Coronel muda versão e admite sexo com PM Gisele antes de feminicídio

Geraldo Leite Costa Neto foi preso e denunciado por feminicídio e fraude processual; perícia e reconstituição descartaram a hipótese de suicídio na morte da PM Gisele Alves Santana

20/03/2026 às 17:01 por Redação Plox

No momento em que foi preso, na última quarta-feira (18), exatamente um mês após a esposa, a PM Gisele Alves Santana, ser encontrada morta com um tiro na cabeça, o tenente-coronel Geraldo Leite Costa Neto mudou a versão que vinha apresentando à polícia e admitiu ter mantido relação sexual com a vítima pouco antes da morte.

Até então, o oficial sustentava que o casamento atravessava uma crise e que o casal não tinha contato íntimo desde, pelo menos, agosto de 2025. Ao ser novamente ouvido, porém, relatou que os dois voltaram a se envolver naquela madrugada.



Segundo ele, o encontro teria ocorrido na sala do apartamento em que viviam, momentos antes de cada um seguir para um quarto diferente. O relato confronta diretamente as declarações anteriores do tenente-coronel, nas quais ele negava qualquer tipo de relação íntima recente com a esposa.


Coronel mudou versão de que ambos não tinham contato íntimo havia meses. Laudo revelou presença de esperma no canal vaginal da PM Gisele.

Coronel mudou versão de que ambos não tinham contato íntimo havia meses. Laudo revelou presença de esperma no canal vaginal da PM Gisele.

Foto: Reprodução / Redes sociais.


Laudo aponta relação sexual recente

A nova versão do tenente-coronel converge com os resultados dos laudos periciais produzidos após a exumação do corpo de Gisele. Exames sexológicos indicaram a presença de espermatozoides no canal vaginal da policial militar, apontando para a prática de relação sexual pouco tempo antes do disparo que provocou sua morte.


Os peritos registraram resultado positivo para espermatozoides no canal vaginal, conferindo evidência de coito vaginal recente, informação que passou a ser considerada peça central para confrontar o que o réu vinha declarando durante a investigação.


O tenente-coronel tornou-se réu na Justiça pelos crimes de feminicídio e fraude processual. Segundo a promotoria, a acusação formal inclui feminicídio qualificado, por ter sido praticado em contexto de violência doméstica, além de causas de aumento de pena previstas em lei.

Morte de Gisele levou à prisão de oficial

A policial militar Gisele Alves Santana, de 32 anos, foi encontrada gravemente ferida na manhã de 18 de fevereiro, dentro do apartamento em que vivia com o marido, no Brás, região central de São Paulo. Ela foi socorrida pelo Corpo de Bombeiros e levada em helicóptero ao Hospital das Clínicas, onde morreu horas depois em decorrência de traumatismo cranioencefálico provocado por disparo de arma de fogo, conforme o atestado de óbito.


Inicialmente, a ocorrência foi registrada como suicídio consumado. Em seguida, porém, o caso passou a ser tratado como morte suspeita, diante do que os investigadores classificaram como “dúvida razoável” sobre a hipótese de suicídio.


Com o avanço da perícia e a reconstituição da sequência de acontecimentos dentro do imóvel, a Polícia Civil concluiu que a dinâmica do disparo não era compatível com a tese de que a policial teria tirado a própria vida. A partir desse conjunto de elementos, a Justiça autorizou a prisão do tenente-coronel, que passou a responder pela morte da esposa.


A Polícia Civil pediu a prisão preventiva do oficial em 17 de março, após a conclusão de que ele seria o principal suspeito pelo crime. No dia seguinte, a Justiça Militar do Estado de São Paulo decretou a prisão preventiva de Geraldo Leite Costa Neto. Ele foi detido em um condomínio residencial em São José dos Campos, no Vale do Paraíba.

Mensagens mostram exigência de sexo como “retribuição”

O inquérito policial indica que o tenente-coronel, de 53 anos, exigia sexo da esposa sob o argumento de que era o “provedor” da casa, contribuindo financeiramente. Em troca, ele cobrava que Gisele mantivesse relações sexuais com ele.


Mensagens trocadas pelo casal em 2 de fevereiro — mesmo mês em que a PM foi encontrada morta com um tiro na cabeça no apartamento do Brás — mostram o oficial afirmando que o casamento seria uma “via de mão dupla” e que, enquanto ele colaborava com dinheiro, ela deveria responder com sexo.


Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público em 18 de março, uma série de mensagens atribuídas ao tenente-coronel expõe um comportamento classificado como “tóxico, autoritário e possessivo”.

Uso de hierarquia e interferência na cena do crime

A decisão da Justiça Militar destaca que o tenente-coronel teria se valido de sua posição hierárquica — superior à dos demais policiais presentes no local do crime e mais antigo na corporação — para desobedecer à orientação de não tomar banho durante a ocorrência.


Imagens registradas pelas câmeras corporais dos agentes, segundo o processo, mostram os policiais recomendando que ele não se lavasse, a fim de preservar eventuais vestígios relevantes para a investigação. Ainda assim, o coronel teria insistido em se banhar no local.


Testemunhas ouvidas na investigação relataram que o oficial costumava ir com frequência ao local de trabalho de Gisele, usando sua autoridade para entrar e permanecer por longos períodos. De acordo com esses relatos, ele ficava observando as atividades da esposa, atitude que chegava a causar constrangimento à equipe.

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