roberto, mas isso foi quando eram adolescentes. Uma briga pôs fim à banda e rumores passaram a acompanhar a vida dos dois artistas como se algo não tivesse terminado bem. O filme sobre Tim Maia, coloca Roberto como um meio vilão.
    Já a parceria com Erasmo Carlos, também iniciada na juventude, veio para ficar.  A lista de sucessos da dupla é muito extensa. Esse é daqueles encontros mais que duradouros, são eternos.

    Tragédias e tristezas
    Mas a vida de um rei também tem seus percalços e, às vezes, tragédias e muita tristeza. E com Roberto Carlos não foi diferente. Aos seis anos de idade, Roberto Carlos foi vítima de um atropelamento por trem de ferro em sua cidade. Ele perdeu parte da perna direita. Durante muito tempo usou muleta e depois passou a usar uma prótese. Este assunto era um tema que ele não gostava de falar. Roberto Carlos também teve muitos amores e desamores. Casou-se com Cleonice Rossi, conhecida como Nice, em 1968, já muito famoso. Uma das suas músicas mais conhecidas teria sido feita para Ana, filha de Nice e que Roberto Carlos passou a cuidar como se fosse o verdadeiro pai. “Ana” foi um sucesso estrondoso no início dos anos 70. 

     

    Ana, Roberto Carlos, Nice, Luciana e Dudu - Foto: reprodução site Robertocarlos.com

    Deste casamento nasceu Roberto Carlos II , o Dudu, em 1969, e Luciana, em 1971. Roberto e Nice se separaram e o artista se casou com a atriz Myriam Rios, com quem ficou casado por cerca de 10 anos. Já separado de Myrian Rios, soube que sua ex-mulher Nice estava com câncer e Roberto passou a cuidar dela, que morreu ao seu lado, em 1990.

     

    Roberto Carlos e os filhos
    Roberto Carlos e os filhos -  Foto: reprodução site Robertocarlos.com

    Em 1991, Roberto Carlos reencontra Maria Rita Simões que ele conheceu quando ela tinha apenas 16 anos e ele era 20 anos mais velho. Então, no início dos anos 90, Roberto Carlos começou o que ele mesmo qualifica como “a década mais feliz da minha vida''. Em 1996 o artista se casa com Maria Rita. Apenas dois anos depois, em 1998, Maria Rita descobre um câncer. 

     

     

    A doença se avolumou e Roberto começou a viver mais uma tragédia. Em 1999 morre Maria Rita. Roberto entra numa fase extremamente difícil de sua vida, em que, por muitas vezes, o que ele conseguia declarar, é que tinha perdido o grande amor que ele teve. 

     

    Maria Rita e Roberto Carlos - Foto: reprodução site Robertocarlos.com

    Roberto suspendeu os shows e quando resolveu voltar ao palco veio com um espetáculo intitulado “Amor sem Limites“, que era uma grande homenagem ao seu grande amor Maria Rita. No palco foram exibidas imagens de Maria Rita. Em 2010, três dias antes de seu aniversário, outra grande perda para Roberto Carlos. Morria aquela que inspirou um dos seus grandes sucessos, sua mãe, Lady Laura. 

     

    Ana Paula e o marido - Foto: reprodução site Robertocarlos.com

    Um ano depois, dois dias antes de seu aniversário, morre sua filha Ana, de ataque cardíaco; além, de filha, Ana era sua assistente de palco e casada com seu guitarrista Paulo Coelho Soares. 

     

    Roberto Carlos - Foto: reprodução site Robertocarlos.com


    Mas o artista sempre ressurge ancorado e apoiado por sua própria arte. A arte de cantar e encantar, o que Roberto faz muito bem.

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