Sérgio Cabral é interrogado pela primeira vez fora da prisão

Ex-governador do Rio de Janeiro nega acusações após anulação de sentença

Por Plox

20/05/2024 19h39 - Atualizado há 27 dias

Nesta segunda-feira (20), Sérgio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, compareceu à Justiça Federal pela porta da frente para um novo interrogatório relacionado à Operação Lava Jato. Utilizando uma cadeira de rodas devido a problemas de saúde, Cabral enfrentou a ação penal na qual é acusado de repassar propina ao ex-governador Luiz Fernando Pezão, que já foi absolvido no caso.

Cabral, que inicialmente havia confirmado as denúncias contra ele em uma delação premiada em 2020, agora nega suas próprias declarações. Ele afirmou que a confissão anterior foi feita sob "circunstâncias muito constrangedoras", referindo-se a "uma tortura psicológica, física" e às pressões que sofreu. "É muito constrangimento, uma tortura psicológica, física. Fui levado a oito presídios. Prenderam a minha mulher. Entraram na casa da minha ex-mulher. Foram na casa do meu irmão. Tudo isso está em análise no CNJ", declarou Cabral.

Foto: Reprodução/Redes Sociais

Durante o depoimento, o ex-governador citou indiretamente o juiz Marcelo Bretas, afastado pelo CNJ devido a suspeitas de irregularidades na condução dos processos da Lava Jato. O interrogatório desta segunda-feira foi conduzido pela juíza Caroline Figueiredo. Cabral acusou a pressão recebida da Polícia Federal e de um ex-advogado, que o teriam levado a uma confissão forçada. "Foi uma avalanche contra minha família, contra mim. A pressão era grande para uma postura que não queria ter. Induzido por um ex-advogado, pela Polícia Federal, fui levado a circunstâncias que não vão entrar na minha biografia. Tenho muito a agradecer ao Supremo".

Em 2021, o Supremo Tribunal Federal anulou a delação premiada de Cabral com a Polícia Federal, assinada em 2019. Originalmente, o ex-governador negava as acusações, mas acabou confessando dois anos após sua prisão, para, posteriormente, voltar a negá-las após ser liberado.

Cabral foi condenado a 32 anos, 9 meses e 5 dias de prisão pelo juiz Marcelo Bretas, mas a sentença foi anulada devido a irregularidades no processo. Outro réu no caso apontou que Cabral deveria ter sido ouvido antes, pois já havia assinado a delação com a PF. Pezão, por sua vez, havia sido condenado a 98 anos e 11 meses de prisão, mas foi absolvido pelo TRF-2 (Tribunal Regional Federal da 2ª Região).

Este foi o 30º interrogatório de Cabral na Justiça Federal, sendo o primeiro realizado após sua libertação em dezembro de 2022, depois de seis anos de prisão preventiva. Anteriormente, ele era conduzido pela Secretaria de Administração Penitenciária (Seap) e entrava pelos fundos do tribunal. Durante a pandemia, os interrogatórios foram feitos por videoconferência.

Apesar de estar em liberdade, Cabral ainda responde a 34 processos criminais, dos quais 32 estão relacionados à Lava Jato. Ele é acusado de cobrar 5% de propina sobre grandes contratos durante sua gestão (2007-2014), com investigações revelando contas no exterior em nome de "laranjas" e valores próximos a R$ 300 milhões, além de joias e pedras preciosas supostamente usadas para lavagem de dinheiro.

 

 

 


 

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