Aumento da violência ligada ao tráfico desafia segurança pública em Minas Gerais

Conflito entre facções eleva número de homicídios e ameaça a tranquilidade de bairros antes pacíficos

Por Plox

20/05/2024 07h57 - Atualizado há cerca de 1 mês

O crescimento da violência em Minas Gerais, especialmente devido ao tráfico de drogas, tem desafiado as forças de segurança pública. Bairros tradicionais, como Santa Tereza, em Belo Horizonte, agora convivem com a presença de traficantes armados. A situação é agravada pela chegada de facções criminosas de outros estados, como o Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC) e Terceiro Comando da Capital (TCC).

Foto: Reprodução Vídeo

Escalada de homicídios

Nos primeiros três meses de 2024, 634 pessoas foram assassinadas em Minas Gerais. Em 2023, o estado registrou 2.605 homicídios, um aumento de 4% em relação ao ano anterior. A região metropolitana de Belo Horizonte concentrou 199 desses crimes apenas no primeiro trimestre de 2024. Especialistas apontam que a disputa por pontos de tráfico de drogas é o principal fator para o aumento da violência.

“O intercâmbio criminoso entre indivíduos de diferentes localidades, que já era antigo, também foi potencializado com o avanço das tecnologias de comunicação. Há no estado uma intensificação de esforços das Forças de Segurança para desarticular as facções e neutralizar a expansão de suas atividades em Minas Gerais”, declarou a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

Conflitos em áreas urbanas

Em bairros como Urca e Arvoredo, conflitos entre traficantes resultaram em tiroteios que deixaram mortos e feridos, inclusive pessoas inocentes. Um dos episódios mais recentes envolveu a morte de um chefe do tráfico e de um adolescente, além do ferimento da mãe de um dos alvos.

O sargento Marco Antônio Bahia Silva, vice-presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros de Minas Gerais (Aspra), alerta que "não é só homicídio que está aumentando, mas também roubo e estupro. O cenário não é nada animador. Quem vai pagar a conta é o cidadão".

 

Problemas na estrutura policial

A desmotivação e a falta de efetivo são apontadas como causas do aumento da criminalidade. Minas Gerais conta com menos de 37 mil policiais militares para uma população de mais de 20 milhões de habitantes. Além disso, a Polícia Civil enfrenta dificuldades devido à falta de modernização e investimento em tecnologia. "A situação é péssima. Não temos investimentos em tecnologia, equipamentos, viaturas descaracterizadas. Nas delegacias, os computadores são arcaicos", afirmou Wemerson Oliveira, presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado de Minas Gerais (Sindpol/MG).

Necessidade de integração

Para o especialista em segurança pública Luís Flávio Sapori, a melhor saída é a integração entre todos os órgãos de segurança pública. "Mais do que nunca, o desafio da segurança pública em Minas Gerais é trabalhar de forma integrada. Todos os órgãos devem estar articulados em forças-tarefas e baseados no trabalho de inteligência", afirma.

A dor das famílias

A violência não afeta apenas os envolvidos com o tráfico. Pessoas inocentes também são vítimas, como a menina Melissa Maria Ribeiro, de 6 anos, morta durante uma briga de trânsito em janeiro de 2024. "Eu não consigo, às vezes, acreditar que ela foi morta. É uma dor imensurável", desabafou o tio da criança, Leandro Santos.

Esforços do governo

O governo estadual afirma que está intensificando os esforços para enfrentar o problema. Investimentos em tecnologia, aumento do efetivo policial e cooperação entre instituições são algumas das medidas anunciadas. "Desde 2019, houve aumento de 60% nos investimentos para a área. Um incremento que permitiu Minas Gerais chegar ao posto de vice-líder no ranking de estados com maior sensação de segurança do Brasil em 2023", informou a Sejusp.

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