Dólar abre em alta e chega a R$ 5,2373 com crise de energia e guerra no Oriente Médio no radar

Moeda sobe 0,42% nesta sexta (20) enquanto investidores acompanham ações de EUA e Israel para conter a escalada, com petróleo ainda em nível elevado e reflexos sobre combustíveis, inflação e juros no Brasil

20/03/2026 às 09:43 por Redação Plox

O mercado brasileiro inicia esta sexta-feira (20) sob influência direta da tensão no Oriente Médio e da crise de energia, refletida na abertura do câmbio e no humor dos investidores.

O dólar abre nesta sexta-feira (20) em alta de 0,42%, a R$ 5,2373, com investidores atentos às tentativas dos Estados Unidos e de Israel para conter a crise de energia provocada pela guerra no Oriente Médio. O Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, abre às 10h, em um contexto de forte volatilidade e de reprecificação de riscos.


Dólar, moeda norte-americana

Dólar, moeda norte-americana

Foto: Free Pik


Dólar em alta e petróleo ainda pressionado

Em uma semana de oscilações intensas, o presidente dos EUA, Donald Trump, buscou sinalizar alguma estabilidade ao mercado na quinta-feira, após ações da Casa Branca para tentar conter a crise de energia. Entre as iniciativas, estão a possível flexibilização de sanções ao petróleo iraniano e a liberação de reservas estratégicas do país.

As medidas vêm em meio a esforços de EUA e Israel para reduzir a aversão ao risco diante do temor de um conflito prolongado com o Irã. Após a disparada recente, um discurso do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, trouxe algum alívio ao indicar que a tensão pode não se estender.

Depois de ultrapassar US$ 115, o petróleo recua nesta sexta-feira, embora siga em patamar considerado elevado pelos analistas. O Brent, referência global, era negociado a US$ 108,01 por volta das 8h46 (horário de Brasília). Já o gás natural na Europa, que chegou a subir 35% em meio à crise, opera próximo da estabilidade, com leve alta de 0,08%.

Crise de energia e nova fase da guerra no Oriente Médio

A guerra no Oriente Médio entrou em uma nova fase, segundo o Irã, que anunciou ataques a instalações de energia ligadas aos Estados Unidos como resposta a bombardeios contra sua própria infraestrutura, atribuídos a Israel com apoio americano.

A escalada começou após o ataque ao campo de gás South Pars, no Irã — o maior do mundo —, e ganhou força com a retaliação iraniana, que atingiu estruturas energéticas em países como Catar e Arábia Saudita, incluindo uma importante unidade de processamento de gás em território catariano.

O temor de interrupções no fornecimento global de energia fez os preços do petróleo dispararem na quinta-feira, com o barril superando os US$ 115, enquanto o gás natural também avançou com força na Europa.

Nos Estados Unidos, o governo de Donald Trump teria apoiado a ofensiva inicial, mas agora tenta conter novos ataques a esse tipo de infraestrutura, avaliando os próximos passos à medida que observa a reação do Irã.

Ao declarar que o Irã está sendo dizimado, Benjamin Netanyahu citou o arsenal iraniano de mísseis e drones como ponto estratégico do conflito.

“O que estamos destruindo agora são as fábricas que produzem os componentes para fabricar esses mísseis e para produzir as armas nucleares que eles estão tentando desenvolver”, afirmou Netanyahu.Benjamin Netanyahu

Impactos no Brasil: combustíveis, ANP e transição na Fazenda

No Brasil, os efeitos da combinação entre dólar mais caro e petróleo em nível elevado recaem principalmente sobre combustíveis, inflação e juros. A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) cobrou mais oferta de combustíveis da Petrobras, mas disse não ver risco de desabastecimento. O órgão reforçou o monitoramento do mercado, enquanto distribuidoras relatam alta na demanda e menor oferta.

Um levantamento recente mostra que o preço do diesel já chegou à média de R$ 7,22. No início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, o valor médio era de R$ 5,74 — um salto que pressiona fretes, custo do transporte de cargas e, em cadeia, o preço de alimentos e serviços.

No campo político, investidores acompanham a indicação do secretário-executivo Dario Durigan, número dois na hierarquia da pasta, para comandar o Ministério da Fazenda até o fim do mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a saída de Fernando Haddad para disputar o governo de São Paulo. O rumo da política fiscal e econômica segue no centro do cálculo de risco que influencia câmbio, juros futuros e bolsa.

