Filho de Renato Russo cobra Zema por uso não autorizado de música

Evento de lançamento da pré-candidatura de Romeu Zema à Presidência usou a canção 'Que País É Esse?' sem permissão, e herdeiro de Renato Russo promete notificação

19/08/2025 às 10:07 por Redação Plox

Durante o evento de lançamento da pré-candidatura do governador Romeu Zema à Presidência da República, ocorrido no último sábado (16/8), em São Paulo, uma polêmica envolvendo direitos autorais ganhou repercussão. A cerimônia, marcada pelo uso predominante das cores verde e amarela em bandeiras agitadas por apoiadores, foi embalada por um dos maiores sucessos da banda Legião Urbana: a música 'Que País É Esse?'. No entanto, o uso da canção não foi autorizado pelos responsáveis pela marca.


Imagem Foto: Agência Brasil

Giuliano Manfredini, filho de Renato Russo e representante legal do legado da banda, afirmou que vai notificar extrajudicialmente o governador por utilizar indevidamente a obra durante o evento político. Ele também pediu que o Partido Novo se abstenha de fazer uso da música em qualquer publicação futura, independente da plataforma.


Vídeos do evento, publicados nas redes sociais do próprio Zema, mostravam o político mineiro entrando no salão enquanto soavam os versos emblemáticos de Renato Russo:
"Nas favelas, no Senado / Sujeira pra todo lado / Ninguém respeita a Constituição / Mas todos acreditam no futuro da nação\

. A escolha da canção para marcar o início da cerimônia foi duramente criticada por fãs e defensores dos direitos autorais da banda.

A música “Que País É Esse?”, lançada em 1987, integra o terceiro álbum da Legião Urbana e já ultrapassou a marca de um milhão de cópias vendidas. Seu uso sem autorização em um ato político levanta debates sobre a proteção da propriedade intelectual e o respeito ao legado artístico.


Durante o evento na Câmara Americana de Comércio (Amcham), Zema foi anunciado como pré-candidato à Presidência pelo Partido Novo. O encontro também foi marcado por um reposicionamento visual: a cor laranja, símbolo tradicional do partido, foi substituída pelo verde e amarelo, em clara referência ao grupo político alinhado ao ex-presidente Jair Bolsonaro.


No discurso, Zema fez duras críticas ao Partido dos Trabalhadores (PT), ao presidente Lula e ao ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Ele afirmou que pretende ser eleito para “varrer o PT do mapa” e pôr fim ao que chamou de “abusos e perseguições” cometidos por Moraes.


A movimentação de Zema foi interpretada como uma tentativa de ocupar espaço entre os nomes da direita nacional. Contudo, membros da família Bolsonaro enxergaram o ato como oportunista, já que defendem que o foco esteja em garantir condições para que o ex-presidente Jair Bolsonaro possa disputar as eleições. Bolsonaro está atualmente inelegível por oito anos após condenação por uso indevido de estruturas públicas para fins eleitorais em 2022.


A repercussão sobre o uso da canção e as críticas sobre a postura política de Zema continuam movimentando os bastidores da pré-campanha e o debate público sobre o uso de obras artísticas em contextos partidários.


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