Greve de garis em BH deixa 1,6 mil toneladas de lixo acumulado nas ruas
Cerca de 180 trabalhadores da Sistemma Serviços Urbanos cruzam os braços desde segunda (19/1), denunciam atrasos no FGTS, falta de convênio médico e frota sucateada, enquanto SLU e empresa não chegam a um acordo
20/01/2026 às 09:36por Redação Plox
20/01/2026 às 09:36
— por Redação Plox
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Cerca de 180 garis de Belo Horizonte, contratados pela empresa Sistemma Serviços Urbanos, seguem em greve nesta terça-feira (20/1). A paralisação, iniciada na segunda-feira (19/1), foi deflagrada em protesto por melhores condições de trabalho e já provoca acúmulo estimado de 1,6 mil toneladas de lixo nas ruas da capital. Bairros das regiões Leste, Noroeste e Nordeste são os mais afetados, e muitas vias amanheceram tomadas por resíduos.
Os trabalhadores denunciam atrasos no depósito do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), ausência de convênio médico e sucateamento da frota de caminhões, além de um quadro reduzido de profissionais, o que estaria resultando em jornadas excessivas. Em entrevista a O TEMPO, o influenciador Tales Marcelo Alves, conhecido como Gari Gato de BH, relatou que a empresa propôs novas contratações em um prazo de 10 dias, mas a categoria decidiu manter a greve até que haja um acordo concreto.
Impasse sobre proposta da empresa e condições de trabalho
De acordo com Tales Marcelo Alves, a proposta da Sistemma prevê a contratação de 10 garis, com sete atuando durante o dia e três à noite, além de um prazo de 10 dias para que os caminhões estejam em plenas condições de funcionamento. Os trabalhadores, porém, rejeitaram a oferta e condicionaram o retorno ao trabalho a medidas mais imediatas.
Segundo o influenciador, a paralisação já impediu a coleta de cerca de 1,6 mil toneladas de lixo, quantidade que deve aumentar caso o impasse persista. Ele afirma que a empresa não teria condições de manter a operação com a estrutura atual, tanto em relação ao número de garis quanto ao estado dos veículos, somado a benefícios trabalhistas que estariam em atraso, como FGTS, plano de saúde e férias.
Categoria cobra intervenção da SLU e solução para o FGTS
Os garis pressionam por uma atuação mais firme da Superintendência de Limpeza Urbana (SLU) de Belo Horizonte, especialmente em relação aos atrasos no FGTS. A proposta do movimento é manter a coleta paralisada até que haja algum tipo de mediação ou encaminhamento para resolver as pendências trabalhistas. Segundo os trabalhadores, a categoria estaria sem convênio médico há mais de 12 anos, o que é apontado como um dos principais motivos de insatisfação.
Procurada, a SLU informou que acompanha a situação e declarou estar “adimplente com todas as suas obrigações contratuais junto à empresa”. Já a Sistemma afirmou que foi surpreendida pela paralisação e que apura supostas irregularidades no movimento grevista.
A reportagem também questionou a Prefeitura de Belo Horizonte sobre o número de bairros atingidos pela interrupção da coleta, mas ainda aguarda retorno. Enquanto isso, a cidade segue lidando com o avanço do lixo nas ruas em meio ao impasse entre trabalhadores, empresa e poder público.