Dólar abre em alta e Ibovespa deve ter pregão de cautela com tensões EUA-Europa
Moeda americana é negociada a R$ 5,3791 em dia marcado por ameaças de tarifas de Trump à União Europeia, Fórum de Davos, audiência no Fed e projeções do Boletim Focus.
20/01/2026 às 09:06por Redação Plox
20/01/2026 às 09:06
— por Redação Plox
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O dólar começou a sessão desta terça-feira (20) em alta, com valorização de 0,28% por volta das 9h, negociado a R$ 5,3791. Já o Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, só inicia seus negócios às 10h.
O mercado opera em clima de cautela, em meio a um novo aumento das tensões entre Estados Unidos e Europa. Declarações recentes e movimentos políticos reacenderam temores de retaliações comerciais e levantaram dúvidas sobre a estabilidade institucional nas principais economias.
Dólar, moeda norte-americana
Foto: FreePik
Europa reage a ameaças de tarifas de Trump
As tensões comerciais entre EUA e Europa voltaram ao centro do radar depois que líderes europeus classificaram como “inaceitáveis” as ameaças de tarifas feitas por Donald Trump. Países do bloco já discutem possíveis contramedidas.
A França pressiona a União Europeia a recorrer ao seu mecanismo mais duro de retaliação econômica, o Instrumento Anticoerção. A iniciativa ganhou força após Trump ameaçar impor tarifas a oito países europeus que se opõem à tentativa americana de ampliar o controle sobre a Groenlândia.
Davos e disputa em torno da Groenlândia
Investidores também acompanham o início do Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Trump deve discursar na quarta-feira (21) e afirmou que pretende se reunir com “diversas partes” para defender sua visão sobre a importância estratégica da ilha no Ártico.
Nesta terça-feira, está prevista ainda a audiência da diretora do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), Lisa Cook, na Suprema Corte dos EUA, após uma tentativa de demissão por parte de Trump. O processo é visto como um teste relevante para a independência do banco central americano.
Desempenho recente de dólar e Ibovespa
No acumulado da semana, o dólar recua 0,16%. Em relação a agosto, a moeda norte-americana cai 2,27%, mesma variação negativa registrada no ano.
O Ibovespa, por sua vez, acumula alta de 0,03% na semana. Em agosto, o avanço é de 2,31%, repetindo o ganho no acumulado de 2026.
Ameaça de tarifas ligadas à Groenlândia
Trump anunciou no sábado (17) que pretende impor uma tarifa de 10% sobre produtos importados de oito países europeus a partir de 1º de fevereiro de 2026. A medida valeria caso esses países se posicionem contra o plano dos EUA de comprar a Groenlândia, território dinamarquês localizado no Ártico.
Em publicação na rede Truth Social, ele detalhou que Dinamarca, Noruega, Suécia, França, Alemanha, Reino Unido, Países Baixos e Finlândia passariam a pagar uma taxa adicional de 10% sobre todas as mercadorias enviadas ao mercado americano. Segundo o texto, em 1º de junho de 2026, essa tarifa subiria para 25%.
Trump afirmou ainda que essas cobranças continuariam em vigor até que fosse fechado um acordo para a “compra completa e total” da Groenlândia pelos EUA.
Em resposta ao aumento das ameaças, países da União Europeia avaliam diferentes formas de retaliação. Entre as opções em estudo estão tarifas de € 93 bilhões — cerca de R$ 580 bilhões — sobre produtos americanos ou restrições ao acesso de empresas dos EUA ao mercado europeu, segundo o jornal “Financial Times”.
Ao mesmo tempo, governos europeus buscam uma estratégia que evite um rompimento mais profundo na aliança militar ocidental. Autoridades avaliam que um desgaste prolongado nas relações com Washington poderia representar uma ameaça séria à segurança do continente.
De acordo com o “Financial Times”, as tarifas de retaliação da União Europeia já estavam prontas desde o ano passado, mas haviam sido suspensas até 6 de fevereiro. Com o novo anúncio de Trump, o tema voltou à mesa de negociações no domingo.
Também entrou em pauta o uso do chamado Instrumento Anticoerção, mecanismo que permite à União Europeia limitar ou dificultar a atuação de empresas estrangeiras dentro do bloco em resposta a pressões econômicas externas.
Projeções do Boletim Focus
No Brasil, o foco dos agentes econômicos também se volta para o Boletim Focus, divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Banco Central (BC). Os economistas do mercado financeiro reduziram levemente a previsão de inflação para 2026, de 4,05% para 4,02%.
Para os anos seguintes, as projeções foram mantidas: inflação de 3,80% em 2027 e de 3,50% em 2028 e 2029.
Depois de a taxa básica de juros, a Selic, ter encerrado 2025 em 15% ao ano — o maior nível em quase duas décadas, adotado para tentar conter a alta de preços —, o mercado segue apostando em um ciclo de queda ao longo de 2026.
Para o fim de 2026, a expectativa foi mantida em 12,25% ao ano, o que indica uma redução de 2,25 pontos percentuais em relação ao patamar atual. Para 2027, a projeção também não mudou: Selic em 10,50% ao ano.
No campo da atividade, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 continua em alta de 1,80%. O ritmo é inferior aos cerca de 2,25% estimados para 2025, sugerindo uma desaceleração da economia no próximo ano.
Para o câmbio, os economistas mantiveram a projeção de que o dólar termine 2026 em R$ 5,50.
Mercados globais em dia de feriado nos EUA
Com feriado nos Estados Unidos, as bolsas de Nova York permaneceram fechadas nesta segunda-feira.
Na Europa, o humor foi negativo após as novas ameaças de Trump de elevar em 10% as tarifas sobre produtos de oito países europeus que se opõem à ideia de os EUA assumirem o controle da Groenlândia.
O índice pan-europeu STOXX recuou 1,23%. Entre as principais bolsas da região, o FTSE 100, de Londres, caiu 0,39%; o DAX, de Frankfurt, cedeu 1,34%; e o CAC 40, de Paris, registrou a maior queda do dia, com perda de 1,78%.
Desempenho das bolsas na Ásia
Na Ásia, o movimento foi misto, influenciado por dados que mostraram um crescimento econômico mais fraco na China — o menor em três anos — em meio à queda da demanda interna.
Os mercados também reagiram às ações recentes do banco central chinês, que reduziu taxas específicas e sinalizou possíveis cortes adicionais para estimular a atividade.
O índice de Xangai subiu 0,29%, a 4.114 pontos, enquanto o CSI300 avançou 0,05%, a 4.734 pontos. Já o Hang Seng recuou 1,05%, para 26.563 pontos.
No Japão, o Nikkei teve baixa de 0,6%, fechando a 53.583 pontos. O Kospi, da Coreia do Sul, avançou 1,32%, para 4.904 pontos; o Taiex, de Taiwan, ganhou 0,73%, a 31.639 pontos; e o Straits Times, de Cingapura, caiu 0,51%, para 4.824 pontos.