A caminhada do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), que saiu de Minas Gerais rumo a Brasília em protesto contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), tem sido alvo de críticas de opositores. A mobilização, iniciada nessa segunda-feira (19/1) em Paracatu, no Norte de Minas, percorre cerca de 200 quilômetros pela BR-040 e ganhou repercussão nas redes sociais, sobretudo entre políticos de esquerda.*
Oposição classifica ato como encenação
O deputado federal Rogério Correia (PT) foi um dos primeiros a reagir. Em publicação no “X”, antigo Twitter, ele classificou a iniciativa de Nikolas como uma espécie de “encenação” destinada a tentar “comover” o país, em meio ao contexto da prisão de Bolsonaro.
Nas redes, outros parlamentares passaram a ampliar o tom crítico e a associar a caminhada a uma estratégia de exposição pessoal do deputado mineiro.
Alvos de sátiras e críticas nas redes
A deputada federal Célia Xakriabá (PSOL) usou o humor para atacar o ato. Ela compartilhou uma montagem em formato de pôster de filme, em que Nikolas aparece com uma mochila, tendo ao fundo o mapa de Minas Gerais e a imagem da Papudinha, onde Bolsonaro está preso. No material, o “título” é: “As aventuras do pequeno chupetinha - caminhando 72 horas para não ter que trabalhar”.
Na legenda, Célia ironizou o argumento do colega de Câmara, dizendo que, ao iniciar o movimento em nome da “justiça” e da liberdade, Nikolas faria de tudo para não trabalhar.
O vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff (PT) adotou linha semelhante. Em vídeo publicado em suas redes sociais, ele criticou o uso de recursos públicos para custear o mandato do deputado enquanto este realiza a marcha, relacionando o protesto ao pagamento de salários e à carga tributária arcada pela população.*
Carta aberta e defesa do movimento
Diante da repercussão, Nikolas Ferreira divulgou, na noite dessa segunda-feira, uma carta aberta em que rebate as acusações de que estaria em busca de holofotes. No texto, ele nega a existência de “vaidade” ou “espetáculo” e associa a caminhada a um posicionamento político mais amplo.
O deputado afirma que seu objetivo é chamar atenção para o que classifica como “desumanização” dos brasileiros presos após os atos de 8 de janeiro, alegando que eles estariam sendo submetidos a processos ilegais, parciais e arbitrários, além de citar uma perseguição sistemática a opositores políticos, incluindo Jair Bolsonaro.
Na carta, Nikolas descreve a iniciativa como um chamado à “consciência nacional”, buscando reavivar, segundo ele, a esperança dos brasileiros, a coragem de “fazer o que é certo” e a disposição de enfrentar e “derrotar o mal” que, em sua visão, tentaria se normalizar no país.
Apoio de aliados ao longo do trajeto
A previsão é que Nikolas chegue a Brasília no domingo (25/1). Ao longo do percurso, ele tem reunido apoiadores e recebido a companhia de outras figuras políticas aliadas. Entre os nomes já presentes na caminhada estão o deputado federal por Goiás Gustavo Gayer (PL) e Carlos Bolsonaro (PL), que se juntou ao grupo em trecho entre Paracatu e a capital federal.