Acordo Mercosul-União Europeia abre janela para queijos mineiros no mercado externo
Redução gradual de tarifas deve ampliar presença de queijos europeus no Brasil e, ao mesmo tempo, criar oportunidades para queijos artesanais de Minas Gerais na Europa, com apoio da Indicação Geográfica
20/01/2026 às 12:42por Redação Plox
20/01/2026 às 12:42
— por Redação Plox
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No Dia Mundial do Queijo, celebrado nesta segunda-feira (20), o alimento que ajuda a contar a história e a identidade gastronômica de Minas Gerais também entra na pauta econômica. O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, que cria uma das maiores áreas de livre comércio do mundo, deve mexer diretamente com o mercado de queijos, trazendo oportunidades e desafios para produtores brasileiros, especialmente mineiros.
queijo em Minas e no Brasil
Foto: Imprensa MG
De acordo com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e com a Comissão Europeia, o tratado prevê a redução gradual de tarifas para o comércio de queijos entre os dois blocos, por meio de cotas tarifárias. Na prática, as exportações do Mercosul para a União Europeia terão tarifas progressivamente menores ao longo de cerca de dez anos, respeitando limites de volume previamente definidos.
No sentido inverso, queijos europeus também passarão por uma queda gradual das tarifas de importação no Mercosul. Os cronogramas de redução podem chegar a até 15 anos, conforme documentos oficiais da Comissão Europeia. A expectativa é de ampliação da oferta desses produtos no mercado brasileiro e aumento da concorrência nas prateleiras.
Minas Gerais ganha relevância no comércio de queijos
Dados do Governo de Minas Gerais e da Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento indicam que o estado está entre os principais exportadores do agronegócio brasileiro para a Europa. Com a diminuição das barreiras comerciais, cresce o potencial de entrada de queijos mineiros artesanais em países europeus, onde produtos de origem certificada têm alto valor cultural e comercial.
Ao mesmo tempo, especialistas do setor alertam que acessar o mercado europeu exige rigor nas normas sanitárias e forte diferenciação do produto, especialmente diante da tradição queijeira consolidada de países como França, Itália e Espanha.
Nesse cenário, a Indicação Geográfica (IG) se consolida como um dos principais instrumentos de proteção e valorização dos queijos mineiros. Segundo o Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), a IG reconhece o elo entre produto, território e modo de fazer, oferecendo autenticidade e proteção tanto no mercado interno quanto no externo.
Hoje, Minas Gerais conta com os seguintes queijos artesanais com IG reconhecida:
• Queijo Minas Artesanal da Canastra
• Queijo Minas Artesanal do Serro
• Queijo Minas Artesanal de Araxá
• Queijo Minas Artesanal do Campo das Vertentes
• Queijo Minas Artesanal do Cerrado, no Alto Paranaíba
Estudos da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) e do Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT) apontam que outras regiões do estado, como o Triângulo Mineiro, áreas da Mantiqueira de Minas e o Sul de Minas, especialmente em produções com leite cru, têm potencial para conquistar novos registros de IG. Esses reconhecimentos podem ser decisivos para diferenciar os queijos mineiros em um ambiente de maior competição internacional.