Anvisa registra 65 mortes suspeitas e mais de 2,4 mil reações após uso de canetas emagrecedoras
Dados do VigiMed apontam aumento de notificações ligadas a análogos de GLP-1 entre 2018 e 2025; agência diz que registros não comprovam relação de causa e efeito
20/02/2026 às 16:59por Redação Plox
20/02/2026 às 16:59
— por Redação Plox
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O avanço do uso de medicamentos à base de análogos de GLP-1 no Brasil veio acompanhado de um aumento nas notificações de possíveis efeitos adversos. Dados do sistema de farmacovigilância da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mostram que, entre dezembro de 2018 e dezembro de 2025, foram registrados 65 óbitos classificados como suspeitos após o uso das chamadas canetas emagrecedoras.
Anvisa reforça que notificações não comprovam relação direta com canetas emagrecedoras e diz que perfil de segurança está dentro do esperado
Foto: Freepik
As ocorrências estão reunidas no VigiMed, sistema da Anvisa que recebe notificações de reações adversas encaminhadas por profissionais de saúde, pacientes e fabricantes de medicamentos.
A agência ressalta que o registro de um caso no sistema não significa, por si só, que o produto tenha causado a morte, mas indica que o episódio foi comunicado para análise dentro do monitoramento de rotina.
Quais medicamentos fazem parte do monitoramento
O acompanhamento da Anvisa envolve princípios ativos usados tanto no tratamento do diabetes tipo 2 quanto da obesidade. Entre eles estão:
Semaglutida, presente em Ozempic e Wegovy;
Tirzepatida, presente em Mounjaro;
Liraglutida, presente em Saxenda e Victoza;
Dulaglutida, presente em Trulicity.
Todos esses medicamentos pertencem à classe dos análogos de GLP-1, que atuam no controle da glicemia e na redução do apetite.
Mais de 2 mil reações adversas notificadas
Ao longo de sete anos, de dezembro de 2018 a dezembro de 2025, o VigiMed contabilizou 2.436 notificações de reações suspeitas associadas a esses fármacos. Quase metade dos registros (1.128) ocorreu apenas no último ano, o que reflete a expansão do uso das canetas emagrecedoras no país.
Entre os efeitos mais relatados estão sintomas já descritos nas bulas, como náusea, vômitos, mal-estar, diarreia e constipação. Casos de pancreatite — inflamação do pâncreas que pode se tornar grave — também aparecem na base, com 145 notificações.
Quando são somados dados de estudos clínicos que não integram o VigiMed, o total de ocorrências de pancreatite chega a 225.
Dos 65 óbitos classificados como suspeitos, seis já haviam sido divulgados anteriormente por uma possível associação com quadros de pancreatite. A Anvisa enfatiza que a notificação, isoladamente, não estabelece relação de causa e efeito entre o evento e o uso das canetas emagrecedoras.
Como funciona a farmacovigilância da Anvisa
Em nota, a Anvisa informa que não investiga óbitos de forma individual. O trabalho da agência consiste em analisar o conjunto de notificações de eventos adversos recebidas como parte do monitoramento de farmacovigilância.
Segundo a agência, o sistema de notificações é uma das ferramentas usadas para acompanhar o desempenho dos medicamentos na chamada “vida real”. A atribuição da Anvisa é identificar padrões que possam apontar alteração no perfil de segurança ou de eficácia dos produtos após a entrada no mercado.
Além do VigiMed, a farmacovigilância envolve estudos controlados, pesquisas científicas independentes e levantamentos de pós-mercado conduzidos com critérios metodológicos rigorosos.
Até o momento, de acordo com a Anvisa, não há evidências que justifiquem mudança nas recomendações de uso das canetas emagrecedoras dentro das indicações já aprovadas.