Restauração da histórica Ponte Queimada, entre Marliéria e Pingo D’Água, deve ser concluída até março
Após três anos de interdição por risco à segurança e incêndios criminosos, ponte do século XVIII que liga Marliéria e Pingo D’Água passa por restauração de R$ 1,3 milhão e tem 40% da estrutura recuperada
20/01/2026 às 08:17por Redação Plox
20/01/2026 às 08:17
— por Redação Plox
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A restauração da histórica Ponte Queimada, na divisa entre Marliéria e Pingo D’Água, na entrada do Parque Estadual do Rio Doce (PERD), deve ser concluída até março, segundo a MDP Construção Civil, responsável pela obra. Cerca de 40% da extensão da travessia já foi recuperada.
Legenda: A interdição ocorreu devido a sérios riscos oferecidos pela passagem, que recentemente foi alvo de novos incêndios criminosos; Foto: Divulgação | Legenda: A deputada Rosângela Reis, prefeitos e vereadores, acompanhando o avanço dos trabalhos de recuperação da ponte
Foto: Arquivo pessoal de Marcelo Braga
Emenda de R$ 1,3 milhão e vistoria técnica
Autora da emenda parlamentar que destina R$ 1,3 milhão para a restauração da ponte, a deputada federal Rosângela Reis esteve no local na tarde do último sábado (17) para acompanhar o andamento dos serviços. A estrutura, que remonta ao século XVIII, está interditada há cerca de três anos por oferecer riscos à segurança.
O trecho é usado por grande número de pessoas para turismo, lazer, ações de salvamento, combate a incêndios, escoamento de produtos e deslocamento diário de trabalhadores.
Legenda: A interdição ocorreu devido a sérios riscos oferecidos pela passagem, que recentemente foi alvo de novos incêndios criminosos; Foto: Divulgação | Legenda: A deputada Rosângela Reis, prefeitos e vereadores, acompanhando o avanço dos trabalhos de recuperação da ponte
Foto: Arquivo pessoal de Marcelo Braga
A deputada foi acompanhada pelos prefeitos Hamilton Lima Paula, de Marliéria; Márcio Lima Paula, de Jaguaraçu; e Artur Marquiole, de Pingo D’Água. Também participaram os presidentes das Câmaras Municipais de Pingo D’Água, Leônidas Júnior (Gazão), e de Marliéria, Messias Miranda, além dos vereadores Ramon Ferreira, Roberval, Maurinho e Beto Broa, de Marliéria, e Tales Guerreiro, de Córrego Novo.
Ponte histórica na antiga rota do ouro
A Ponte Queimada, originalmente mais rudimentar e construída em cota mais baixa, sujeita a inundações, recebeu esse nome após um incêndio ocorrido por volta de 1794. Entre as versões mais aceitas, o fogo teria sido provocado por indígenas, para impedir a passagem de desbravadores, ou durante fugas de prisioneiros na época.
A estrutura integra uma antiga estrada aberta por volta de 1782, por ordem do então governador da Capitania de Minas, D. Rodrigo José de Menezes, para ligar Vila Rica (atual Ouro Preto) à região do Rio Cuieté, em busca de ouro.
Relatos apontam que a ponte foi reconstruída na década de 1930, quando recebeu pilares de concreto e vigamento de ferro, passando a ser uma ligação estratégica para o escoamento de materiais, incluindo carvão destinado aos fornos da Acesita – Companhia Aços Especiais Itabira, em Timóteo, fundada em 1944.
Em período mais recente, novos incêndios criminosos destruíram partes significativas do tablado de madeira, inviabilizando a travessia e causando danos também ao Parque Estadual do Rio Doce.
Como será a nova estrutura
A obra em andamento prevê a substituição e parafusação de todos os dormentes ao longo dos 136 metros da ponte. Nas duas laterais, estão sendo instalados guarda-corpos com mastros e cabos de aço.
Para o tráfego de veículos, a travessia contará com dois largos rodeiros de 90 centímetros cada, separados por um vão central de 80 centímetros. A expectativa é de que a intervenção devolva segurança à passagem e restabeleça sua função de elo entre os municípios.
Além de Marliéria, Pingo D’Água e Córrego Novo, a Ponte Queimada também atende à região de Bom Jesus do Galho. A poucos quilômetros dali, cerca de 3 km, está a Lagoa Tiririca, bastante procurada para pesca, camping e esportes aquáticos.
Turismo, memória e sinalização
No encontro com prefeitos e vereadores, a deputada destacou o esforço de anos para viabilizar a revitalização da ponte e reforçou o potencial turístico e histórico do local.
Desde o nosso último mandato como deputada estadual – lembrou Rosângela Reis – buscávamos junto às lideranças locais um consenso sobre como revitalizar a Ponte Queimada, ao mesmo tempo em que nos orientávamos quanto ao dimensionamento do aporte de recursos necessário. É uma grande satisfação poder contribuir para o fortalecimento do turismo na região, garantir mais mobilidade a centenas de pessoas, possibilitar mais agilidade para socorro de doentes e organismos de segurança, sem contar, é claro, o aspecto de preservar esse importante marco histórico do Vale do Aço. Em nosso encontro aqui hoje, com amigos prefeitos e vereadores das cidades diretamente beneficiadas, discutimos também a instalação de um portal na entrada da ponte e, ainda, a confecção de uma placa que deverá eternizar esse precioso bem cultural que não é apenas nosso, mas de toda Minas Gerais.
Rosângela Reis
A parlamentar também mencionou a existência de uma antiga placa, em português arcaico, com referências ao militar francês Guido Marlière, nomeado pelo império para atuar na política indigenista no Vale do Rio Doce, mediando conflitos e organizando aldeamentos. Essa placa foi furtada, mas os dizeres foram preservados e deverão ser recuperados em uma nova sinalização.