Mulher é presa após perseguição obsessiva e invasão de consultório em MG

Kawara Welch foi detida após cinco anos de perseguição intensa, incluindo ligações incessantes e invasões ao local de trabalho da vítima.

Por Plox

20/05/2024 10h00 - Atualizado há 22 dias

Kawara Welch, que se apresenta nas redes sociais como artista plástica, começou a perseguir um médico de Ituiutaba, no Triângulo Mineiro, desde 2019. A obsessão, alimentada pela expectativa de um relacionamento amoroso, resultou em uma série de comportamentos perturbadores e ameaçadores. 

O médico, que não quis se identificar, contou ao programa Fantástico que conheceu Kawara em 2018 e, após alguns atendimentos, a perseguição começou. "Ela teve acesso ao meu celular e começou a passar mensagens e fotos perturbadoras mesmo, amarrando lençol, corda no pescoço, se despedia de mim. Eu entrei em pânico", relatou o médico.

 

Intensifica perseguição com mensagens e ligações
A situação se agravou quando Kawara começou a enviar até 1.300 mensagens e realizar mais de 500 ligações em um único dia. O médico trocou de número de telefone várias vezes, mas Kawara sempre conseguia descobrir o novo contato. Além disso, ela fez insistentes ligações para a esposa e o filho do médico, e criou montagens nas redes sociais para dar a impressão de que mantinham um caso.

"Ela chegou a me passar 1.300 mensagens em um dia. E mais de 500 ligações num único dia. Eu troquei de número de celular umas três ou quatro vezes, mas parei de trocar porque vi que era totalmente inútil. Ela tinha uma facilidade incrível em achar meu número novo", afirma o médico ao programa de TV.

Kawara também fez várias ligações para o filho do profissional e para a esposa  dele. Montagens feitas por Kawara em redes sociais para dar a impressão de que os dois tinham um caso também foram encontradas pelas investigações da polícia.

 

 

Invade consultório e agride
A perseguição não se limitou ao virtual. Kawara passou a seguir o médico pelas ruas e até invadiu o consultório onde ele trabalhava, resultando em trocas de agressões. Em 2022, ela invadiu o consultório durante o atendimento a uma paciente e agrediu a esposa do médico. No ano seguinte, ela voltou ao local, desta vez com xingamentos e acusações de roubo.

Enfrenta consequências legais
A polícia prendeu Kawara em flagrante, mas ela foi liberada após pagar uma fiança de R$ 3,5 mil. Em março de 2023, devido à violação das medidas cautelares, foi emitida uma ordem de prisão preventiva. Kawara ficou foragida por mais de um ano até ser presa em Uberlândia, onde estudava nutrição.

Defesa contesta e saúde mental é analisada
O advogado de Kawara alega que houve um envolvimento entre ela e o médico, algo que ele nega veementemente. "Nós acreditamos que não houve esse relacionamento. E, mesmo se houvesse, não justifica de forma alguma esse tipo de ação, esse tipo de conduta da Kawara", afirmou o delegado Rafael Faria. O psiquiatra Daniel Barros explicou que a prática de stalking pode estar ou não associada a transtornos psíquicos, mas o processo não inclui laudos sobre as condições mentais de Kawara. O médico e sua esposa estão em tratamento para controlar o pânico há um ano.

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