Como funciona a fertilização in vitro, método usado por Lauana Prado para engravidar
Cantora revela gestação durante show no Rio de Janeiro e reportagem explica quando a FIV é indicada, custos, regras no Brasil e principais riscos do procedimento
20/01/2026 às 07:45por Redação Plox
20/01/2026 às 07:45
— por Redação Plox
Compartilhe a notícia:
A cantora Lauana Prado revelou, durante um show no Rio de Janeiro no domingo (18), que está grávida pela primeira vez. A gestação aconteceu após um processo de fertilização in vitro (FIV), uma das principais técnicas de reprodução assistida disponíveis hoje.
A seguir, entenda o que é a FIV, em quais casos ela é indicada, quais são as regras em vigor no Brasil, os riscos associados ao procedimento e quanto custa um ciclo de tratamento.
Lauana Prado anuncia gravidez
Foto: Reprodução/Instagram
O que é a fertilização in vitro
A sigla FIV significa fertilização in vitro, considerado o procedimento de reprodução assistida mais eficaz, de acordo com a Clínica Mayo, dos Estados Unidos.
Nessa técnica, a fecundação do óvulo pelo espermatozoide ocorre em laboratório, fora do corpo da mulher — ao contrário do que acontece na concepção natural ou na inseminação artificial.
Após a fertilização, o embrião é transferido para o útero. A partir desse ponto, a gestação pode ou não se desenvolver.
Os óvulos e espermatozoides utilizados podem ser do próprio casal ou de doadores, dependendo do caso. Para mulheres com idade mais avançada, por exemplo, é possível usar óvulos de uma doadora mais jovem, o que pode aumentar as chances de sucesso.
Para quem a FIV é indicada
Segundo a Clínica Mayo, a FIV pode ser utilizada como primeira opção de tratamento para infertilidade em mulheres com mais de 40 anos. Antes disso, em alguns casos, podem ser tentados outros métodos, como medicamentos ou inseminação artificial, em que o esperma é colocado diretamente no útero.
Outras condições de saúde também podem levar à indicação da FIV:
• Problemas nas trompas: alterações que dificultam a fertilização do óvulo ou o trajeto do embrião até o útero.
• Distúrbios de ovulação: quando a ovulação é infrequente ou ausente, há menos óvulos disponíveis para fecundação.
• Endometriose: ocorre quando tecido semelhante ao revestimento do útero cresce fora dele, podendo comprometer a função de ovários, útero e trompas.
• Miomas uterinos: tumores benignos comuns entre mulheres de 30 a 40 anos que podem atrapalhar a implantação do embrião.
• Laqueadura prévia: como a laqueadura bloqueia as trompas de forma permanente, a FIV surge como alternativa à cirurgia de reversão.
• Alterações no esperma: concentração baixa, mobilidade reduzida ou anormalidades de forma e tamanho podem dificultar a fecundação.
• Risco de doenças genéticas: casais com chance de transmitir um distúrbio genético podem recorrer à FIV com testes genéticos antes da transferência do embrião. Após a coleta e fertilização dos óvulos, os embriões são rastreados para alguns problemas genéticos (nem todos são detectáveis). Aqueles sem alterações aparentes podem ser transferidos para o útero.
• Preservação da fertilidade em casos de câncer: tratamentos como quimioterapia e radioterapia podem prejudicar a fertilidade. Nesses casos, a mulher pode ter óvulos coletados e congelados antes do início da terapia, ou fertilizá-los e congelar embriões para uso futuro.
• Infertilidade sem causa aparente: quando, mesmo após investigação, não se encontra um motivo definido para a dificuldade de engravidar.
Regras para FIV no Brasil
No Brasil, a resolução nº 2.320/2022 do Conselho Federal de Medicina estabelece as normas para o uso de técnicas de reprodução assistida.
Quem pode fazer: todas as pessoas capazes que solicitem o procedimento e atendam aos critérios definidos podem ser receptoras das técnicas, desde que todos os envolvidos estejam de acordo e devidamente esclarecidos.
Idade da mulher: a idade máxima recomendada para submissão à reprodução assistida é de 50 anos. Exceções podem ser avaliadas pelo médico, desde que os riscos sejam cuidadosamente considerados.
Seleção genética: a escolha do sexo ou de características do embrião é proibida, exceto para evitar doenças genéticas. O embrião pode permanecer em laboratório por até 14 dias.
Doação de gametas e embriões: deve ser anônima e sem fins comerciais. Mulheres podem doar óvulos até os 37 anos; homens, espermatozoides até os 45 anos.
Gestação compartilhada: é permitida entre casais de mulheres, quando o embrião formado com o óvulo de uma delas é transferido para o útero da parceira.
Gestação de substituição: autorizada apenas em casos de impedimento médico para gestar, sem caráter comercial, e preferencialmente com parente consanguínea de até 4º grau.
Principais riscos da fertilização in vitro
A Clínica Mayo lista diferentes riscos associados à FIV.
• Gravidez múltipla: a transferência de mais de um embrião aumenta a chance de gestação de gêmeos ou mais bebês. Gestações múltiplas são consideradas de alto risco, pois elevam as chances de complicações, parto prematuro e baixo peso ao nascer. No Brasil, mulheres de até 35 anos podem receber até 2 embriões; de 36 a 39 anos, até 3; e, a partir de 40 anos, até 4 embriões.
• Parto prematuro e baixo peso: estudos indicam um leve aumento no risco de nascimento prematuro ou de bebês com baixo peso em gestações por FIV.
• Síndrome de hiperestimulação ovariana: o uso de medicamentos injetáveis para induzir a ovulação, como a gonadotrofina coriônica humana (HCG), pode levar a inchaço e dor nos ovários. Os sintomas costumam durar cerca de uma semana e incluem dor abdominal leve, inchaço, náusea, vômito e diarreia. Nas formas mais graves, pode haver ganho de peso rápido e falta de ar.
• Aborto espontâneo: a taxa de aborto em mulheres que engravidam por FIV com embriões recém-fecundados é semelhante à de gestações naturais, em torno de 15% a 25%, aumentando conforme a idade materna.
• Complicações na coleta de óvulos: como os óvulos são retirados com o uso de uma agulha, podem ocorrer sangramentos, infecções ou lesões em intestino, bexiga ou vasos sanguíneos, além dos riscos associados à sedação ou anestesia, quando empregadas.
• Gravidez ectópica: entre 2% e 5% das mulheres que fazem FIV podem ter uma gestação ectópica, quando o embrião se implanta fora do útero, geralmente em uma das trompas. Nesse cenário, o embrião não consegue se desenvolver e a gravidez não pode ser mantida.
Quanto custa um ciclo de FIV
Um levantamento internacional aponta que o custo médio de um ciclo completo de FIV no Brasil — incluindo avaliação, estimulação, coleta, fertilização e transferência — fica em torno de R$ 25 mil por ciclo.
A FIV faz parte da cobertura do Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2005, mas poucos hospitais públicos oferecem o procedimento. Em algumas unidades onde o tratamento é realizado, os medicamentos necessários não são fornecidos, o que obriga os pacientes a arcarem com esses custos por conta própria.