Datafolha: 46% dos apostadores dizem usar bets e cassinos on-line para fazer renda extra

Levantamento aponta que 10% dos entrevistados têm o costume de apostar; prática é mais comum entre homens e jovens de baixa renda, e especialistas citam risco de endividamento

19/04/2026 às 12:47 por Redação Plox

Quase metade (46%) dos brasileiros que fazem apostas em bets e cassinos on-line afirma recorrer à prática para obter renda extra e ajudar a pagar as contas, segundo levantamento do Datafolha.

A pesquisa ouviu 2.002 pessoas de 16 anos ou mais em 117 municípios nos dias 8 e 9. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, dentro de um nível de confiança de 95%.

O levantamento entrevistou 2.002 pessoas de 16 anos ou mais em 117 municípios nos dias 8 e 9

O levantamento entrevistou 2.002 pessoas de 16 anos ou mais em 117 municípios nos dias 8 e 9

Foto: crédito: Reprodução


Quem aposta e com que frequência

Entre os respondentes, 10% disseram ter o costume de apostar em bets ou cassinos on-line. Desse total, 2% afirmaram apostar com alta frequência, 4% disseram apostar às vezes e 4% raramente.

Do total de entrevistados, 5% declararam que já apostaram para conseguir uma renda extra que ajudasse a pagar as contas. Outros 1% afirmaram que já utilizaram dinheiro destinado ao pagamento das contas do mês para apostar.

Os apostadores declarados aparecem com maior frequência entre os homens (14%) do que entre as mulheres (7%). O levantamento também aponta maior presença entre jovens com ensino médio completo que ganham até dois salários mínimos (R$ 3.242).

Endividamento e fatores que pesam além das bets

Para Lauro Gonzalez, coordenador do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira da FGV (Fundação Getulio Vargas) e professor da FGV EAESP, as apostas contribuem para o endividamento no Brasil, embora outros elementos também tenham peso relevante, como educação financeira, oferta de crédito e cenário macroeconômico.

As bets têm a sua parcela de culpa, inequivocamente, mas não são só elas. E também não é verdade que tudo seja um problema de educação financeira, embora ela seja muito importante. É a combinação de diversos fatores, que incluem renda, inflação e crescimento da economia

Lauro Gonzalez

Segundo o texto, no Brasil a literatura econômica e independente sobre o tema ainda é escassa.

Estudo nos EUA aponta queda direta em poupança e investimentos

Um estudo conduzido pelo National Bureau of Economic Research (NBER), dos Estados Unidos, descreve a erosão sistemática na estabilidade financeira das famílias provocada pelas apostas on-line.

Nos EUA, cada transação eletrônica carrega um código de quatro dígitos. Ao isolar as chaves 7801 (Internet Gambling) e 7995 (Apostas e Loterias), pesquisadores associados ao NBER identificaram com precisão o capital destinado a 11 grandes plataformas, como FanDuel e DraftKings, citadas no texto como dominantes em 70% do mercado.

O levantamento destaca um efeito de substituição direta: os dados indicam que cada US$ 1 gasto em apostas resulta em uma redução de US$ 1 na poupança e em investimentos em outros ativos financeiros.

Consumo das famílias e peso estimado no Brasil

No Brasil, um estudo encomendado pelo Instituto Brasileiro do Jogo Responsável — entidade que reúne alguns dos maiores sites de apostas atuantes no país — afirma que o jogo de azar tem peso limitado sobre o consumo das famílias.

De acordo com o levantamento feito pela consultoria econômica LCA, os gastos com bets representam 0,46% do consumo, patamar citado como similar ao das bebidas alcoólicas, que representam 0,5%.

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