Café brasileiro bate recorde de receita em 2025 mesmo com queda nas exportações

Setor cafeeiro fecha 2025 com US$ 15,586 bilhões em receita cambial, alta de 24,1%, impulsionado por cafés diferenciados, apesar de problemas portuários e tarifas dos EUA

20/01/2026 às 09:02 por Redação Plox

O setor cafeeiro brasileiro encerrou 2025 com desempenho financeiro recorde, mesmo com queda expressiva no volume embarcado. De acordo com relatório do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), a receita cambial alcançou US$ 15,586 bilhões, alta de 24,1% em relação a 2024.

Ao longo do ano, o Brasil exportou 40,049 milhões de sacas de 60 kg, uma redução de 20,8% frente ao ano anterior. Segundo o Cecafé, o recuo já era esperado por conta da menor disponibilidade de estoques após o recorde de 2024 e pelos impactos climáticos na safra passada.

Brasil exportou 40,049 milhões de sacas de 60 kg

Brasil exportou 40,049 milhões de sacas de 60 kg

Foto: Gustavo Facanalli / Embrapa


Tarifas dos EUA mudam ranking de maiores compradores

Um dos fatos mais relevantes de 2025 foi a mudança na liderança do ranking de destinos do café brasileiro. Pela primeira vez em anos, os Estados Unidos perderam o primeiro lugar para a Alemanha, depois da imposição de tarifas de 50% sobre o produto nacional entre agosto e novembro.

Durante o período do chamado “tarifaço”, os embarques para o mercado norte-americano caíram 55%. Além disso, a taxação sobre o café solúvel segue em vigor, acentuando a retração desse segmento.

Com isso, a Alemanha assumiu o topo da lista, com 5,4 milhões de sacas, o equivalente a 13,5% do total exportado. Os EUA ficaram logo atrás, com 5,3 milhões de sacas, seguidos pela Itália, com 3,1 milhões.

Japão e China ampliam compras de café brasileiro

Na direção oposta à dos Estados Unidos, países asiáticos ampliaram de forma consistente as importações. Japão e China registraram crescimento de 19,4% e 19,5%, respectivamente, consolidando-se como mercados em expansão para o café do Brasil.

Problemas logísticos elevam custos no embarque

Além das questões tarifárias, a infraestrutura portuária brasileira também pesou contra o setor em 2025. A falta de estrutura para contêineres e os frequentes atrasos de navios, que atingiram 55% das escalas, geraram prejuízos superiores a R$ 61 milhões aos exportadores até novembro.

O Cecafé estima que cerca de 613 mil sacas por mês deixaram de ser embarcadas dentro do prazo, em razão desses gargalos logísticos.

Café diferenciado puxa alta da receita

O bom resultado financeiro foi garantido principalmente pelos investimentos em qualidade e tecnologia na produção. Os chamados Cafés Diferenciados — que incluem produtos sustentáveis ou especiais — responderam por 20,3% do volume total enviado ao exterior.

Esse segmento gerou US$ 3,5 bilhões em 2025, o que representa crescimento de 39,1% em valor na comparação com o ano anterior. O desempenho reforça a estratégia de apostar em cafés de maior valor agregado, capazes de conquistar prêmios mais altos no mercado internacional.

Segundo o Cecafé, o Brasil se mantém como uma das principais origens de café do mundo, com participação superior a um terço no market share global e capacidade de atendimento a mais de 120 países.

Principais números das exportações em 2025

Em 2025, o volume total exportado somou 40,049 milhões de sacas de 60 kg, queda de 20,8% em relação a 2024. Ainda assim, a receita cambial cresceu 24,1%, chegando a US$ 15,586 bilhões, impulsionada por preços mais altos e pela boa aceitação dos cafés diferenciados, cujo preço médio foi de US$ 432,78 por saca.

O Porto de Santos (SP) manteve-se como principal rota de escoamento do café brasileiro, concentrando 78,7% das exportações.

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