Médica alerta para riscos do uso indiscriminado das ‘canetas emagrecedoras’
Especialista da Fundação São Francisco Xavier reforça que medicamentos para obesidade não devem ser usados com finalidade estética e alerta para graves efeitos colaterais e perigos da compra em canais não oficiais
20/01/2026 às 17:13por Redação Plox
20/01/2026 às 17:13
— por Redação Plox
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As chamadas “canetas emagrecedoras” ganharam espaço nas redes sociais, nas conversas do dia a dia e em grupos de mensagens, sempre associadas à promessa de perda de peso rápida e com pouco esforço. Por trás desse discurso sedutor, porém, há um alerta que precisa ser feito com responsabilidade: esses medicamentos não são inofensivos, nem indicados para qualquer pessoa. O uso indiscriminado pode trazer riscos sérios à saúde.
Foto: Divulgação
Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que a obesidade mais do que triplicou no mundo desde 1975. No Brasil, cerca de 22% da população adulta já é considerada obesa, segundo o Ministério da Saúde, e mais da metade está acima do peso. A obesidade está diretamente relacionada ao aumento de doenças crônicas, como diabetes tipo 2, hipertensão, problemas cardiovasculares e alguns tipos de câncer. É nesse cenário que entram as canetas: elas são ferramentas terapêuticas, não produtos de apelo estético.
Foto: Divulgação
Uso médico, não estético
A médica nutróloga da Fundação São Francisco Xavier (FSFX), Dra. Thays Gomes, reforça que é fundamental compreender a real finalidade desses medicamentos.
Essas canetas são medicamentos e, como todo medicamento, exigem prescrição médica. Elas são indicadas principalmente para pacientes com obesidade, com IMC acima de 30, ou para pessoas com sobrepeso associado a doenças como diabetes ou hipertensão. O objetivo não é estético, é tratar uma doença crônica e inflamatória.Dra. Thays Gomes
Segundo a especialista, o problema começa quando o uso se banaliza. Movidas pela rapidez dos resultados, muitas pessoas passam a utilizar as canetas sem qualquer avaliação profissional, baseando-se apenas em relatos de terceiros ou influenciadores digitais. A nutróloga observa que as redes sociais criaram um efeito de “milagre” perigoso, transformando o medicamento em solução fácil para perder poucos quilos e distorcendo completamente sua função original.
Riscos do uso indiscriminado e falta de acompanhamento
Outro ponto considerado crítico pela médica é a ausência de acompanhamento profissional. A caneta reduz o apetite, mas não ensina o paciente a se alimentar corretamente. O seguimento médico permite ajustar doses, monitorar exames e garantir que o paciente receba os nutrientes necessários, evitando desnutrição, perda excessiva de massa muscular e deficiências vitamínicas. Emagrecer não pode significar enfraquecer o corpo.
A nutróloga da FSFX alerta ainda que os riscos do uso indiscriminado são altos e muitas vezes ignorados. Pessoas com histórico familiar de câncer de tireoide ou síndromes endócrinas, por exemplo, não devem utilizar esse tipo de medicação. Entre os efeitos colaterais mais comuns estão náuseas, vômitos e alterações do hábito intestinal, como constipação ou diarreia. Já os quadros mais graves podem incluir pancreatite aguda, formação de cálculos biliares devido ao emagrecimento rápido, paralisia do estômago e, em situações extremas, obstrução intestinal.
A médica também chama atenção para riscos indiretos, como a desidratação. Quando a pessoa deixa de se alimentar adequadamente porque não sente fome, pode evoluir para desnutrição, insuficiência renal, perda intensa de massa muscular e um corpo magro, porém fraco e doente.
Tipos de canetas e indicações
Atualmente, existem diferentes tipos de canetas disponíveis no mercado. A liraglutida é uma opção utilizada há mais tempo, porém com aplicação diária. A semaglutida trouxe mais comodidade por ser de uso semanal e apresentar maior potência. Já a tirzepatida é a mais recente e potente, com ação dupla. A escolha entre essas opções depende da rotina do paciente e da quantidade de peso a ser perdida, sempre com indicação e acompanhamento médico.
Procedência e segurança do medicamento
Além do uso adequado, a procedência do medicamento é outro ponto de alerta considerado grave pelos especialistas. Comprar canetas em sites desconhecidos, grupos de mensagens ou de terceiros representa um risco importante. Esses produtos exigem refrigeração rigorosa e, se o transporte falhar, o remédio pode perder o efeito.
O paciente deve adquirir as canetas apenas em farmácias regulares, exigir nota fiscal, verificar o lacre, o registro na Anvisa e a presença da tarja vermelha. Medicamentos sem procedência não devem ser aceitos em hipótese alguma.
Não existe mágica: mudança de hábito é fundamental
Na avaliação da especialista, em tempos de busca por soluções rápidas, é essencial reforçar que não há atalho quando o assunto é saúde. A medicação pode ser uma excelente ferramenta dentro do tratamento da obesidade, mas representa apenas uma parte dele. Sem mudança de estilo de vida, assim que a caneta for suspensa, o peso tende a voltar.
O ideal é que o medicamento funcione como uma ponte para a adoção de novos hábitos, e não como uma muleta permanente. A conscientização é o primeiro passo para combater o uso irresponsável das canetas emagrecedoras. Emagrecer com saúde exige acompanhamento, informação e respeito ao próprio corpo. Antes de qualquer medicação, a orientação é clara: procure seu médico e não utilize remédios por conta própria.
Fundação São Francisco Xavier
A Fundação São Francisco Xavier é uma entidade filantrópica que atua desde 1969 e conta com cerca de 6.200 colaboradores. Atualmente, administra duas unidades hospitalares, sendo o Hospital Márcio Cunha, em Ipatinga, com cerca de 70% dos atendimentos realizados pelo SUS, e o Hospital Municipal Carlos Chagas, em Itabira (MG), com 100% dos atendimentos via SUS.
As unidades hospitalares têm gestão marcada pela responsabilidade, pela oferta de atendimentos de excelência e pelas melhores práticas de segurança. Além dos hospitais, a Fundação é responsável pela operadora de planos de saúde Usisaúde, que possui mais de 200 mil vidas, pelo Centro de Odontologia Integrada, que mantém alguns dos melhores indicadores de saúde bucal já divulgados no Brasil, e pelo Serviço de Segurança do Trabalho, Saúde Ocupacional e Meio Ambiente – Vita, que soma mais de 160 mil vidas sob sua gestão.
Na área educacional, o Colégio São Francisco Xavier, unidade precursora localizada em Ipatinga, é referência em educação na região, com cerca de 2 mil alunos, da educação infantil à formação técnica.