ANP cobra Petrobras por mais combustíveis para distribuidoras após relatos de restrição de diesel no Sul

Agência intensifica monitoramento em março de 2026, flexibiliza regra de estoques para facilitar remanejamento logístico e diz não haver risco imediato de desabastecimento, com atenção ao Rio Grande do Sul

20/03/2026 às 11:33 por Redação Plox

A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) intensificou, em março, o monitoramento do abastecimento de diesel e adotou medidas para ampliar a oferta às distribuidoras, após relatos de restrição de volumes no Sul do país. A autarquia afirma que, por enquanto, não vê risco imediato de desabastecimento, mas sinaliza que pode intervir para garantir a normalidade do suprimento.

ANP cobra da Petrobras mais combustíveis e flexibiliza estoques

Nos primeiros dias de março, agentes de mercado passaram a relatar dificuldade para adquirir volumes adicionais de diesel, sobretudo na Região Sul, em um cenário de forte oscilação de preços no mercado internacional. Em 10 de março de 2026, o diretor-geral da ANP, Arthur Watt, disse que a agência não enxergava risco de desabastecimento naquele momento, mas reconheceu os relatos de restrição de oferta na região.

Na prática, a ANP avançou em medidas regulatórias e passou a pressionar por mais combustível disponível às distribuidoras. A agência enviou um ofício à Petrobras para flexibilizar obrigações de manutenção de estoques, com o objetivo de permitir maior fluidez no suprimento e o deslocamento de volumes para etapas mais próximas do consumo final. A avaliação é que essa mudança tende a facilitar o atendimento às distribuidoras no curto prazo, em especial nas áreas sob maior pressão de demanda.

Edifício sede da Petrobras, no Centro do Rio

Edifício sede da Petrobras, no Centro do Rio

Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão


Monitoramento reforçado e regra de estoques ajustada

Em comunicado publicado em 8 de março de 2026, a ANP informou que estava acompanhando de perto o abastecimento de diesel em todo o país e, após contato com os principais fornecedores, apurou que o Rio Grande do Sul contava com estoques suficientes para garantir o suprimento regular. A agência acrescentou que, se considerado necessário, adotaria novas medidas para assegurar a continuidade e a normalidade da oferta.

O ofício mencionado por entidades do setor trata da flexibilização da Resolução ANP nº 949/2023, que estabelece a obrigatoriedade de manutenção de estoques médios semanais de gasolina A e diesel A por produtores e distribuidores. A norma define parâmetros de comprovação e manutenção desses estoques. A autorização para flexibilizar essas exigências busca abrir espaço para remanejamentos logísticos voltados ao atendimento de áreas com maior pressão de consumo.

Efeitos para transportadores, consumidores e distribuidoras

Para transportadoras e caminhoneiros, qualquer aperto regional na oferta de diesel tende a pressionar custos de frete e a logística de abastecimento, sobretudo em períodos de maior demanda. Mesmo sem um quadro de desabastecimento, restrições pontuais impactam o planejamento de rotas e paradas para reabastecimento.

Do ponto de vista do consumidor final, a possibilidade de gargalos regionais aumenta a volatilidade de preços nos postos, principalmente em localidades mais dependentes de rotas logísticas específicas para o recebimento de combustíveis.

Já para distribuidoras e revendas, a sinalização de flexibilização das exigências de estoques funciona como um alívio imediato de gargalos, mas o ambiente segue sensível às oscilações internacionais de preços e à dinâmica da oferta doméstica. A forma como a Petrobras vai responder à cobrança por mais combustíveis para distribuidoras permanece no centro das atenções do mercado.

Próximos passos e pontos em aberto

A tendência é que a ANP mantenha o acompanhamento diário do suprimento de diesel e, se necessário, amplie o conjunto de medidas para garantir a normalidade do abastecimento, com foco especial na Região Sul.

Do lado da Petrobras, o mercado observa se haverá recomposição de volumes ofertados às distribuidoras e como a estatal vai administrar a demanda por “cotas extras” em um cenário de elevada volatilidade dos preços externos.

Até o momento das informações disponíveis, não há divulgação pública completa do teor integral do ofício enviado pela ANP, incluindo anexos e eventuais condicionantes operacionais, em página oficial da autarquia. O conteúdo circula principalmente por cobertura setorial e relatos de mercado, enquanto a agência confirma oficialmente apenas o monitoramento do abastecimento e a adoção de medidas para reforçar a oferta.

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