"Alimentos ultraprocessados são responsáveis por 57 mil mortes anuais no Brasil, aponta estudo"

Esses produtos tendem a ser nutricionalmente pobres e ricos em calorias, açúcar, gorduras, sal e aditivos químicos.

Por Plox

19/06/2023 21h23 - Atualizado há 10 meses

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A ingestão excessiva de alimentos ultraprocessados está gerando consequências graves para a saúde pública brasileira. Segundo uma pesquisa recente do Núcleo de Pesquisas Epidemiológicas em Nutrição e Saúde (Nupens/USP), esses produtos alimentícios são responsáveis por aproximadamente 57 mil mortes prematuras anualmente no Brasil.

O estudo, publicado na revista científica American Journal of Preventive Medicine, evidencia o perigo desses alimentos, que são muito mais do que os tradicionais salgadinhos. Conforme descrito na pesquisa, entre 13% e 21% das calorias consumidas diariamente por adultos brasileiros entre 30 e 69 anos provêm desses produtos.

 

Além disso, o consumo desses alimentos está associado a inúmeros problemas de saúde, incluindo obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes, vários tipos de câncer, depressão e perda cognitiva.

A metodologia do estudo foi baseada em dados de consumo alimentar, demografia e mortalidade nacionais. No ano de 2019, por exemplo, cerca de 57 mil das 541.160 mortes de pessoas com idades entre 30 e 69 anos foram associadas ao consumo de alimentos ultraprocessados, o que corresponde a 10,5% do total de mortes prematuras nessa faixa etária.

Os pesquisadores afirmam que uma redução de apenas 10% na ingestão de calorias provenientes desses alimentos poderia salvar a vida de 5.900 pessoas. Se essa diminuição chegasse a 50%, o número de mortes evitadas seria de 29.300.

Além dos riscos para a saúde física, estudos já comprovaram que os alimentos ultraprocessados "viciam" nosso cérebro e paladar. Principalmente devido à presença de gorduras saturadas, açúcar e sal, esses alimentos tendem a ser mais atraentes para o nosso paladar.

Como descreve o pesquisador Javier Perona, do Instituto de Gorduras do Conselho Superior de Investigações Científicas (CSIC) da Espanha, a evolução humana tornou nosso cérebro predisposto a apreciar esses componentes da comida que não eram facilmente obtidos por nossos ancestrais. Hoje, encontramos esses nutrientes em todos os lugares, e isso nos torna propensos a nos viciarmos neles.

O Ministério da Saúde do Brasil lista vários exemplos de alimentos ultraprocessados que devem ser evitados, incluindo biscoitos, sorvetes, bolos, cereais matinais, salgadinhos de pacote, refrescos e refrigerantes, iogurtes adoçados, bebidas energéticas, produtos congelados e prontos para consumo, pães de forma, entre outros. Esses produtos tendem a ser nutricionalmente pobres e ricos em calorias, açúcar, gorduras, sal e aditivos químicos.

Os pesquisadores enfatizam a importância de reduzir a ingestão de alimentos ultraprocessados para promover a saúde da população e reduzir a mortalidade prematura.

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