Recuperação acelerada em Brumadinho: transformação de tragédia em floresta

Brumadinho ganha nova vida com técnicas pioneiras de reflorestamento e biodiversidade após desastre ambiental

Por Plox

19/12/2023 07h33 - Atualizado há 5 meses

Brumadinho, a cidade brasileira marcada por um desastre ambiental devastador, está presenciando uma transformação notável graças ao esforço de recuperação ambiental. Localizada na região metropolitana de Belo Horizonte, a área foi palco de uma tragédia em janeiro de 2019 com o rompimento da barragem do Córrego do Feijão, resultando na morte de 272 pessoas. Agora, quase cinco anos depois, uma força-tarefa liderada por pesquisadores da Sociedade de Investigações Florestais (SIF) da Universidade Federal de Viçosa (UFV) está revertendo esse cenário de destruição.

 

Foto: Vale/Divulgação

Inovação e esperança no reflorestamento

Em um período recorde de seis a onze meses, técnicas de reflorestamento desenvolvidas pelos pesquisadores têm sido bem-sucedidas na restauração da biodiversidade na área afetada. O projeto, estimado em R$ 6,55 bilhões, inclui a recuperação de 300 hectares e ações de compensação ambiental no entorno. A expectativa é que, em 10 anos, toda a área se transforme em uma vasta floresta, um processo que normalmente levaria de 20 a 30 anos se ocorresse naturalmente. Sebastião Venâncio Martins, coordenador do Laboratório de Restauração Florestal da UFV, explica: “Em Brumadinho, é muito favorável. Apesar do impacto, o território fica próximo a remanescentes florestais que estão jogando sementes ali, e estamos atuando com diversas técnicas. Em 10 anos, essa nossa floresta já vai poder crescer e se desenvolver sozinha.”

Desafios e conquistas no caminho da recuperação

A recuperação é complexa em áreas diretamente atingidas pelo rejeito. Martins relata que a restauração só pode começar após a liberação dos bombeiros, devido à busca por três corpos de vítimas ainda não encontrados. Até o momento, 3,3 hectares foram liberados para reflorestamento. As técnicas empregadas incluem o plantio de 90 mil mudas e inovações como o resgate de DNA de árvores em risco pela lama.

Diversidade biológica como chave para o sucesso

Guilherme Bravin, pesquisador em genética quantitativa da UFV, destaca a importância da diversidade genética no processo: “Ela é super importante para manutenção da natureza a longo prazo, do fortalecimento das populações de diferentes espécies.” A estratégia inclui o uso de corredores ecológicos e técnicas de aceleração dos frutos e flores para promover a biodiversidade.

Futuro sustentável e monitoramento contínuo

A Vale, responsável pela barragem, também está comprometida com a recuperação ambiental. A empresa informou que a Estação de Tratamento de Água Fluvial (ETAF) já devolveu 52 bilhões de água limpa ao rio Paraopeba, e que monitora a qualidade da água em aproximadamente 80 pontos, apresentando resultados semelhantes aos registrados antes do rompimento.

Esta iniciativa de recuperação em Brumadinho simboliza um passo significativo na transformação de um local marcado pela tragédia em um exemplo de resiliência e inovação ambiental.

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