Organização investigada por movimentar R$ 54 milhões vira alvo de operação

Ação cumpre 62 ordens judiciais em Mato Grosso, São Paulo e Paraná após investigação iniciada com apreensão de cerca de 450 kg de cocaína e pasta base na Estrada Transpantaneira, em Poconé

20/03/2026 às 12:53 por Redação Plox

A Polícia Civil de Mato Grosso (PCMT) deflagrou, na manhã desta sexta-feira (20 de março), a Operação “Conluio Pantaneiro”, voltada a desarticular uma facção criminosa investigada por tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, com atuação na fronteira do estado e ramificações em outras unidades da federação. Conforme o texto-base encaminhado à redação, foram expedidas 62 ordens judiciais, incluindo mandados de prisão preventiva, de busca e apreensão e medidas patrimoniais, com ações em cidades de Mato Grosso, São Paulo e Paraná. As informações seguem em apuração, uma vez que a nota oficial detalhada da PCMT ainda não foi localizada em canais públicos de consulta.


Facção que movimentou R$ 54 milhões e é alvo de operação

Facção que movimentou R$ 54 milhões e é alvo de operação

Foto: PCMT/Divulgação


Operação mira estrutura interestadual do crime

De acordo com o material recebido, a Operação “Conluio Pantaneiro” cumpre 62 ordens judiciais, entre elas 10 mandados de prisão preventiva e 17 de busca e apreensão, além de bloqueio de valores e sequestro de veículos. As diligências ocorreriam de forma simultânea em municípios de Mato Grosso, São Paulo e Paraná, o que indica, segundo a apuração preliminar, uma rede de distribuição de drogas e de movimentação financeira que ultrapassa a região de fronteira.

A investigação teria começado em setembro de 2023, após uma grande apreensão de cocaína na Estrada Transpantaneira, em Poconé (MT). Em 4 de setembro de 2023, por exemplo, houve registro de apreensão de aproximadamente 450 quilos de cocaína e pasta base na Transpantaneira, em ação do Gefron em Poconé — ocorrência compatível com o tipo de caso que costuma desencadear apurações mais amplas sobre logística, financiamento do tráfico e eventuais conexões com outros estados.

Esquema financeiro e liderança na fronteira

O texto-base aponta que o grupo investigado teria utilizado empresas e contas bancárias interligadas para dar aparência lícita ao dinheiro movimentado pelo tráfico de drogas. O esquema seria liderado por um morador de Cáceres (MT), apontado como responsável por coordenar a entrada da droga no país, o armazenamento, o transporte para outros estados e a lavagem de recursos ilícitos.

Segundo a apuração preliminar, a facção teria recebido ao menos seis carregamentos de drogas em curto intervalo de tempo, somando cerca de 2,7 toneladas de pasta base de cocaína. Para sustentar esse fluxo, o grupo recorreria a um sistema financeiro paralelo, baseado em empresas e contas conectadas entre si, permitindo a circulação e a ocultação de valores sem chamar atenção imediata dos órgãos de controle.

Ao atingir simultaneamente a estrutura logística — por meio de prisões, buscas, sequestro de veículos — e a engrenagem financeira — com bloqueio de valores e medidas patrimoniais —, a Operação “Conluio Pantaneiro” se insere em uma estratégia mais ampla de enfrentamento ao crime organizado na fronteira mato-grossense.

Pontos estratégicos: Transpantaneira e Cáceres

Poconé, na região do Pantanal e da Estrada Transpantaneira, e Cáceres, na faixa de fronteira, aparecem como áreas sensíveis dentro da investigação descrita no material recebido. Esses pontos são recorrentemente citados em apurações sobre escoamento de cocaína e rotas que conectam a fronteira a grandes centros consumidores em outros estados.

Com ordens judiciais sendo cumpridas também em São Paulo e Paraná, a operação evidencia, em tese, a existência de ramificações voltadas ao transporte, à intermediação financeira e ao uso de empresas de fachada e “laranjas” fora de Mato Grosso. Esse tipo de desdobramento costuma abrir espaço para novas fases investigativas e novas ordens judiciais, a depender do que for colhido nas buscas e das quebras de sigilo autorizadas pela Justiça.

Contexto oficial e necessidade de confirmação

Até a conclusão desta apuração, não foi localizada, em buscas abertas, publicação oficial específica da PCMT ou da Secom-MT com data, horário, lista completa de cidades, número de presos, valores bloqueados e balanço detalhado de apreensões relativos à Operação “Conluio Pantaneiro”. Por isso, os números e a descrição minuciosa do esquema permanecem sob confirmação e estão sendo tratados como informação em evolução.

Como contexto mais amplo, a Polícia Civil de Mato Grosso tem histórico recente de operações na fronteira contra tráfico e lavagem de dinheiro, frequentemente conduzidas por unidades especializadas, como Defron e Draco. Há registros institucionais que mencionam operações com bloqueio de bens, sequestro de veículos e destruição de grandes quantidades de drogas na região de fronteira, ilustrando o padrão de atuação e o tipo de medida judicial adotada em casos semelhantes.

Repercussão prática e próximos desdobramentos

Medidas como bloqueio de valores, sequestro de veículos e cumprimento de mandados em mais de um estado tendem a impactar diretamente a capacidade operacional das facções, reduzindo o poder de transporte de drogas e o giro financeiro necessário para sustentar a atividade criminosa. Em regiões estratégicas como a Transpantaneira e a fronteira em Cáceres, ações desse porte também costumam elevar o nível de fiscalização e de abordagens em estradas e áreas de escoamento.

Os próximos passos da cobertura incluem a checagem junto à PCMT e à Secom-MT sobre a lista de cidades-alvo, o número de presos efetivamente capturados, os valores bloqueados, os veículos sequestrados e a eventual apreensão de drogas e armas durante o cumprimento dos mandados. Também devem ser acompanhadas possíveis coletivas, notas complementares e a tramitação do caso no Judiciário, bem como eventuais desdobramentos em São Paulo e Paraná, inclusive com participação de forças policiais locais.

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