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O preço do diesel voltou a disparar no Brasil e acendeu um alerta em toda a cadeia de transporte. Um levantamento da TruckPag, empresa que faz gestão de frotas, mostra que o preço do diesel no Brasil já chegou a uma média de R$ 7,22 nesta quarta-feira (19). No início da guerra no Oriente Médio, no fim de fevereiro, o valor médio era de R$ 5,74.
Os números são calculados a partir de mais de 143 mil transações de compra de diesel em 4.664 postos espalhados pelo país. Cerca de 94% desses estabelecimentos estão em rodovias, e, nos últimos 30 dias, 81,9% das operações registradas foram feitas por caminhões, o que reforça o peso desse combustível na logística nacional.
Preço médio do diesel dispara 25% e já chega a R$ 7,22 no Brasil, mostra levantamento
Foto: Freepik
De acordo com dados divulgados pela TruckPag, o diesel S10 já vinha em trajetória de alta desde o fim de fevereiro. Entre 28 de fevereiro e 7 de março, o combustível teve aumento médio de R$ 0,48 por litro, uma alta de 8,43%, com o preço médio nacional passando de R$ 5,73 para R$ 6,22 no período.
Esse tipo de monitoramento, baseado em transações reais de abastecimento e com leitura quase diária, tende a capturar oscilações mais bruscas antes de elas aparecerem com clareza nas estatísticas semanais. O repasse costuma ocorrer em ondas, da distribuição para a revenda e, em seguida, para o transportador.
Na semana passada, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) já havia registrado aumento de 11% no preço do diesel em relação à semana anterior. Como os dados oficiais de preços da ANP são publicados semanalmente, com coleta nos três primeiros dias úteis e divulgação geralmente às sextas-feiras, há um atraso natural para refletir choques rápidos.
Num choque como esse, onde os preços subiram quase 1% ao dia, essa janela de atraso da ANP é significativaKassio Seefeld, CEO da TruckPag
Segundo ele, na prática os números da empresa indicam que o preço transacionado no posto já subiu quase R$ 1,50 na média nacional desde 28 de fevereiro.
O levantamento da TruckPag mostra que alguns estados registraram aumentos mais intensos desde o fim de fevereiro. Na região Norte, Tocantins viu o litro do diesel subir 37,1%. No Nordeste, o Piauí teve alta de 28%.
No Centro-Oeste, o maior avanço foi em Goiás, com 29,2%. Em São Paulo, líder no Sudeste, o diesel aumentou 27%. Já no Sul, Santa Catarina teve a maior alta, de 29,9%.
Essas variações regionais ajudam a explicar por que o impacto pode ser mais rápido em determinados corredores logísticos, sobretudo em rotas de grande fluxo de carga.
O pano de fundo dessa escalada está na forte alta recente do barril de petróleo e de seus derivados. Ataques a refinarias e reservas, além do impasse em torno do Estreito de Ormuz, vêm pressionando o mercado global de energia.
Cerca de 30% do diesel consumido no Brasil é importado e precificado diretamente no mercado internacional. Quando o barril dispara, esse produto chega mais caro aos portos brasileiros e o encarecimento é repassado pelas distribuidoras aos postos, e destes aos transportadores.
O diesel é um combustível central para a logística da economia brasileira. Caminhoneiros e transportadoras são os primeiros a sentir o impacto, com aumento do custo por quilômetro rodado e pressão por reajustes de frete, sobretudo em rotas longas por rodovias e em operações com margem apertada.
Para o consumidor final, o reflexo tende a aparecer em cadeia: o frete mais caro pesa no preço de alimentos, insumos industriais, entregas e serviços. O repasse não é imediato e nem homogêneo em todos os setores, mas ganha força conforme contratos e tabelas de frete são renegociados.
Regiões com grande volume de distribuição e consumo, como Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro e Paraná, costumam sentir as mudanças com mais rapidez em centros de abastecimento, eixos rodoviários e cadeias de atacado e varejo.
Diante da disparada recente, analistas recomendam observar, nas próximas semanas, a convergência entre os dados quase diários de empresas privadas e as estatísticas oficiais da ANP, verificando se a alta capturada nas transações se consolida nas médias oficiais.
Também será importante monitorar a efetividade das medidas federais, como a subvenção de R$ 0,32 por litro, e checar se haverá recuo real nos preços ao consumidor. Mapeamentos regionais, especialmente em grandes corredores logísticos e capitais de estados como MG, SP, RJ e PR, podem indicar com mais precisão onde e como o aumento do diesel está se refletindo no frete urbano e intermunicipal.