Dólar cai a R$ 4,97 e Bolsa sobe com alta do petróleo e ações de energia

Moeda recuou 0,19% ao menor nível desde 7 de março, enquanto o Ibovespa avançou 0,20% puxado por Petrobras e Brava, em meio à escalada do Brent e tensões no Oriente Médio

20/04/2026 às 22:18 por Redação Plox

O dólar fechou em queda de 0,19% nesta segunda-feira (20/4), cotado a R$ 4,97. O movimento foi atribuído ao avanço dos preços do petróleo, que impulsionou a valorização do real frente à moeda norte-americana e também favoreceu ações de empresas brasileiras do setor energético na Bolsa.

Dolar caiu no Brasil com guerra no Oriente Médio em foco

Dolar caiu no Brasil com guerra no Oriente Médio em foco

Foto: pexels


Com o resultado, o dólar registrou o menor valor desde 7 de março de 2024, quando a moeda encerrou o dia a R$ 4,93.

Petróleo avança com incertezas no Estreito de Ormuz

A alta da commodity ocorreu em meio à incerteza sobre uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã e como reflexo do fechamento do Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás natural liquefeito.

No Brasil, o recuo do dólar foi mais intenso do que o observado no exterior. O índice DXY, que mede o desempenho da divisa americana frente a uma cesta de seis moedas fortes, caiu 0,03% ao longo da sessão.

Bolsa sobe com ações ligadas ao setor de energia

Na contramão do câmbio, a Bolsa fechou em alta de 0,20%, aos 196.132 pontos, puxada principalmente pela valorização das ações do setor de petróleo.

Segundo a XP, o aumento das tensões reforça a posição do Brasil como exportador líquido de petróleo, o que sustenta o saldo comercial, fortalece o real e ajuda a mitigar pressões inflacionárias.

Por outro lado, caso os riscos geopolíticos diminuam e os preços do petróleo recuem, o apetite ao risco deve retornar ao ambiente pré-conflito, caracterizado por um dólar mais fraco e maior atratividade de mercados emergentes XP, em relatório macro

Brent dispara e Petrobras acompanha

O petróleo voltou a subir nesta segunda-feira diante de mensagens contraditórias sobre o conflito. Por volta das 17h, o barril do Brent — referência internacional — avançava 5,03%, a US$ 94,93, no contrato com vencimento em junho. Na máxima do dia, a commodity chegou a US$ 97,50, alta de 7,8%.

Na Bolsa, as ações da Petrobras fecharam em alta de 1,83% (ordinárias) e 1,73% (preferenciais). Os papéis da Brava avançaram mais de 4%.

Para Bruno Cordeiro, analista de inteligência de mercado da StoneX, empresas do setor tendem a se beneficiar do cenário, com expectativa de aumento das receitas com exportações em um contexto de redução da oferta por parte dos países do Golfo Pérsico. Ele também avaliou que o aumento das tensões reforça a expectativa de interrupções mais prolongadas nos fluxos de petróleo e derivados.

Tráfego interrompido e escalada de ataques na região

Ao longo do fim de semana, o tráfego no Estreito de Ormuz voltou a ser interrompido. Nas últimas 12 horas, o fluxo de navegações permanecia parado, com apenas três travessias registradas, segundo dados de navegação da SynMax e de rastreamento da plataforma Kpler.

No sábado (18), a Guarda Revolucionária iraniana realizou ataques contra embarcações que transitavam pelo estreito, segundo agências internacionais. No domingo (19), foi a vez dos Estados Unidos.

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse que fuzileiros navais do país atacaram uma embarcação que tentou burlar o bloqueio americano aos portos iranianos no Estreito de Ormuz e afirmou que a tripulação iraniana se recusou a obedecer a ordens de parada.

Negociações e trégua no radar do mercado

Trump afirmou ainda que representantes dos dois países devem se reunir para mais uma rodada de negociações no Paquistão nesta segunda-feira, enquanto o acordo de trégua expira na quarta-feira (22). O vice-presidente norte-americano, J.D. Vance, segundo Trump, vai liderar a delegação dos Estados Unidos. Vance participou das conversas no começo de abril, que terminaram sem acordo.

À agência Reuters, uma fonte iraniana de alto escalão disse que o país considera participar das negociações de paz, mas que a decisão final ainda não foi tomada.

Juros, fluxo estrangeiro e o “carry trade” no Brasil

O cenário geopolítico tem sido apontado como principal responsável pela desvalorização do dólar frente ao real e pela alta da Bolsa nas últimas semanas. A trégua temporária impulsionou a busca global por ativos de risco e retomou o fluxo de investidores estrangeiros para mercados emergentes. No começo deste ano, esse movimento levou o dólar a R$ 5,12 e a Bolsa a bater recordes; depois, o fluxo foi interrompido com a guerra no Irã.

Com o cessar-fogo entre Irã e Estados Unidos, o otimismo voltou e o dólar rompeu o piso de R$ 5, mantendo-se abaixo da marca pela primeira vez desde 2024. O Brasil, segundo o texto, se valoriza nesse contexto pela distância em relação ao conflito e pelo diferencial de juros com os EUA.

De acordo com o Boletim Focus desta segunda-feira, economistas consultados pelo Banco Central veem a Selic terminando o ano em 13% ao ano. Atualmente, a taxa está em 14,75%. Nos Estados Unidos, a taxa está na banda entre 3,5% e 3,75%, o que incentiva operações de carry trade, estratégia na qual investidores captam em países com juros baixos e aplicam em economias com taxas mais altas, como o Brasil.

Segundo dados da B3, o saldo de investimento estrangeiro foi de R$ 68 bilhões até 10 de abril, acima do fluxo registrado em todo o ano de 2025.

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