Polícia Civil desarticula esquema que desviou R$ 2,4 milhões de idosos e clientes mortos no RS

Operação Digital Fantasma prende gerente-geral de agência, operador de sistema e esposa do gerente por fraudes em empréstimos de alto valor contratados sem autorização em nome de idosos e correntistas já falecidos

20/01/2026 às 09:45 por Redação Plox

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagrou, na manhã desta terça-feira (20/1), a Operação Digital Fantasma, que apura um esquema de fraudes financeiras praticadas a partir do interior de uma agência bancária no estado. Entre os presos estão o gerente-geral da unidade, um operador de sistema e a mulher do gerente, apontados como integrantes do núcleo central da organização criminosa.

A ação é conduzida pelo Departamento Estadual de Repressão aos Crimes Cibernéticos (DERCC) e tem como foco fraudes cometidas com a estrutura interna da instituição financeira, utilizando acessos e informações restritas.


A fraude veio à tona após a própria instituição financeira identificar movimentações atípicas durante auditorias internas

A fraude veio à tona após a própria instituição financeira identificar movimentações atípicas durante auditorias internas

Foto: Divulgação/PCRS


Mandados e bloqueio de bens no interior do estado

A operação cumpriu três mandados de prisão preventiva em Palmeira das Missões, no Noroeste do Rio Grande do Sul. Paralelamente, equipes da Polícia Civil realizaram buscas em Caçapava do Sul.

Além das prisões, foram executadas ordens judiciais de bloqueio de contas bancárias e de ativos financeiros vinculados aos investigados. O objetivo é impedir a dissipação do dinheiro suspeito de ter sido desviado.

Uso de acesso interno para desviar recursos

De acordo com as investigações, o grupo se aproveitava do acesso privilegiado aos sistemas internos do banco para operar as fraudes. Com isso, obtinha dados pessoais de clientes e contratava empréstimos de alto valor sem qualquer autorização dos titulares.

Os recursos desses empréstimos eram então direcionados para contas controladas pelo esquema, burlando mecanismos de controle e fiscalização da instituição.

As vítimas tinham um perfil definido: idosos com idades entre 81 e 96 anos e clientes já falecidos. Esse recorte dificultava a identificação rápida das movimentações irregulares e a contestação das operações.

Segundo a polícia, pelo menos R$ 2,4 milhões foram desviados por meio das operações fraudulentas. A suspeita é de que o esquema tenha atuado de forma reiterada e organizada ao longo de aproximadamente seis meses, durante o segundo semestre do ano passado.

Auditoria interna revelou o esquema

A fraude veio à tona após a própria instituição financeira identificar movimentações atípicas durante auditorias internas. Diante das suspeitas, o banco comunicou o caso às autoridades, o que deu início ao inquérito policial.

Até o momento, foram identificadas sete vítimas diretas, além do prejuízo causado à própria instituição bancária. O nome do banco e a cidade exata da agência alvo do esquema não foram divulgados pela polícia.

Possível lavagem de dinheiro e novas prisões

O DERCC agora busca esclarecer se outros familiares ou operadores financeiros participaram da ocultação ou da lavagem dos valores obtidos ilegalmente. O material apreendido durante as buscas será analisado e pode ampliar tanto o número de envolvidos quanto o montante total dos desvios.

Os investigados devem responder por estelionato majorado, fraude bancária e associação criminosa e podem ainda ser enquadrados por lavagem de dinheiro, conforme o avanço das apurações.

A Polícia Civil não descarta novas prisões no decorrer da continuidade da investigação.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a