Mensagens indicam que Chiquinho Feitosa aconselhou Vorcaro a procurar Gilmar Mendes

Diálogos extraídos pela Polícia Federal apontam contrato de consultoria entre Feitosa e empresa ligada ao ex-dono do Banco Master; ministro diz desconhecer negociações.

19/09/2026 às 07:59 por Redação Plox


Mensagens extraídas pela Polícia Federal (PF) do celular de Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, revelam que o empresário e ex-senador Chiquinho Feitosa, então cunhado do ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), aconselhou o banqueiro a estabelecer uma relação direta com o magistrado. As conversas, divulgadas pela imprensa nesta sexta-feira (18), também apontam a existência de um contrato de consultoria de R$ 500 mil mensais entre Feitosa e uma empresa ligada a Vorcaro.

Chiquinho Feitosa

Chiquinho Feitosa

Foto: Agência Senado/Edilson Rodrigues


Em uma mensagem enviada em 19 de abril de 2024, Chiquinho afirmou que a aproximação com Gilmar seria importante para o futuro de Vorcaro. O diálogo veio à tona em meio às investigações sobre o Banco Master e aos questionamentos sobre as relações do ex-banqueiro com integrantes do Judiciário. O empresário nega ter atuado como intermediário entre Vorcaro e o ministro, enquanto Gilmar afirma que desconhecia as tratativas entre os dois.

Mensagens revelam orientação para aproximação com Gilmar Mendes

As conversas foram divulgadas pelo jornal O Globo e mostram que Chiquinho Feitosa incentivou Vorcaro a manter contato direto com o ministro do STF. Na ocasião, o empresário era casado com a advogada Guiomar Feitosa, irmã de Chiquinho. O casal anunciou o divórcio em novembro de 2025.

A mensagem foi enviada oito dias depois de uma reunião entre Vorcaro e Gilmar Mendes, realizada em 11 de abril de 2024, no gabinete do ministro, em Brasília. O encontro contou com a presença de advogados do Banco Master e teve como assunto um processo relacionado a precatórios do setor sucroalcooleiro, cujo resultado interessava ao banqueiro.

Contrato de consultoria previa pagamento mensal de R$ 500 mil

Além das mensagens sobre o relacionamento com Gilmar Mendes, diálogos obtidos pela PF indicam que Chiquinho Feitosa foi contratado para prestar serviços de consultoria à Super Empreendimentos, empresa ligada a Vorcaro. A Folha de S.Paulo revelou que as negociações previam pagamentos de R$ 500 mil por mês, além de uma parcela adicional de R$ 800 mil no primeiro pagamento.

Chiquinho confirmou que manteve um contrato com a empresa, mas afirmou que a prestação de serviços ocorreu por um curto período. Ele não esclareceu os valores efetivamente recebidos nem detalhou todas as atividades realizadas. O empresário também negou que sua contratação tivesse como finalidade promover a aproximação entre Vorcaro e Gilmar Mendes.

Gilmar nega conhecimento das tratativas e destaca voto contrário ao Master

Em manifestação divulgada após as reportagens, Gilmar Mendes afirmou que não tinha conhecimento das negociações entre seu ex-cunhado e Daniel Vorcaro e que não foi procurado por Chiquinho para tratar de assuntos relacionados ao Banco Master.

O ministro confirmou a reunião de 11 de abril de 2024, mas ressaltou que o encontro ocorreu em ambiente institucional, no próprio STF, com a presença de advogados do banco. Também destacou que, no julgamento do processo envolvendo a Destilaria Alcídia, realizado em junho de 2025, votou contra a tese que interessava a Vorcaro. O entendimento de Gilmar ficou vencido na Segunda Turma.


Chiquinho Feitosa, por sua vez, declarou que sua sugestão para que Vorcaro se aproximasse do magistrado foi feita sem qualquer outra intenção. Ele também confirmou ter marcado, a pedido do banqueiro, uma reunião com sua irmã, Guiomar Feitosa, mas negou ter servido de ponte entre Vorcaro e Gilmar Mendes.


As mensagens integram o conjunto de informações extraídas do celular de Vorcaro durante as investigações sobre o Banco Master. Embora revelem contatos e relações comerciais envolvendo pessoas próximas ao ministro, os diálogos divulgados não demonstram, por si só, que Gilmar Mendes tenha recebido pagamentos ou adotado decisões judiciais em troca de benefícios financeiros.

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