Flávio Bolsonaro lota ruas de Capelinha (MG) em mobilização para o segundo turno
Candidato participou do “Bloquinho do 22”, discursou a apoiadores e caminhou pela Praça do Povo no Vale do Jequitinhonha.
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) decidiu reagir com cautela à operação da Polícia Federal que teve como alvo o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA). A estratégia é explorar politicamente o episódio de forma pontual, sem transformar as investigações sobre o Banco Master no principal eixo da pré-candidatura à Presidência da República.
Na avaliação da campanha de Flávio, não há como apostar a eleição deste ano no caso Master diante da volatilidade dos escândalos
Foto: crédito: Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
Segundo a Folha de S.Paulo, aliados avaliam que a sucessão de revelações envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro torna arriscado apostar toda a disputa eleitoral no escândalo. O grupo pretende manter o foco na apresentação de propostas, embora considere que a operação contra um político próximo ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva ajude a reduzir a pressão sobre Flávio.
Publicamente, o senador adotou um tom mais duro. Nas redes sociais, associou a operação ao governo Lula e, durante o lançamento de seu programa para a segurança pública, em São Paulo, afirmou que o episódio representava um sinal de combate à impunidade.
A cautela ocorre porque o próprio pré-candidato foi atingido pelo caso Master em maio. Flávio admitiu ter mantido contato com Vorcaro para buscar cerca de R$ 134 milhões em financiamento privado para o filme “Dark Horse”, produção sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro. O senador negou ter cometido irregularidades e afirmou que a negociação tratava de patrocínio privado.
Diante desse histórico, integrantes da campanha consideram que a operação contra Wagner pode ser usada para contestar a tentativa de concentrar o desgaste do caso Master apenas no campo bolsonarista. Ao mesmo tempo, reconhecem que Lula não foi apontado como participante dos fatos investigados.
A nona fase da Operação Compliance Zero cumpriu 18 mandados de busca e apreensão na Bahia, em São Paulo e no Distrito Federal. A investigação apura indícios de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro envolvendo pessoas ligadas ao sistema financeiro.
A Polícia Federal aponta suspeitas de que Jaques Wagner tenha sido beneficiado com vantagens econômicas, entre elas a negociação de um apartamento avaliado em aproximadamente R$ 2,45 milhões e repasses a uma empresa administrada por familiares. O senador nega irregularidades, afirma que o imóvel nunca integrou seu patrimônio e sustenta que não atuou em favor do Banco Master. Wagner não foi denunciado nem se tornou réu, e as investigações permanecem em andamento.