Irmão de Alexandre de Moraes vira alvo de debate sobre permanência em cartório de Santos
Leonardo de Moraes nega irregularidades e diz que ocupa o 1º Cartório de Notas após aprovação em concurso; texto cita julgamento da ADPF 209 e críticas sobre possível preservação do status quo
19/04/2026 às 22:23por Redação Plox
19/04/2026 às 22:23
— por Redação Plox
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Longe de ser o integrante mais conhecido da família, o tabelião Leonardo de Moraes, irmão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tem uma trajetória descrita como multifacetada. Além de atuar no tabelionato, ele é apresentado como professor, escritor, artista plástico e roteirista, e mantém presença em debates públicos, com defesa do irmão no campo político.
Leonardo e Alexandre de Moraes Fotos: Reprodução/YouTube TV Fórum // Luiz Silveira/STF
– Não tenho a menor dúvida de que meu irmão ajudou a salvar a democracia brasileira – disse ele. Leonardo de Moraes
Atuação profissional e proximidade institucional
A proximidade entre os dois, segundo o relato, não se restringe ao vínculo familiar. Ao longo dos anos, Leonardo ocupou espaços institucionais semelhantes e chegou a integrar o mesmo escritório de advocacia do irmão. Em 2017, ano em que Alexandre assumiu uma cadeira no STF, Leonardo tomou posse como titular do 1° Cartório de Notas de Santos, após aprovação em concurso.
O texto também aponta que Leonardo teve passagens pelo governo de São Paulo no início dos anos 2000, período em que Alexandre de Moraes ocupava cargos de destaque na administração estadual. Mais tarde, entre 2009 e 2014, os dois voltaram a se encontrar como sócios em um escritório voltado ao Direito Público, antes de Leonardo migrar para a atividade notarial.
Críticas à direita e romance publicado em 2023
Nos últimos anos, Leonardo tem se colocado como alguém engajado no debate político, especialmente no enfrentamento ao que define como “ciclo de retorno do pensamento de ultradireita”, expressão que usa para se referir à direita brasileira. Esse posicionamento aparece, segundo a matéria, no romance Tia Beth, lançado em 2023, no qual ele traça paralelos entre o regime militar e o cenário político contemporâneo.
Em entrevistas, normalmente relacionadas ao livro, Leonardo também relata episódios pessoais e familiares. Um deles envolve o apelido “Xandão”, que, conforme ele afirma, teria surgido dentro de casa para se referir ao filho do ministro, e não ao próprio Alexandre, como acabou se popularizando.
Produção cultural e presença digital
Além do trabalho no cartório, Leonardo mantém produção em áreas culturais e digitais. Ele publica livros, participa de projetos audiovisuais e utiliza redes sociais tanto para divulgar trabalhos artísticos quanto para explicar temas do universo do tabelionato ao público.
Denúncia, ADPF 209 e questionamentos sobre o cartório
Mais recentemente, o nome de Leonardo passou a aparecer em discussões jurídicas sobre sua permanência no cartório. Embora tenha ingressado por concurso, uma denúncia apresentada por Edmundo Berçot Júnior, ex-presidente do MDB de Praia Grande (SP), afirma que ele integraria uma lista de “delegatários irregulares” que deveriam ter sido afastados.
A controvérsia ganhou força no julgamento da ADPF 209, ação que tratava das regras aplicáveis à titularidade de cartórios em São Paulo. Na ocasião, Alexandre de Moraes foi o único ministro a divergir do relator e dos demais integrantes da Corte, ao votar pela chamada “perda de objeto”, entendimento que, na prática, encerraria o caso sem análise de mérito e preservaria a situação existente.
Para críticos, essa posição teria o efeito de evitar mudanças que poderiam atingir o cartório comandado por seu irmão, funcionando como uma espécie de proteção indireta. Leonardo, por sua vez, rejeita qualquer irregularidade e sustenta que sua permanência no cargo decorre exclusivamente de aprovação em concurso.
Menção a contrato e Código de Ética
A exposição da família também aparece em outra frente citada no texto. No âmbito de um contrato firmado pela advogada Viviane Barci com o Banco Master, a esposa de Leonardo, Ana Claudia Consani de Moraes, elaborou um Código de Ética para a instituição. De acordo com a matéria, o documento apresentou problemas na elaboração, como trechos incompletos e partes de modelos prontos sem a devida adequação.