Alta da carne bovina na Argentina leva produtores a incentivar consumo de carne de burro

Com a carne moída superando 10 mil pesos na Grande Buenos Aires e o boi gordo em alta no mercado internacional, alternativa mais barata ganha espaço, enquanto governo promete reforçar controle sanitário

20/04/2026 às 22:23 por Redação Plox

O aumento no preço da carne bovina tem levado consumidores da Argentina a buscar opções mais baratas nos últimos meses. Com a inflação do alimento, produtores passaram a incentivar o consumo de carne de burro, comercializada por valores menores em diferentes regiões do país.

Imagem ilustrativa

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Foto: Freepik


Inflação pressiona preços em Buenos Aires e no interior

Levantamento do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec) mostra que o quilo da carne moída comum na região da Grande Buenos Aires chegou a 10.324,46 pesos (cerca de R$ 38,00) em março. Segundo os dados, o valor representou alta de 8,4% no mês e de 63,2% no acumulado de 12 meses.


O encarecimento também aparece em outras áreas do país. Na Patagônia, o quilo alcança 12.528,33 pesos (R$ 46,00). Já nas regiões Nordeste e Noroeste, os valores ficam em 11.908,60 pesos (cerca de R$ 44,00) e 10.415,17 pesos (aproximadamente R$ 38,50), respectivamente.

Alta do boi gordo no mercado internacional influencia cenário

A elevação nos preços é associada ao aumento do boi gordo no mercado internacional. Conforme dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a arroba subiu 26,5% no ano e chegou a 73,58 dólares (R$ 375,26), superando o recorde anterior registrado em abril de 2022.

Produtores oferecem carne de burro como alternativa mais barata

Com a mudança no cenário, produtores passaram a ofertar carne de burro como alternativa ao consumidor. O pecuarista Julio Cittadini afirma vender cortes semelhantes aos bovinos por cerca de 7.500 pesos (aproximadamente R$ 27,70) o quilo, em um movimento que tem ganhado espaço diante do avanço dos preços.

A opção tem crescido, sobretudo, em regiões com limitações para a criação de gado tradicional. Segundo Cittadini, animais mais resistentes se adaptam melhor a áreas como a Patagônia, o que favorece esse tipo de produção.

Governo diz que vai reforçar controle sanitário

O Ministério da Produção argentino também apoiou a iniciativa e informou que irá reforçar o controle sanitário. De acordo com o produtor, a procura pelo produto superou as expectativas.

Consumo de carne segue alto, mas abaixo de décadas passadas

Apesar da mudança de hábitos, o consumo de carne segue elevado no país. Dados do Instituto de Promoção da Carne Bovina na Argentina (IPCVA) indicam média de 50 quilos por habitante em 2025 — abaixo, porém, dos cerca de 100 quilos anuais registrados no fim dos anos 1950.

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