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O preço do petróleo perdeu força nesta sexta-feira (20) após sinais da Casa Branca de que os Estados Unidos podem agir para conter a crise de energia, um dia depois de a commodity ter disparado com ataques a infraestruturas no Oriente Médio. O movimento abre uma janela para entender o que muda — e o que ainda não muda — para o bolso do consumidor brasileiro, em especial no caso do diesel.
Na véspera, o barril do tipo Brent, referência global, chegou a tocar US$ 119, recuou para cerca de US$ 107 ao longo do dia e ainda assim fechou em alta de 1,18%, cotado a US$ 108,65. O rali foi alimentado pelos ataques do Irã a instalações de produção de combustíveis em diferentes pontos do Oriente Médio, em resposta ao bombardeio de Israel a South Pars, maior campo de gás natural do mundo.
Cotação do petróleo recua após Casa Branca sinalizar medidas para conter disparada
Foto: Freepik
Nesta sexta-feira, por volta das 9h50 (horário de Brasília), o Brent era negociado a US$ 107,42, em queda de 1,13% no dia. O valor segue em patamar elevado, mas abaixo do pico recente. Já o gás natural na Europa, que chegou a subir 35% na onda inicial de tensão, operava próximo da estabilidade, com leve alta de 0,08%.
A correção de preços veio na esteira de declarações de autoridades americanas. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, disse que o país avalia retirar sanções ao petróleo iraniano e liberar volumes adicionais de suas reservas estratégicas, numa tentativa de ampliar a oferta e reduzir a pressão de curto prazo.
O presidente Donald Trump, por sua vez, afastou a possibilidade de envio de tropas terrestres ao Oriente Médio e reiterou a avaliação de que o conflito pode ser encerrado em breve. O recuo parcial nas cotações também foi apoiado por um comunicado conjunto de países como Reino Unido, França, Alemanha, Itália, Holanda e Japão, que manifestaram apoio à segurança da navegação no Estreito de Ormuz.
Expressamos nossa prontidão em contribuir com os esforços apropriados para garantir a passagem segura pelo Estreito. Saudamos o compromisso das nações que estão se engajando.
Comunicado conjunto de países aliados
O gesto é interpretado como um aceno ao governo Trump, que vinha criticando aliados após a recusa em enviar embarcações militares para escoltar navios na região. Na quinta-feira (19), o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, chegou a classificar os países europeus como “ingratos”. Ainda assim, o comunicado não detalha como será a atuação concreta no Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% do petróleo consumido no mundo.
Apesar do alívio parcial, o choque recente de preços ainda repercute globalmente. A Agência Internacional de Energia (IEA, na sigla em inglês) recomendou uma série de medidas para reduzir o consumo de combustíveis, como incentivo ao trabalho remoto e redução do uso do transporte aéreo.
No dia 11 de março, os 32 países-membros da agência concordaram em disponibilizar 400 milhões de barris de petróleo de suas reservas de emergência para tentar conter a alta provocada pela guerra no Oriente Médio. Trata-se da maior liberação já feita no âmbito da AIE: até então, o recorde era de 182,7 milhões de barris, após a invasão da Ucrânia pela Rússia, em 2022.
Governos também vêm adotando ações locais para mitigar o impacto. O Vietnã passou a estimular o uso de gasolina com etanol, mais barata, enquanto a Espanha anunciou redução de impostos sobre combustíveis. Nos Estados Unidos, novas declarações do secretário de Energia reforçaram o movimento de queda das cotações.
Em entrevista à Fox Business, Chris Wright afirmou que, se as sanções ao petróleo iraniano forem suspensas, o combustível poderia chegar aos portos asiáticos em três a quatro dias, ampliando a oferta no mercado internacional.
No Brasil, o efeito da turbulência internacional já aparece de forma mais clara no preço do diesel. Desde o início da guerra no Oriente Médio, o combustível subiu cerca de 25%, alcançando uma média de R$ 7,22, de acordo com levantamento da TruckPag com dados de milhares de postos.
A alta acompanha o avanço do petróleo no mercado externo e encarece diretamente o diesel importado, que responde por cerca de 30% do consumo nacional. O aumento foi disseminado, com altas expressivas em estados de todas as regiões, e já pressiona a cadeia logística — do transporte de cargas ao preço final de produtos e alimentos.
Especialistas apontam que os reflexos sobre a inflação devem começar a aparecer nas próximas semanas. Como principal insumo do transporte rodoviário, o diesel tende a ser rapidamente repassado ao custo do frete e, na sequência, às gôndolas.
Mesmo com medidas do governo, como redução de tributos e subsídios, o alívio ainda não chegou de forma consistente às bombas. A trajetória do diesel segue atrelada à evolução do conflito no Oriente Médio e ao risco de novas interrupções no fornecimento global de energia.
Na quinta-feira, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) pediu que a Petrobras aumente a oferta de combustíveis, mas afirmou não haver risco de desabastecimento no país. A agência também reforçou o monitoramento de estoques, importações e preços, em meio à forte volatilidade internacional.
Nesse cenário, o recuo do petróleo nesta sexta-feira ajuda a reduzir a tensão, mas não elimina o fator de risco central: a combinação entre conflito no Oriente Médio, insegurança no Estreito de Ormuz e dependência global de combustíveis fósseis mantém a formação de preços sob forte sobressalto.