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Assistir a eventos esportivos ao vivo pode favorecer a conexão social entre os espectadores, segundo um estudo da Universidade de Tsukuba, no Japão, publicado na revista científica Translational Psychiatry em 8 de julho. A pesquisa aponta que acompanhar partidas em grupo está associado a respostas biológicas relacionadas ao fortalecimento dos vínculos sociais.
Durante o estudo, pesquisadores observaram que espectadores de jogos de basquete apresentaram aumento nos níveis de ocitocina, hormônio associado à formação de laços sociais, redução do cortisol, relacionado ao estresse, e maior sincronização dos batimentos cardíacos ao longo das partidas. Os resultados sugerem que compartilhar a experiência esportiva pode estimular mecanismos biológicos ligados ao sentimento de pertencimento, mesmo sem interação direta entre os participantes.
A pesquisa acompanhou 60 voluntários que assistiram a duas partidas de basquete universitário na Universidade de Tsukuba. Amostras de saliva foram coletadas antes, durante e após os jogos para medir os níveis de ocitocina e cortisol. Além disso, os participantes utilizaram sensores para monitorar a frequência cardíaca e responderam a questionários sobre a experiência vivenciada.
O que os pesquisadores encontraram
Os resultados mostraram que os níveis de ocitocina aumentaram entre os participantes que apresentavam concentrações mais baixas do hormônio antes do início da partida.
Já aqueles que começaram o estudo com níveis mais elevados mantiveram essa concentração ao longo do jogo. Ao mesmo tempo, os níveis de cortisol diminuíram durante o evento, indicando uma redução do estresse.
Os pesquisadores também observaram que os batimentos cardíacos dos espectadores passaram a apresentar um padrão mais sincronizado.
Segundo a análise, participantes com níveis mais altos de ocitocina tendiam a apresentar maior sincronização da frequência cardíaca e relataram mais prazer, sensação de união, envolvimento com a partida e vontade de voltar a assistir a eventos esportivos ao vivo.
Próximos passos
Segundo os autores, os resultados mostram que eventos esportivos presenciais podem funcionar como uma forma simples de estimular a conexão entre as pessoas, mas isso não significa que possam substituir tratamentos para transtornos psiquiátricos.
Agora, a equipe pretende investigar quais fatores influenciam esse efeito, como o resultado da partida, a familiaridade do público com o esporte e as características dos próprios espectadores. O objetivo é entender em quais situações as experiências esportivas compartilhadas favorecem mais a criação de vínculos sociais.