Estudo revela como o influenza A altera células humanas para se multiplicar

Pesquisadores do EMBL, na Alemanha, mapearam interações entre proteínas do vírus e das células durante a infecção.

20/07/2026 às 15:34 por Redação Plox

Pesquisadores identificaram, pela primeira vez, como o vírus da influenza A, causador da gripe, modifica o funcionamento das células humanas para favorecer sua própria multiplicação. O estudo foi publicado na revista Nature Microbiology e detalha as interações entre proteínas do vírus e da célula durante a infecção.

Laboratório Europeu de Biologia Molecular (EMBL)

A pesquisa, conduzida por cientistas do Laboratório Europeu de Biologia Molecular (EMBL), na Alemanha, utilizou uma técnica que permite observar essas interações diretamente em células infectadas intactas, evitando limitações de métodos anteriores que analisavam células rompidas em laboratório.

Estudo mostra como vírus da gripe altera células humanas para se multiplicar

Foto: Foto: Prefeitura de Maceió



Duas estratégias do vírus

O estudo identificou duas formas importantes pelas quais o vírus assume o controle da célula. A primeira envolve a hemaglutinina, proteína localizada na superfície do vírus que permite sua entrada nas células. Os pesquisadores descobriram que proteínas da própria célula ajudam essa molécula a adquirir a forma correta para que o vírus continue seu ciclo de multiplicação.
A segunda estratégia envolve pequenas estruturas presentes no núcleo celular, chamadas paraspeckles. A equipe observou que o vírus faz essas estruturas se desmancharem, liberando proteínas que passam a ser usadas na produção de novas cópias do vírus. Segundo os pesquisadores, a destruição dessas estruturas também pode enfraquecer parte das defesas naturais da célula contra a infecção.
Próximos passos
Os autores afirmam que a metodologia utilizada poderá ser aplicada ao estudo de outros vírus, incluindo aqueles com potencial para causar futuras pandemias, como o H5N1.
De acordo com a equipe, compreender em detalhes como vírus e células humanas interagem pode ajudar a identificar novos alvos para medicamentos capazes de impedir a multiplicação viral e tornar os tratamentos mais eficazes

AlphaFold

Os pesquisadores também empregaram uma versão adaptada do sistema de inteligência artificial AlphaFold para reconstruir, por meio de modelos computacionais, a forma como proteínas virais e humanas se conectam. Segundo os autores, os resultados ampliam o entendimento sobre o processo de infecção e podem contribuir para o desenvolvimento de novos medicamentos e vacinas contra a gripe.

Compartilhar a notícia

V e j a A g o r a