Haddad defende atuação do BC e de Galípolo em caso de fraude no Banco Master
Ministro afirma que problemas foram herdados da gestão de Roberto Campos Neto, avalia liquidação como tecnicamente sólida e propõe ampliar poderes de fiscalização do Banco Central sobre fundos e instituições financeiras
20/01/2026 às 08:57por Redação Plox
20/01/2026 às 08:57
— por Redação Plox
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O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), saiu em defesa da atuação do Banco Central (BC) e de seu presidente, Gabriel Galípolo, na condução do caso de fraude envolvendo o Banco Master. Para ele, o economista assumiu um “abacaxi” deixado pela gestão anterior da autoridade monetária, comandada por Roberto Campos Neto.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Em entrevista ao UOL News nesta segunda-feira (19), Haddad afirmou que o problema com o Master não teve origem na atual diretoria do BC e destacou o papel de Galípolo nas decisões que levaram à liquidação extrajudicial da instituição financeira.
Haddad atribui problemas do Master à gestão anterior do BC
Ao comentar o caso, Haddad ressaltou que o Banco Master já vinha em trajetória de crescimento antes de Galípolo assumir o comando do BC. Segundo o ministro, cabia ao atual presidente da instituição tratar das irregularidades detectadas e conduzir o processo com base em elementos técnicos considerados sólidos.
As declarações de Haddad acontecem em meio à pressão do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre o Banco Central. O tribunal apura o processo que levou à decretação da liquidação extrajudicial do Master, medida tomada após a constatação de fraudes na instituição.
Para o ministro, a decisão do BC se apoiou em um conjunto consistente de informações e foi conduzida com “bastante competência” por Galípolo, o que, na avaliação dele, reforça a legitimidade das medidas adotadas.
Responsabilização e papel dos órgãos de controle
Haddad reforçou que a definição sobre eventuais responsabilidades no caso não cabe ao Ministério da Fazenda, mas aos órgãos de controle e investigação. Na visão do ministro, é inequívoco que os problemas enfrentados por Galípolo no episódio do Master foram herdados, e não criados pela atual gestão do Banco Central.
Ele reiterou que a apuração sobre fraudes e possíveis omissões deve ser conduzida pelas instâncias competentes, enquanto o BC atua no campo regulatório e de supervisão do sistema financeiro.
Governo discute ampliar poderes de fiscalização do BC
Em meio às investigações envolvendo o Banco Master, a segunda fase da operação Compliance Zero revelou o uso de fundos de investimento no esquema fraudulento. Hoje, a supervisão desses fundos está sob responsabilidade da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), e não do Banco Central.
Diante desse cenário, Haddad defendeu uma ampliação dos poderes de fiscalização do BC, com a incorporação de novas atribuições sobre fundos de investimento. O ministro afirmou ter levado ao Palácio do Planalto uma proposta para ampliar o chamado “perímetro regulatório” da autoridade monetária.
Na avaliação dele, há produtos e operações do mercado financeiro que deveriam estar sob o guarda-chuva regulatório do Banco Central, mas permanecem sob a alçada da CVM, o que considera uma configuração inadequada diante da intersecção crescente entre fundos e o sistema financeiro tradicional.
Haddad argumenta que, ao passar a fiscalizar também os fundos de investimento, o BC teria melhores condições de monitorar riscos, prevenir fraudes e agir de forma integrada sobre instituições e veículos financeiros diretamente conectados.