Minas começa 2026 no ‘cheque especial’ com R$ 11,3 bilhões de indisponibilidade de caixa
Relatório de Gestão Fiscal indica caixa negativo em recursos livres após o último quadrimestre de 2025; cenário inclui R$ 3,7 bilhões em restos a pagar e tende a pressionar pagamentos e investimentos no início do ano.
20/02/2026 às 08:27por Redação Plox
20/02/2026 às 08:27
— por Redação Plox
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Minas Gerais iniciou 2026 com o caixa no vermelho em recursos livres. Dados do Relatório de Gestão Fiscal (RGF) do último quadrimestre de 2025 apontam indisponibilidade de caixa de R$ 11,3 bilhões em verbas não vinculadas, justamente aquelas que não têm destino obrigatório e costumam dar maior flexibilidade à gestão financeira do Estado. Na prática, depois de consideradas as obrigações já assumidas e os restos a pagar, o governo encerrou 2025 sem folga suficiente nesse tipo de recurso para honrar todos os compromissos, o que tende a pressionar a execução orçamentária no início do ano.
Minas começa 2026 no ‘cheque especial’, com R$ 11,3 bilhões em indisponibilidade de caixa
Foto: Gil Leonard Imprensa
Indisponibilidade de recursos livres pressiona início de 2026
Conforme apuração divulgada pela Rádio Itatiaia, o RGF indica que Minas terminou 2025 com disponibilidade líquida negativa superior a R$ 11 bilhões em recursos não vinculados. Esse montante se refere a verbas que não são “carimbadas” para áreas específicas e que, em cenário normal, funcionam como uma espécie de colchão de liquidez para o caixa estadual.
A reportagem também menciona cerca de R$ 3,7 bilhões em restos a pagar empenhados e ainda não liquidados. Esse quadro acende alerta porque pode significar restrição de curto prazo para manter o ritmo de pagamentos e investimentos, especialmente no começo do exercício, quando despesas se acumulam e a arrecadação pode oscilar.
Contexto fiscal e dívidas honradas pela União
Em janeiro de 2026, o Tesouro Nacional informou que a União honrou R$ 11,08 bilhões em dívidas garantidas de estados e municípios ao longo de 2025. Minas Gerais figura entre as unidades da Federação com maiores valores honrados, com R$ 3,55 bilhões, de acordo com a nota.
Esse dado se soma ao cenário de indisponibilidade de caixa de R$ 11,3 bilhões em recursos livres e reforça o ambiente de pressão fiscal e de endividamento que envolve alguns estados, incluindo Minas. Paralelamente, o Tesouro Transparente mantém atualizada a base pública da CAPAG (Capacidade de Pagamento), indicador usado como referência na análise da situação fiscal e nas condições para contratação de crédito com garantia da União, com atualização registrada em 03/02/2026.
Segundo o texto original, a situação descrita como “cheque especial” se refere especificamente à relação entre caixa e obrigações demonstrada no RGF, e não diretamente à nota de Minas na CAPAG.
Efeitos sobre orçamento, pagamentos e investimentos
A indisponibilidade em recursos livres reduz a margem de manobra do governo no curto prazo. Em cenários assim, tende a haver prioridade para despesas obrigatórias, como folha de pagamento, custeio essencial e cumprimento de mínimos constitucionais em áreas como saúde e educação, com possível reprogramação de gastos discricionários.
Quando o caixa aperta, são comuns medidas como contingenciamentos, postergação de pagamentos e revisão do cronograma de desembolsos, o que afeta fornecedores, obras e convênios. Mesmo com orçamento aprovado e projeções de receita e despesa para 2026, a execução depende do fluxo efetivo de caixa; começar o ano com disponibilidade negativa em recursos livres tende a intensificar a cautela fiscal e a limitar a capacidade de avançar em investimentos e políticas públicas.
Próximos desdobramentos e pontos de atenção
Entre os próximos passos, está o acompanhamento da publicação e abertura detalhada do RGF do último quadrimestre de 2025 e de seus anexos, para verificar a composição da disponibilidade de caixa, dos restos a pagar e das obrigações financeiras por categoria. Caso os documentos completos (PDFs e planilhas) ainda não estejam acessíveis, a situação permanece sob apuração até confirmação direta pelas peças oficiais.
Também será relevante observar a posição de Minas Gerais na CAPAG, a partir da base atualizada em 03/02/2026, já que eventuais mudanças podem influenciar a capacidade do Estado de contratar crédito com garantia da União.
Outro ponto é o monitoramento das medidas adotadas pelo governo estadual diante do quadro em que Minas começa 2026 no “cheque especial”, com R$ 11,3 bilhões em indisponibilidade de caixa. Entre elas, podem estar contingenciamentos, reprogramação financeira, renegociação de passivos e ajustes no cronograma de pagamentos, além das reações de setores potencialmente afetados, como fornecedores, servidores e municípios conveniados.