Pix terá novas regras de segurança a partir de fevereiro; entenda as mudanças no alerta de golpes

Após caso de aposentada que perdeu R$ 260 em serviço de caçamba inexistente, novas regras do Banco Central passam a permitir bloqueio imediato da conta suspeita e rastreamento do dinheiro para tentar recuperar valores e reduzir danos às vítimas

20/01/2026 às 06:36 por Redação Plox

Todos os dias, brasileiros são vítimas de golpes eletrônicos. As fraudes se multiplicam, e o alvo preferencial dos criminosos tem sido o PIX. A partir de fevereiro, todas as instituições financeiras terão que seguir novas regras definidas pelo Banco Central, com o objetivo de aumentar a segurança nas transferências instantâneas.

Foi nesse cenário que a aposentada Rita Arai se tornou vítima de um golpe. Com o piso da garagem em obras e uma grande quantidade de entulho acumulada, ela precisava resolver o problema com urgência.


Novas regras que aumentam segurança do Pix entram em vigor em fevereiro

Novas regras que aumentam segurança do Pix entram em vigor em fevereiro

Foto: Marcello Casal/ Agência Brasil

Na pressa, Rita encontrou uma empresa que prometia colocar uma caçamba em frente à sua casa e retirar todo o material. O valor combinado foi de R$ 260, pagos por PIX. A promessa era de que a caçamba chegaria até as 18h.

As horas passaram, a caçamba não apareceu e, logo, ficou claro: era golpe. Sem o serviço e sem resposta da suposta empresa, restou à aposentada tentar reaver o dinheiro junto ao banco.

O atendimento, porém, trouxe mais frustração. Segundo relato de Rita, ela foi informada de que o valor provavelmente já tinha sido transferido para outra conta e que não haveria como estornar o pagamento, consolidando o prejuízo.

Sistema atual favorece a velocidade dos golpistas

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) reconhece que o sistema de hoje é mais lento do que a atuação dos criminosos. O dinheiro costuma passar rapidamente por contas de passagem — as chamadas contas laranja —, dificultando o rastreamento.

Ele pegava simplesmente a primeira camada da conta que recebia o recurso. E essa primeira camada normalmente é uma conta laranja, então é uma conta de passagem, o dinheiro batia nessa conta e rapidamente circulava para uma segunda, uma terceira conta. Então você precisava necessariamente que a instituição financeira contatasse essa outra instituição financeira para iniciar essas análises, então eram canais estabelecidos bilateralmente, mas não automatizados. Ivo Mósca, diretor-executivo de Inovação, Produtos e Serviços Bancários da Febraban

Na prática, quando as instituições conseguem se conectar e iniciar a análise, o dinheiro já percorreu vários destinos e, muitas vezes, sumiu. No modelo atual, os bancos recuperam menos de 10% dos valores roubados de clientes via PIX. Esse baixo índice de recuperação é apontado também como um dos fatores que estimulam o aumento desse tipo de crime.

Novas regras prometem reação mais rápida

A nova regulamentação do Banco Central pretende mudar essa dinâmica. A lógica será de atuação automática assim que houver denúncia de golpe.

Funciona assim: a partir do momento em que o cliente informar que foi vítima de fraude, o sistema vai bloquear automaticamente a conta que recebeu o dinheiro. Se o valor já tiver sido transferido para outra conta, o bloqueio seguirá o rastro das movimentações, indo atrás da conta seguinte, e assim sucessivamente.

Um ponto central da mudança é que o alerta de golpe poderá ser feito diretamente no aplicativo do banco, tornando a reação mais rápida e menos burocrática.

Segundo a Febraban, a ideia é não apenas aumentar o índice de recuperação dos valores, mas também dificultar o uso de contas laranja, encarecendo esse tipo de prática criminosa e desestimulando a sua oferta.

Expectativa é reduzir danos às vítimas

A expectativa do setor financeiro é que as novas regras evitem que mais pessoas passem pela mesma sensação de impotência e perda relatada por Rita. A aposentada descreve a experiência como se tivesse sido roubada sem ao menos ver o ladrão, reforçando a necessidade de cuidado redobrado em qualquer transação digital.

Casos como o dela ilustram o impacto emocional e financeiro desses crimes e ajudam a explicar por que as mudanças no sistema do PIX se tornaram uma prioridade para o Banco Central e para as instituições financeiras.

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