Bebê mineira que nasceu prematura vence a batalha pela vida após intenso cuidado em maternidade

Desde o início, a trajetória de Liz foi marcada por desafios. Seu peso ao nascer era abaixo da média mesmo para sua idade gestacional

Por Matheus Valadares

20/06/2023 13h41 - Atualizado há 11 meses

Em um enredo que pode ser descrito como a verdadeira vitória da vida, a pequena Liz, filha de Bruna Aparecida, superou todas as expectativas. Liz, que veio ao mundo em 22 de dezembro de 2022, teve um nascimento precoce na Maternidade Odete Valadares (MOV), em Belo Horizonte, pesando escassos 460 gramas. Bruna e sua filha passaram por uma jornada desafiadora, mas após cinco meses de cuidados intensivos e contínuos, Liz finalmente recebeu alta no dia 6 de junho, pesando um saudável 2,34 quilos.

Pequena Liz internada na Maternidade Odete Valadares. Foto:  Arquivo pessoal.

 

A trajetória de luta de Liz e sua mãe, Bruna

Desde o início, a trajetória de Liz foi marcada por desafios. Seu peso ao nascer era abaixo da média mesmo para sua idade gestacional, um fato identificado em um exame morfológico realizado por Bruna durante o pré-natal. No entanto, a gestação tomou um rumo inesperado quando, após a 20ª semana, Bruna foi diagnosticada com pré-eclâmpsia, uma condição caracterizada por hipertensão arterial.

Bruna compartilhou a tensão da situação. “Com 22 semanas, minha luta começou. Fui internada na Maternidade Odete Valadares ao constatarem que minha pressão estava mais alta que o normal. Comecei a viver um dia de cada vez, realizando cerca de 18 ultrassons diários para monitorar a minha filha. Foi um período crítico, pois havia o risco de Liz não sobreviver", disse Bruna.

A pré-eclâmpsia fez com que Bruna tivesse que induzir o parto, levando Liz a nascer prematuramente com apenas 26 semanas e quatro dias de gestação. Enquanto Bruna recebia alta, Liz precisou permanecer na unidade por três meses em uma incubadora. A coordenadora da UTI Neonatal da MOV, Dra. Ana Carmen Silva Reis, detalhou a extensão dos cuidados que Liz precisou. “Liz necessitou de ventilação mecânica prolongada e suave, dieta por sonda e restrição de coletas de sangue para evitar choque hipovolêmico devido ao seu pequeno tamanho", explicou Ana Carmen.

A guerreira Liz após receber alta hospitalar. Foto: Arquivo pessoal.

 

Investimentos na Maternidade Odete Valadares beneficiam bebês prematuros

A Maternidade Odete Valadares, onde Liz e muitos outros recém-nascidos prematuros são atendidos, recentemente se beneficiou de investimentos significativos que melhoraram a qualidade do atendimento. A reforma da UTI neonatal, com investimentos de R$ 6,2 milhões, resultou na ampliação da capacidade de leitos para recém-nascidos de 27 para 40. Ademais, a maternidade também implementou o sistema Tasy, dispensando o uso de prontuários físicos, tornando-se a primeira unidade da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig) a adotar tal sistema.

Após quase seis meses de cuidados intensivos, Liz finalmente recebeu alta hospitalar. Segundo Dra. Ana Carmen, o êxito de Liz foi fruto do cuidado contínuo dos pais e da equipe médica. “Logo que Liz estabilizou, iniciou-se precocemente o cuidado 'canguru', tanto com a mãe quanto com o pai, o que foi decisivo para a boa evolução. Eles são muito amorosos e tranquilos. Foram parceiros nos cuidados”, concluiu Ana Carmen.

Quando questionada sobre sua experiência, Bruna afirmou: “Eu não sentia nenhuma dor física. Foi feito tudo dentro do possível e acredito que até fora. Não fui para o parto sem saber o que iria acontecer. Fui muito bem assistida, do momento que eu entrei até a alta”.

A história de Liz e Bruna é um lembrete do milagre da vida e do impacto positivo que a tecnologia e os cuidados médicos apropriados podem ter, mesmo nas circunstâncias mais desafiadoras.

Destaques