Petróleo perde força após Casa Branca sinalizar liberação de reservas e alívio a sanções ao Irã

Após disparar com ataques a infraestruturas de energia no Oriente Médio, o Brent recuou parcialmente com indicações de aumento de oferta, mas o mercado segue em alerta com o risco no Estreito de Ormuz; no Brasil, diesel já sobe cerca de 25%

20/03/2026 às 11:47 por Redação Plox

O preço do petróleo perdeu força nesta sexta-feira (20) após sinais da Casa Branca de que os Estados Unidos podem agir para conter a crise de energia, um dia depois de a commodity ter disparado com ataques a infraestruturas no Oriente Médio. O movimento abre uma janela para entender o que muda — e o que ainda não muda — para o bolso do consumidor brasileiro, em especial no caso do diesel.

Na véspera, o barril do tipo Brent, referência global, chegou a tocar US$ 119, recuou para cerca de US$ 107 ao longo do dia e ainda assim fechou em alta de 1,18%, cotado a US$ 108,65. O rali foi alimentado pelos ataques do Irã a instalações de produção de combustíveis em diferentes pontos do Oriente Médio, em resposta ao bombardeio de Israel a South Pars, maior campo de gás natural do mundo.


Cotação do petróleo recua após Casa Branca sinalizar medidas para conter disparada

Cotação do petróleo recua após Casa Branca sinalizar medidas para conter disparada

Foto: Freepik


Petróleo devolve parte da alta, mas mercado segue em alerta

Nesta sexta-feira, por volta das 9h50 (horário de Brasília), o Brent era negociado a US$ 107,42, em queda de 1,13% no dia. O valor segue em patamar elevado, mas abaixo do pico recente. Já o gás natural na Europa, que chegou a subir 35% na onda inicial de tensão, operava próximo da estabilidade, com leve alta de 0,08%.

A correção de preços veio na esteira de declarações de autoridades americanas. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse que o país avalia retirar sanções ao petróleo iraniano e liberar volumes adicionais de suas reservas estratégicas, numa tentativa de ampliar a oferta e reduzir a pressão de curto prazo.

O presidente Donald Trump, por sua vez, afastou a possibilidade de envio de tropas terrestres ao Oriente Médio e reiterou a avaliação de que o conflito pode ser encerrado em breve. O recuo parcial nas cotações também foi apoiado por um comunicado conjunto de países como Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão, que manifestaram apoio à segurança da navegação no Estreito de Ormuz.

Expressamos nossa prontidão em contribuir com os esforços apropriados para garantir a passagem segura pelo Estreito. Saudamos o compromisso das nações que estão se engajando.

Comunicado conjunto de países aliados

O gesto é interpretado como um aceno ao governo Trump, que vinha criticando aliados após a recusa em enviar embarcações militares para escoltar navios na região. Na quinta-feira (19), o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, chegou a classificar os países europeus como “ingratos”. Ainda assim, o comunicado não detalha como será a atuação concreta no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.

IEA coordena maior liberação de reservas da história

Apesar do alívio parcial, o choque recente de preços ainda repercute globalmente. A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) recomendou uma série de medidas para reduzir o consumo de combustíveis, como incentivo ao trabalho remoto e redução do uso do transporte aéreo.

No dia 11 de março, os 32 países-membros da agência concordaram em disponibilizar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência para tentar conter a alta provocada pela guerra no Oriente Médio. Trata-se da maior liberação já feita no âmbito da AIE: até então, o recorde era de 182,7 milhões de barris, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.

Governos também vêm adotando ações locais para mitigar o impacto. O Vietnã passou a estimular o uso de gasolina com etanol, mais barata, enquanto a Espanha anunciou redução de impostos sobre combustíveis. Nos Estados Unidos, novas declarações do secretário de Energia reforçaram o movimento de queda das cotações.

Em entrevista à Fox Business, Chris Wright afirmou que, se as sanções ao petróleo iraniano forem suspensas, o combustível poderia chegar aos portos asiáticos em três a quatro dias, ampliando a oferta no mercado internacional.

Diesel dispara no Brasil e já encarece o frete

No Brasil, o efeito da turbulência internacional já aparece de forma mais clara no preço do diesel. Desde o início da guerra no Oriente Médio, o combustível subiu cerca de 25%, alcançando uma média de R$ 7,22, de acordo com levantamento da TruckPag com dados de milhares de postos.

A alta acompanha o avanço do petróleo no mercado externo e encarece diretamente o diesel importado, que responde por cerca de 30% do consumo nacional. O aumento foi disseminado, com altas expressivas em estados de todas as regiões, e já pressiona a cadeia logística — do transporte de cargas ao preço final de produtos e alimentos.

Especialistas apontam que os reflexos sobre a inflação devem começar a aparecer nas próximas semanas. Como principal insumo do transporte rodoviário, o diesel tende a ser rapidamente repassado ao custo do frete e, na sequência, às gôndolas.

Risco de desabastecimento é descartado, mas pressão persiste

Mesmo com medidas do governo, como redução de tributos e subsídios, o alívio ainda não chegou de forma consistente às bombas. A trajetória do diesel segue atrelada à evolução do conflito no Oriente Médio e ao risco de novas interrupções no fornecimento global de energia.

Na quinta-feira, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pediu que a Petrobras aumente a oferta de combustíveis, mas afirmou não haver risco de desabastecimento no país. A agência também reforçou o monitoramento de estoques, importações e preços, em meio à forte volatilidade internacional.

Nesse cenário, o recuo do petróleo nesta sexta-feira ajuda a reduzir a tensão, mas não elimina o fator de risco central: a combinação entre conflito no Oriente Médio, insegurança no Estreito de Ormuz e dependência global de combustíveis fósseis mantém a formação de preços sob forte sobressalto.

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