Juros no Brasil e no exterior

A sexta-feira segue com poucos indicadores no cenário local, mas em um ambiente de juros elevados. Na quarta-feira, o Banco Central do Brasil reduziu a taxa Selic de 15% para 14,75% ao ano, no primeiro corte desde maio de 2024, em decisão já esperada pelo mercado.

Mesmo com a redução, o BC sinalizou cautela e não indicou nova rodada de cortes, citando incertezas ligadas à guerra no Oriente Médio, ao preço do petróleo e aos potenciais impactos sobre a inflação. O comitê informou que acompanhará os efeitos do conflito na economia antes de decidir os próximos passos.

Com isso, o Brasil permanece com o segundo maior juro real do mundo, em 9,51%. A liderança, antes russa, passou para a Turquia, com taxa real de 10,38%, enquanto a Rússia aparece em terceiro, com 9,41%. O juro real leva em conta, entre outros fatores, a taxa nominal descontada da inflação esperada para os próximos 12 meses.

No exterior, os principais bancos centrais — Federal Reserve, Banco Central Europeu, Banco da Inglaterra, Banco Nacional Suíço e Banco do Japão — mantiveram os juros estáveis, monitorando de perto os efeitos econômicos da crise de energia e da guerra.

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve manteve a taxa entre 3,50% e 3,75% ao ano. Apesar das incertezas, ainda projeta um possível corte de 0,25 ponto percentual neste ano, mas alertou que pode rever os planos caso o cenário externo se agrave.

No Reino Unido, o Banco da Inglaterra também decidiu manter os juros, avaliando riscos inflacionários decorrentes da guerra. Parte dos dirigentes chegou a sinalizar a possibilidade de novas altas, o que provocou forte venda de títulos públicos de curto prazo.

Juros altos nas principais economias tendem a fortalecer o dólar e pressionar moedas de países emergentes, como o Brasil, dificultando a queda dos juros locais e alimentando a volatilidade vista nesta sexta-feira.

Desempenho do dólar, Ibovespa e commodities

No câmbio, o movimento de alta do dólar nesta sexta se soma a um quadro misto no acumulado recente:

💲Dólar

Acumulado da semana: -1,86%
Acumulado do mês: +1,58%
Acumulado do ano: -4,98%.

📈Ibovespa

Acumulado da semana: +1,47%
Acumulado do mês: -4,51%
Acumulado do ano: +11,88%.

Os números evidenciam um ambiente de alternância entre busca por risco e proteção, em que o câmbio reage de forma imediata às notícias vindas do front de guerra e da agenda econômica, enquanto a bolsa tenta encontrar espaço para recuperação em meio à instabilidade.

Mercados globais em dia de aversão ao risco

Em Wall Street, as principais bolsas fecharam em queda na véspera. As perdas, que chegaram a ser mais intensas ao longo do pregão, perderam força diante da expectativa de que o conflito no Oriente Médio possa desacelerar. O índice Dow Jones caiu 0,44%, o S&P 500 recuou 0,24% e o Nasdaq teve baixa de 0,28%.

Os investidores também monitoraram os pedidos de auxílio-desemprego nos EUA, que caíram para 205 mil, abaixo do esperado, sinalizando um mercado de trabalho ainda resiliente apesar das incertezas globais.

Na Europa, as bolsas também recuaram, refletindo tensões geopolíticas e cautela com a inflação. O índice britânico FTSE 100 caiu 2,35%; o DAX, da Alemanha, recuou 2,76%; e o CAC 40, da França, teve baixa de 2,03%.

Na Ásia, o tom foi igualmente negativo nesta quinta-feira. Em Xangai, o principal índice cedeu 1,4%, a 4.006 pontos, após chegar a operar abaixo dos 4.000 no intradia, enquanto o CSI300 caiu 1,6%, a 4.583 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 2%, a 25.500 pontos, e, no Japão, o Nikkei registrou forte queda de 3,4%, aos 53.372 pontos. Também houve recuos na Coreia do Sul (-2,7%), Taiwan (-1,9%), Austrália (-1,6%) e Cingapura (-0,8%).

O que acompanhar daqui para frente

Em um cenário em que o dólar reage diretamente à crise de energia e à escalada da guerra no Oriente Médio, analistas recomendam atenção redobrada a três frentes: evolução do conflito e de possíveis sanções adicionais; decisões de política monetária nas grandes economias; e sinais do governo brasileiro sobre a condução da política fiscal e a eventual mudança de comando na Fazenda.

Enquanto isso, consumidores e empresas devem conviver com maior volatilidade no curto prazo, em especial em preços de combustíveis, fretes, juros e ativos financeiros ligados a câmbio e petróleo.

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