EUA investigam impacto global do Pix em serviços financeiros

Sistema de pagamento brasileiro está sob análise por supostas barreiras comerciais e estímulo estatal

20/07/2025 às 11:09 por Redação Plox

O sistema de pagamentos instantâneos criado no Brasil, o Pix, entrou no radar do governo dos Estados Unidos já em 2022. Desde então, o Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) tem acompanhado de perto a sua crescente popularidade e os efeitos provocados no mercado de pagamentos eletrônicos.


Imagem Foto: Agência Brasil

Essa atenção por parte dos americanos veio à tona através de um relatório anual do USTR que destacou preocupações sobre o papel do Banco Central do Brasil, ao mesmo tempo regulador e operador do Pix. Segundo o documento, é fundamental garantir condições justas para todos os participantes do setor. Essa foi a única edição do relatório, até hoje, que citou nominalmente o Pix, embora menções ao sistema financeiro brasileiro tenham aparecido em relatórios posteriores.


Na última quinta-feira (16), o órgão federal norte-americano anunciou a abertura de uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras. A apuração também foca no apoio governamental ao uso do Pix, que, segundo o USTR, poderia estar prejudicando empresas e trabalhadores dos EUA. Jamieson Greer, responsável pelo USTR, afirmou que o inquérito foi solicitado diretamente por Donald Trump. O ex-presidente quer apurar ações brasileiras que, segundo ele, afetaram negativamente empresas de mídia social americanas e outras áreas tecnológicas.


Especialistas apontam que o sistema gratuito e público tem provocado concorrência com operadoras de cartão de crédito e serviços como o WhatsApp Pay. Em 2020, ano do lançamento do Pix, a Meta – empresa de Mark Zuckerberg – havia anunciado o início das operações do WhatsApp Pay no Brasil. A ferramenta permitiria transferências de dinheiro entre usuários diretamente pelo aplicativo. No entanto, uma semana após o anúncio, o Banco Central e o Cade decidiram suspender a operação para avaliar riscos e assegurar a estabilidade do sistema financeiro nacional.


De acordo com a economista Cristina Helena Mello, da PUC-SP, a suspensão foi justificada porque o WhatsApp operava fora do sistema financeiro oficial. “Não havia integração com as regras de monitoramento do Banco Central”, explicou.


Em entrevista à Agência Brasil, Cristina também ressaltou que o Pix contribuiu para ampliar a inclusão bancária, sendo uma forma eficiente de pagamento que traz vantagens ao consumidor.
“O Brasil desenvolveu uma forma de meio de pagamento que oferece uma série de vantagens. O Pix é ágil, promoveu um processo de bancarização, de inclusão de pessoas que não tinham conta”

, afirmou a especialista.

O relatório do USTR, publicado anualmente, analisa potenciais barreiras comerciais em mais de 60 países, como Brasil e Reino Unido. O documento de 2022 foi o primeiro a destacar de maneira explícita os impactos do Pix.


Segundo dados do Banco Central, em 2024 o Pix movimentou aproximadamente R$ 26,4 trilhões, consolidando-se como um dos principais meios de pagamento no país. A Agência Brasil informou que procurou o Banco Central e o Itamaraty para comentar as investigações e as menções feitas pelo USTR, mas não obteve resposta até o momento.


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