Exportações de café caem 20,8% em 2025, mas receita do Brasil bate recorde

Brasil exporta 40,049 milhões de sacas de café para 121 países em 2025; EUA perdem liderança após tarifaço, Alemanha assume topo e Japão, Turquia e China ampliam compras

20/01/2026 às 06:54 por Redação Plox

Entre os dez maiores importadores de café do Brasil, apenas três ampliaram as compras do produto nos últimos 12 meses, na comparação com 2024, de acordo com o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé).


Brasil é o maior produtor de café do mundo

Brasil é o maior produtor de café do mundo

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Japão, Turquia e China, por razões distintas, fugiram da tendência geral e aumentaram as aquisições de café brasileiro em um ano marcado por problemas climáticos que afetaram a produção e pelo tarifaço dos Estados Unidos sobre o produto nacional.

Entre janeiro e dezembro de 2025, o Brasil exportou 40,049 milhões de sacas de 60 kg de café, somando todos os tipos, para 121 países. O volume representa queda de 20,8% em relação a 2024, apesar da receita recorde, sustentada pela alta dos preços no mercado internacional.

No mercado norte-americano, as exportações brasileiras recuaram 33,9% em 2025 após a imposição de tarifas mais altas, que seguem em vigor para o café solúvel. Com isso, os Estados Unidos deixaram de ser o principal destino do café brasileiro.

A liderança passou para a Alemanha, que também reduziu as compras. As exportações para o país europeu caíram 28,7%, reforçando o movimento de retração entre os grandes clientes do Brasil.

Japão recompõe estoques e aumenta compras

O Japão teve trajetória oposta. O país foi o quarto maior comprador de café brasileiro em 2025, com importações superiores a 2,6 milhões de sacas, um aumento de 19,4% em relação a 2024.

Segundo o Cecafé, o avanço está relacionado à recomposição de estoques pelos importadores japoneses, após um período de menor demanda pelo produto brasileiro.

O Japão passou por um período em que comprou menos café do Brasil, porque estava com bastante estoque. Na medida que eles foram baixando, eles voltaram a comprar Márcio Ferreira, presidente do Cecafé

Turquia amplia compras e redistribui para a região

A Turquia, sexta maior importadora de café brasileiro, também ficou fora da curva. O país elevou as compras em 3,26% em 2025, em movimento associado tanto ao consumo interno quanto à reexportação.

De acordo com o Cecafé, a Turquia adquiriu mais café para abastecer seu mercado e para redistribuir o produto a outros países da região, muitos deles em situação de instabilidade.

A Turquia é apontada como um importante polo de redistribuição de café para países em dificuldade ou em guerra, o que ajuda a explicar o aumento das compras junto ao Brasil.

China avança no consumo e sobe no ranking

Conhecida como o país do chá, a China desponta como um mercado em rápida expansão para o café. Segundo o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), o país já é o sexto maior consumidor mundial, atrás apenas da União Europeia, EUA, Brasil, Filipinas e Japão.

Em 2025, a China importou 19,49% mais café brasileiro do que no ano anterior, totalizando 1,1 milhão de sacas de 60 kg. Com esse desempenho, passou a ocupar a décima posição no ranking de importadores do produto.

Na avaliação do Cecafé, a China se diferencia de outros mercados por priorizar o café arábica brasileiro, em vez de buscar apenas preços mais competitivos ao redor do mundo.

O consumo chinês vem sendo puxado principalmente pelos mais jovens, o que reforça as expectativas de crescimento no médio prazo. Para o setor, o que se observa hoje ainda é considerado muito aquém do potencial que pode se desenvolver nos próximos cinco a dez anos, consolidando a China como um dos principais focos de expansão para o café brasileiro.

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