EUA pedem saída de delegado da PF após monitoramento de Alexandre Ramagem no país

Gabinete do Hemisfério Ocidental alegou atuação irregular de Marcelo Ivo de Carvalho, oficial de ligação da PF junto ao ICE, em apuração que envolve a detenção do ex-deputado na Flórida

20/04/2026 às 20:14 por Redação Plox

O Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos afirmou, na noite desta segunda-feira (20), ter solicitado a saída do delegado da Polícia Federal (PF) Marcelo Ivo de Carvalho do país. Segundo o órgão, o policial brasileiro teria atuado de forma irregular ao monitorar o ex-deputado Alexandre Ramagem em território americano.

O ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem

O ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem

Foto: Valter Campanato/Agência Brasil/



Nenhum estrangeiro pode manipular nosso sistema de imigração para contornar pedidos formais de extradição e estender perseguições políticas ao território dos Estados Unidos. Hoje, pedimos que o funcionário brasileiro envolvido deixe o nosso país por tentar fazer isso

Gabinete de Assuntos do Hemisfério Ocidental dos Estados Unidos

Delegado atua como oficial de ligação da PF desde 2023

Marcelo Ivo atua desde 2023 como oficial de ligação da PF junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas dos Estados Unidos (ICE, na sigla em inglês). Ele participou do monitoramento de Ramagem no país na semana passada, ação que antecedeu a prisão do ex-parlamentar, posteriormente revogada após dois dias.

Procurada, a Polícia Federal ainda não se manifestou sobre o caso. A matéria será atualizada com o posicionamento.

Detenção ocorreu após abordagem de trânsito e verificação migratória

Ramagem foi detido em 13 de abril por agentes do ICE, inicialmente após abordagem por infração de trânsito. As autoridades identificaram, porém, que ele estava em situação migratória irregular, com visto de turista expirado desde março e entrada no país realizada com passaporte diplomático cancelado por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com apuração da CNN Brasil, o ex-deputado já era monitorado por agências de inteligência desde novembro do ano passado. A vigilância incluiu identificação do veículo utilizado por Ramagem na Flórida e acompanhamento presencial por agentes, além de reuniões entre autoridades brasileiras e americanas.

PF apura compra de carro e reforça cooperação com autoridades locais

A Polícia Federal investiga se Ramagem adquiriu um carro utilizando documento inválido e se o veículo foi usado para buscar a esposa em um aeroporto, o que teria ajudado a localizar seu paradeiro. A partir daí, agentes passaram a acompanhá-lo de forma discreta.

Pelas regras internacionais, a PF não pode efetuar prisões em outros países, cabendo ao órgão reunir informações e repassá-las às autoridades locais. Nas primeiras semanas de abril, houve intensificação da cooperação com agentes da Flórida, incluindo reuniões com representantes do ICE.

Reunião em Orlando discutiu soltura e possível pedido de deportação

Na quinta-feira (16), integrantes da PF se reuniram com autoridades americanas em Orlando para esclarecer a soltura de Ramagem, cujos motivos não foram informados ao governo brasileiro. Na ocasião, foram apresentados documentos com o objetivo de reforçar um eventual pedido de deportação, com base no risco de fuga.

Segundo o empresário Paulo Figueiredo, Ramagem deve permanecer nos Estados Unidos enquanto aguarda a análise de um pedido de asilo político.

Condenação pelo STF e acusações ligadas à Abin

Condenado pelo STF em setembro do ano passado, Ramagem recebeu pena de 16 anos, um mês e 15 dias de prisão, em regime inicial fechado, por participação em trama golpista. Entre os crimes atribuídos a ele estão organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo Jair Bolsonaro, Ramagem é acusado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) de utilizar o órgão para monitorar opositores e disseminar críticas ao processo eleitoral. Ele deixou o Brasil rumo aos Estados Unidos enquanto ainda havia possibilidade de recurso, antes do trânsito em julgado da condenação.

Com informações de CNN Brasil

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