Correios lamentam morte de carteiro vítima de técnicos de enfermagem

Marcos Moreira, de 33 anos, morreu após suposta aplicação de substância letal na UTI do Hospital Anchieta; caso integra Operação Anúbis, que apura série de mortes suspeitas em Taguatinga

20/01/2026 às 09:15 por Redação Plox

Os Correios se manifestaram sobre a morte do carteiro Marcos Moreira, de 33 anos, morador de Brazlândia (DF), vítima de três técnicos de enfermagem acusados de aplicar uma substância letal na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Anchieta, em Taguatinga, no Distrito Federal. O trabalhador dos Correios deixou uma filha de 5 anos.


Marcos Moreira morreu aos 33 anos depois de técnicos de enfermagem aplicarem substância letal em UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga

Marcos Moreira morreu aos 33 anos depois de técnicos de enfermagem aplicarem substância letal em UTI do Hospital Anchieta, em Taguatinga

Foto: Reprodução

Correios lamentam morte de empregado e evitam dar detalhes

Em nota, os Correios informaram que lamentam profundamente os fatos graves ocorridos em dezembro de 2025, que estão sob apuração da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e envolveram diretamente um empregado da empresa pública federal.

A estatal destacou que não divulgará informações adicionais sobre o caso, em razão do sigilo das investigações e em respeito à família do carteiro. A empresa também afirmou reconhecer a trajetória profissional do servidor, ressaltando que ele mantinha conduta exemplar, e manifestou solidariedade aos parentes no momento de luto.

Segundo os Correios, as medidas relativas aos protocolos de atendimento do hospital envolvido estão sendo avaliadas pela operadora do plano de saúde que atende os empregados da empresa.

Sindicato presta homenagem ao carteiro

O Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal e Região do Entorno (Sindect-DF) também divulgou manifestação pública sobre a morte de Marcos, ocorrida no início de dezembro.

É com pesar que o Sintect-DF comunica o falecimento do carteiro Marcos Raymundo Fernandes Moreira, trabalhador dos Correios lotado no CDD Brazlândia. Nossa solidariedade vai para os familiares, amigos e colegas de trabalho neste momento de despedida e dor. Descanse em paz, Marcos.

Sindicato dos Trabalhadores dos Correios e Telégrafos do Distrito Federal e Região do Entorno (Sindect-DF)

O servidor deu entrada na UTI com dores abdominais e morreu em 1º de dezembro de 2025. O velório ocorreu no dia seguinte, no Campo da Esperança de Brazlândia.

Família relata surpresa com morte na UTI

Em entrevista ao Metrópoles, a esposa de Marcos contou que a notícia da morte foi recebida com surpresa pela família, uma vez que o carteiro chegou ao hospital consciente e em condições de se comunicar com a equipe médica.

De acordo com o relato, a evolução do quadro clínico até o óbito foi inesperada para os familiares, que agora aguardam o esclarecimento completo das circunstâncias da morte pelas autoridades.

Outras vítimas identificadas no mesmo hospital

Marcos não foi o único paciente que morreu em circunstâncias suspeitas na UTI do Hospital Anchieta. Outra vítima é João Clemente Pereira, de 63 anos, servidor da Caesb. Segundo a família, ele reclamava de dores de cabeça e, já no hospital, foi constatada a presença de um coágulo na parte superior do crânio.

A terceira vítima é a professora Miranilde Pereira da Silva, de 75 anos. Conforme a investigação policial, um técnico de enfermagem preso no caso teria injetado desinfetante na paciente.

Operação Anúbis investiga mortes em série

As mortes motivaram a Operação Anúbis, deflagrada pela Polícia Civil do Distrito Federal. Na primeira fase, realizada em 11 de janeiro, com apoio do Departamento de Polícia Especializada (DPE), dois investigados foram presos temporariamente por determinação judicial.

Nessa etapa, policiais cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços de Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas, no Entorno do DF, recolhendo materiais considerados relevantes para as apurações, que passaram a ser analisados pelos investigadores.

O objetivo é esclarecer a dinâmica das mortes, o papel de cada suspeito e se houve participação de outras pessoas. Segundo a corporação, as investigações avançaram com a segunda fase da Operação Anúbis, deflagrada em 15 de janeiro.

Nessa nova etapa, a Polícia Civil cumpriu mais um mandado de prisão temporária contra uma investigada e realizou apreensões adicionais de dispositivos eletrônicos em Ceilândia e Samambaia.

Agora, a PCDF apura ao menos 20 outros atestados de óbito emitidos em hospitais do Distrito Federal, para verificar se há relação com o mesmo esquema criminoso.

Hospital diz ter identificado suspeitas e acionado a polícia

O Hospital Anchieta divulgou nota pública na qual afirma ter atuado para esclarecer os óbitos considerados suspeitos e comunicá-los às autoridades. A instituição se apresenta como referência em cuidados de saúde em Brasília há três décadas e diz ter tomado a iniciativa de investigar internamente os casos.

O Hospital Anchieta S.A., referência em cuidados de saúde em Brasília/DF há 30 anos, vem a público esclarecer as providências adotadas diante de fatos graves envolvendo ex-funcionários da instituição.

Hospital Anchieta S.A.

Segundo o comunicado, diante de circunstâncias atípicas relacionadas a três mortes na UTI, foi criado um comitê interno para análise do caso, em cumprimento a deveres civis, éticos e ao compromisso com a transparência. A investigação interna, conduzida de forma célere, teria identificado, em menos de 20 dias, evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem.

Essas informações foram encaminhadas às autoridades competentes. Com base nelas, o próprio hospital pediu a instauração de inquérito policial e a adoção de medidas cautelares, incluindo a prisão dos envolvidos, que já haviam sido desligados da instituição. As prisões foram cumpridas em 12 e 15 de janeiro de 2026.

A administração do hospital afirma ter entrado em contato com as famílias dos pacientes para prestar esclarecimentos e reforça que o caso corre em segredo de Justiça, o que impede a divulgação de dados adicionais e a identificação das partes envolvidas.

Na nota, a unidade de saúde sustenta que o sigilo judicial é necessário para preservar a apuração, proteger os envolvidos e garantir o trabalho das autoridades, dentro dos limites fixados pela decisão judicial.

O hospital declara ainda que também se considera vítima da atuação dos ex-funcionários e diz colaborar de forma irrestrita com o poder público. A instituição reafirma o compromisso com a segurança dos pacientes, com a verdade e com a Justiça, destacando que a apuração dos fatos é tratada como prioridade interna.

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