Chikungunya eleva risco de morte por até 84 dias, revela Fiocruz

O estudo indica um risco significativamente elevado de morte, tanto por causas naturais quanto associadas a outras doenças, dentro de 84 dias após a infecção

Por Plox

20/02/2024 14h50 - Atualizado há 4 meses

Um estudo recente, publicado na revista The Lancet Infectious Diseases e conduzido por pesquisadores do Cidacs e do MeSP2 da Fiocruz Bahia, alerta para o aumento do risco de mortalidade em pessoas infectadas pelo vírus chikungunya até três meses após os primeiros sintomas, superando o período agudo da doença, tradicionalmente considerado até os primeiros 14 dias. Esta pesquisa, realizada com dados da população brasileira entre 2015 e 2018, destaca a necessidade de vigilância continuada e cuidado ampliado para além das manifestações iniciais, como a dor nas articulações.

Foto: Reprodução/ Pixabay

O estudo indica um risco significativamente elevado de morte, tanto por causas naturais quanto associadas a outras doenças, dentro de 84 dias após a infecção. Analisando casos de 2015 a 2018, os infectados apresentaram um risco até 8,4 vezes maior de morte em comparação com não infectados no início desse período. A pesquisa ainda revelou um maior risco de mortalidade por complicações como diabetes e doenças cardíacas isquêmicas, evidenciando a importância de uma abordagem de saúde mais abrangente em pacientes chikungunya.

Em meio ao cenário de emergência de saúde pública, com surtos de dengue e chikungunya em diversas regiões, incluindo Acre, Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, e um aumento de 26% nos casos de chikungunya em São Paulo, este estudo ressalta a urgência de atualização dos manuais de conduta médica. Eles devem agora refletir o conhecimento sobre o potencial de complicações não apenas musculoesqueléticas mas também metabólicas e cardiovasculares, especialmente nas primeiras 12 semanas após a manifestação dos sintomas.

A pesquisa aborda a lacuna existente em estudos comparativos sobre o risco de morte em infectados pelo vírus em relação a não infectados, além de enfatizar a falta de antivirais específicos e a necessidade urgente de desenvolvimento de vacinas e medicamentos direcionados ao chikungunya. A aprovação da primeira vacina contra o vírus nos EUA no final de 2023 acende uma esperança, ainda que seu uso no Brasil permaneça indefinido.

Por fim, o estudo, que utilizou dados de mais de 143.787 casos de chikungunya e análise de 1.933 óbitos decorrentes da doença, lança luz sobre o impacto significativo da infecção na mortalidade,


 

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